Guarda a última população de cervo-do-pantanal do Rio Grande do Sul: a antiga capital gaúcha que tem praias de água doce a 25 km de Porto Alegre
Áreas naturais preservam espécies raras a pouca distância da região metropolitana
O maior cervídeo da América do Sul quase desapareceu do estado, e o que restou dele cabe num único endereço. Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, abriga esse refúgio e ainda soma praias de água doce, um farol do século XIX e a lembrança de ter sido a primeira sede de governo do Rio Grande do Sul.
Onde vive a última população de cervo-do-pantanal do estado?
No Refúgio de Vida Silvestre Banhado dos Pachecos, na localidade de Águas Claras. Conforme a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (Sema), a unidade protege 2.543 hectares de banhados, matas de restinga e campos, e é ali que sobrevive o cervo-do-pantanal, espécie criticamente ameaçada no estado.
O terreno explica a sobrevivência do animal. A área é uma turfeira, tipo de banhado com acúmulo de matéria vegetal em decomposição e vegetação densa, difícil de ocupar e ideal para quem precisa se esconder. O mesmo alagado guarda as nascentes do rio Gravataí e peixes que não existem em nenhum outro lugar do planeta.

Por que Viamão chegou a ser capital do Rio Grande do Sul?
Porque a capital anterior foi invadida. Segundo a Prefeitura de Viamão, o povoamento começou em 1741, quando Francisco Carvalho da Cunha se estabeleceu no sítio chamado Estância Grande e ergueu uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, e ganhou impulso a partir de 1752 com a chegada dos açorianos.
O salto veio duas décadas depois. Em 1763, com a tomada da Vila do Rio Grande por tropas espanholas, a sede do governo da capitania foi transferida às pressas para a freguesia, que permaneceu como capital até 1773, quando a administração seguiu para o Porto dos Casais, hoje Porto Alegre. Daí vem o apelido de Velha Capital, ainda usado pelos gaúchos.

Onde ficam as praias de água doce e o farol de 1860?
Dentro do Parque Estadual de Itapuã, no distrito de mesmo nome. A unidade protege a última amostra dos ecossistemas originais da Região Metropolitana, num conjunto de morros, dunas, lagoas, banhados e praias, e tem o bugio-ruivo como símbolo oficial, conforme a Sema.
O ponto mais simbólico do parque é uma construção baixa e branca. O Farol de Itapuã, concluído em 1860, marca exatamente onde as águas do Lago Guaíba encontram a Laguna dos Patos, conforme a Prefeitura. A visitação é controlada e nem todas as praias ficam abertas ao mesmo tempo.
Quais outros lugares valem a visita na cidade?
Fora das áreas protegidas, os programas se espalham entre o centro histórico e a zona rural. Confira abaixo os principais:
- Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição: templo do século XVIII erguido no lugar da capela original, principal marco do centro histórico.
- Centro de Visitantes do Parque Estadual de Itapuã: exposição fotográfica permanente e painéis sobre o farol e a biodiversidade local, com entrada gratuita.
- Morro da Fortaleza: elevação dentro do parque que serviu de posto de observação durante a Revolução Farroupilha.
- Autódromo Internacional de Tarumã: inaugurado em 1970, foi o primeiro autódromo do Sul do Brasil e ainda recebe etapas regionais e nacionais.
- Templo Budista Caminho do Meio: centro de budismo tibetano instalado nos morros do município, com meditação aberta ao público.
- Lagoa Negra: espelho d’água dentro do parque que funciona como parada de aves migratórias.
Quem quer descobrir natureza e história em Viamão, vai curtir este vídeo do Guri de Uruguaiana, com mais de 651 mil inscritos, que visita Itapuã e outras atrações.
Como é o clima em Viamão durante o ano?
O clima é subtropical úmido e a chuva se distribui bem por todos os meses. Setembro reúne média de 147 mm e agosto fica em 124 mm, conforme a série histórica do Climatempo. Veja abaixo como cada período se comporta:
Valores aproximados. As condições variam de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, e vale conferir a previsão atualizada no Climatempo.
A vizinha discreta da capital gaúcha
Viamão fica colada em Porto Alegre e mesmo assim guarda o que a metrópole perdeu: banhado com cervo raro, praia sem sal, farol de mais de 160 anos e uma memória política que antecede a própria capital atual.
Vale reservar um dia para atravessar os 25 km, entrar no parque pela manhã e terminar a tarde vendo o Guaíba virar laguna diante do farol.
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