O animal que consegue alterar a textura da própria pele para desaparecer entre pedras, areia e algas
Cromatóforos, células refletoras e papilas permitem ao cefalópode ajustar cor, padrões e relevo da pele ao ambiente marinho
O Sepia officinalis, conhecido como choco, é um cefalópode marinho capaz de modificar rapidamente não apenas as cores e os desenhos do corpo, mas também o relevo da própria pele. Essa combinação permite que o animal reduza seu contraste contra fundos de areia, pedras, cascalho e vegetação marinha, criando uma das formas de camuflagem mais sofisticadas conhecidas entre os invertebrados.
Como o choco consegue mudar de aparência tão rapidamente?
A pele do choco contém milhares de cromatóforos, estruturas com pequenos sacos de pigmento controlados por músculos e nervos. Quando determinados músculos se contraem, esses sacos se expandem e tornam o pigmento mais visível. Ao combinar diferentes regiões da pele, o animal produz manchas claras, escuras, faixas e padrões complexos em pouco tempo.
Camadas abaixo dos cromatóforos também participam do efeito visual. Iridóforos refletem determinadas faixas de luz e podem produzir brilho iridescente, enquanto leucóforos espalham a luz recebida do ambiente. O resultado é um sistema que mistura pigmentação e reflexão para modificar a aparência corporal de maneira dinâmica.
Como o choco consegue mudar também a textura da pele?
A transformação não termina nas cores. O animal possui papilas cutâneas, projeções controladas por músculos que podem ser elevadas ou achatadas. Quando ativadas, elas criam saliências e irregularidades capazes de aproximar o contorno do corpo da textura visual de pedras, cascalho ou outros elementos presentes no fundo marinho.
O processo ajuda a eliminar uma pista importante para predadores, que é a superfície lisa e facilmente reconhecível do corpo. A Science Friday explica como essas papilas modificam a estrutura tridimensional da pele, funcionando em conjunto com alterações de cor e padrão.
- Cromatóforos controlam áreas pigmentadas.
- Iridóforos alteram propriedades de reflexão da luz.
- Leucóforos espalham a luz do ambiente.
- Papilas modificam fisicamente o relevo da pele.
Este vídeo mostra como chocos e polvos utilizam papilas para transformar rapidamente a textura corporal.
O que o animal observa antes de escolher sua camuflagem?
Experimentos com Sepia officinalis mostram que o sistema visual avalia características do cenário, incluindo bordas, contraste, tamanho dos elementos e textura. O animal não parece simplesmente copiar uma fotografia completa do fundo, mas seleciona padrões corporais que reduzem sua detecção naquele tipo de ambiente.
Pesquisadores costumam agrupar essas respostas em categorias como uniforme, mosqueada e disruptiva. Fundos com grandes objetos contrastantes podem provocar desenhos disruptivos, enquanto superfícies formadas por elementos menores e menos contrastantes favorecem outras respostas. Essa flexibilidade permite adaptação a cenários muito diferentes.
A camuflagem faz o animal realmente desaparecer?
Não literalmente. A camuflagem reduz pistas visuais que permitiriam a um predador distinguir o corpo do ambiente, mas não torna o animal invisível. A eficácia depende da iluminação, do fundo, da distância de observação e também do sistema visual de quem procura pelo cefalópode.
Além disso, as mudanças corporais não servem exclusivamente para esconder. Cefalópodes também utilizam padrões visuais durante interações sociais, reprodução e respostas defensivas. Portanto, uma mudança intensa de cor não deve ser interpretada automaticamente como camuflagem ou como comportamento agressivo.

Que estruturas tornam a camuflagem do choco tão complexa?
O Sepia officinalis pertence à família Sepiidae e ocorre no Atlântico oriental e no Mediterrâneo. É uma espécie bentônica, frequentemente associada ao fundo marinho, condição em que a capacidade de ajustar o padrão corporal a diferentes substratos oferece uma importante vantagem visual.
A combinação de diferentes estruturas permite alterar vários aspectos simultaneamente. Em vez de depender de uma única camada de pigmentação, o animal modifica cor, brilho, padrão e relevo superficial, criando respostas que podem mudar conforme as características percebidas no entorno.
Por que a camuflagem do choco chama tanta atenção dos cientistas?
A capacidade do choco demonstra como visão, sistema nervoso e músculos podem trabalhar juntos para controlar milhares de estruturas microscópicas em tempo real. Isso permite estudar desde percepção visual e comportamento animal até mecanismos físicos capazes de produzir superfícies que mudam de aparência e formato.
Essas características também inspiram pesquisas em biomimética, especialmente materiais capazes de alterar textura ou propriedades ópticas. O interesse científico não vem apenas do efeito visual impressionante, mas de compreender como um molusco consegue transformar rapidamente sinais percebidos pelos olhos em alterações coordenadas por praticamente toda a pele.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)