Ganhou um dos últimos parques assinados por Burle Marx: a cidade planejada do leste mineiro onde uma ferrovia de 2,6 km, um estádio e um kartódromo cabem dentro da mesma área verde
O grande parque cria um contraste marcante com a identidade industrial
Não é comum encontrar um projeto do paisagista mais famoso do Brasil em uma cidade erguida ao redor de uma siderúrgica. Ipatinga, no Vale do Aço mineiro, tem o Parque Ipanema no centro da malha urbana, desenhado na fase final da carreira de Roberto Burle Marx. O espaço virou o quintal coletivo de uma cidade que nasceu planejada.
Por que Ipatinga tem um parque assinado por Burle Marx?
O projeto nasceu de um problema prático. Conforme o portal oficial de turismo de Minas Gerais, o parque foi concebido para preservar as margens do Ribeirão Ipanema, que corta a área central, e acabou se tornando um dos últimos trabalhos do paisagista responsável pelos jardins mais conhecidos do país.
O planejamento avançou ao longo dos anos 1970, quando prefeitura e siderúrgica queriam transformar a faixa do ribeirão em uma grande área de convivência. O resultado ocupa hoje o entroncamento das rodovias BR-381 e BR-458, o que coloca o parque no caminho de quem chega à cidade por qualquer direção. Em 2000, o conjunto passou a ser protegido como patrimônio cultural do município.

O que cabe dentro do Parque Ipanema?
Muito mais do que jardins. O complexo reúne equipamentos que, em outras cidades, ficariam espalhados por bairros diferentes, e é por isso que o parque concentra boa parte da vida cotidiana local. Um letreiro de aço com 5,5 metros de largura na entrada resume a relação dos moradores com o lugar. Confira abaixo:
- Estrada de Ferro Caminho das Águas: pequena ferrovia de 2,6 km que circula dentro do parque, remanescente do complexo original.
- Parque da Ciência: espaço de divulgação científica e astronomia que recebe visitas escolares e mostras temáticas.
- Estádio João Lamego Netto: o Ipatingão, casa do futebol da cidade, fica dentro da mesma área.
- Kartódromo Emerson Fittipaldi: pista administrada pelo Kart Clube de Ipatinga, também dentro dos limites do complexo.
- Lago, anfiteatro e ciclovias: a parte mais frequentada, com pista de caminhada, playground e apresentações ao ar livre.

Como a cidade foi organizada em torno da indústria?
A emancipação veio em 1964, poucos anos depois da instalação da usina que definiria o perfil do lugar. O traçado seguiu um projeto moderno para a época, com avenidas largas e bairros distribuídos de forma planejada, em vez do crescimento espontâneo que marcou a maioria das cidades brasileiras do mesmo porte.
Essa origem ainda aparece na paisagem. As áreas verdes foram reservadas desde o desenho inicial, e equipamentos culturais e esportivos ganharam espaço próprio dentro da malha urbana. O resultado é uma cidade média com estrutura de centro regional, que atende também os municípios vizinhos do Vale do Aço. Comércio, hospitais e faculdades concentrados em poucos quilômetros explicam por que moradores de toda a região convergem para lá em dias úteis.

O que visitar além do parque?
As opções se dividem entre cultura urbana e natureza a poucos quilômetros do centro. Confira abaixo:
- Centro Cultural Usiminas: teatro, galerias e cinema, com agenda de espetáculos e exposições ao longo do ano.
- Parque Estadual do Rio Doce: nas proximidades, guarda a maior área contínua de Mata Atlântica de Minas Gerais, com trilhas e lagoas.
- Parque das Cachoeiras: alternativa para trilhas curtas e banho em quedas d’água sem sair da região.
- Estação Memória: espaço dedicado à história ferroviária e à formação do circuito turístico municipal.
Quem quer conhecer o lado verde de Ipatinga, vai curtir este vídeo do BoasNovas, com mais de 225 mil inscritos, que passeia pelo famoso Parque Ipanema.
Como chegar ao Vale do Aço?
O caminho mais usado é a BR-381, que liga Belo Horizonte ao leste do estado e passa pela cidade, em um trajeto de cerca de 210 km desde a capital mineira. A BR-458 completa o acesso pelo outro sentido, e as duas se encontram justamente na altura do parque. A cidade também conta com aeroporto próprio, usado principalmente por voos regionais e pela operação industrial.
Uma cidade de aço que virou cidade de parque
Ipatinga costuma ser lembrada pela chaminé e pelo minério, mas o endereço que os moradores mais frequentam é um jardim desenhado por um artista. A decisão de reservar a margem de um ribeirão para uso coletivo, tomada ainda nos anos 1970, acabou definindo a identidade da cidade mais do que qualquer indicador industrial. Poucos municípios brasileiros do mesmo porte conseguem apontar um espaço público com esse peso simbólico.
Você precisa conhecer Ipatinga e caminhar pelo parque que transformou uma cidade operária em um lugar para ficar.
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