Fundada por um ministro austríaco a 796 metros de altitude, essa vila catarinense ainda entalha madeira e fala dialeto tirolês
Esculturas em madeira mantêm viva uma tradição trazida pelos imigrantes
Nem toda colônia europeia no Brasil nasceu de fluxo espontâneo de famílias em busca de terra. Treze Tílias, no meio-oeste de Santa Catarina, veio de um projeto assinado por um ministro em exercício, que atravessou o Atlântico junto com os colonos e escolheu pessoalmente um planalto parecido com os Alpes para recomeçar.
Por que um ministro da Áustria fundou uma colônia no interior catarinense?
A resposta está na crise europeia entre guerras. Conforme o Portal Municipal de Turismo de Treze Tílias, a colonização começou em 13 de outubro de 1933, quando o ministro da Agricultura da Áustria, Andreas Thaler, mudou-se para a região trazendo outros 82 imigrantes austríacos.
O nome veio da literatura, não da geografia. Thaler batizou a colônia de Dreizehnlínden, em referência à tília, árvore de flor branca abundante na Áustria, e a tradução acabou virando o nome do município. A economia se organizou em torno da agricultura, com destaque para a pecuária leiteira e a indústria de laticínios, o que ancorou a comunidade no lugar. É a mesma lógica de fixação europeia que moldou outras cidades de colonização europeia na serra gaúcha, só que aqui a origem é austríaca, e não italiana ou alemã.

O que a escultura em madeira de Treze Tílias tem a ver com Brasília?
Os tiroleses desembarcaram com uma técnica na bagagem. Ainda segundo o Portal Municipal de Turismo de Treze Tílias, a tradição de trabalho em madeira trazida pelos imigrantes segue viva e produziu peças de alcance nacional, entre elas o Crucifixo da Catedral de Brasília.
O ofício não ficou restrito a um ateliê de museu. Famílias inteiras se especializaram em arte sacra e decorativa entalhada à mão, e as oficinas continuam abertas ao público no centro, onde é possível ver o desbaste sendo feito na hora. Ao lado da escultura, sobreviveu outra técnica alpina, a Bauernmalerei, pintura camponesa de flores e arabescos aplicada em móveis, portas e objetos de madeira.

Onde a arquitetura alpina aparece na rotina de Treze Tílias
Telhados íngremes, sacadas entalhadas e floreiras nas janelas não são cenografia montada para turistas: são o padrão construtivo que os colonos repetiram desde os anos 1930. Confira abaixo os pontos que concentram a visita:
- Praça Ministro Andreas Thaler: centro da cidade, com chafariz em cascata, monumento ao fundador e a prefeitura em estilo tirolês ao redor.
- Museu Municipal Andreas Thaler: o Castelinho, antiga casa do fundador projetada pelo arquiteto Bruno Kracher, reúne objetos, ferramentas e ambientes que reconstroem a vida na colônia.
- Parque Lindendorf: área verde de 45 mil m² com lago, animais e a Minicidade, réplica em escala reduzida das principais construções locais.
- Lago Schaupenlehner: a 7 km do centro, com restaurante, pedalinhos e canoagem entre morros.
- Ateliês de escultura: espalhados pelo centro, vendem peças entalhadas e permitem acompanhar o trabalho dos artesãos.
- Tirolerfest: a festa que marca o calendário local em outubro, com música, trajes típicos e gastronomia austríaca.
Quem sonha em conhecer o Tirol Brasileiro vai curtir esse vídeo do canal Rolê Família, com mais de 165 mil visualizações, sobre a cultura austríaca e as tradições de Treze Tílias:
Como é o clima de Treze Tílias ao longo do ano?
A 796 metros de altitude, o município tem o clima de planalto do sul do país: chuva bem distribuída em todos os meses e uma amplitude grande entre o verão e o inverno. Veja abaixo como o tempo se comporta em Treze Tílias durante o ano:
Médias mensais de chuva com base na climatologia do Climatempo. As condições variam de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de subir a serra.
Conheça a colônia austríaca que não virou cenário
O que diferencia essa cidade de outras vilas de arquitetura europeia no Brasil é a continuidade. A madeira entalhada, a pintura camponesa, a banda de música e o dialeto falado pelos mais velhos não foram recuperados décadas depois para atrair visitantes: nunca chegaram a parar.
Você precisa reservar um fim de semana no meio-oeste catarinense, entrar em um ateliê enquanto o artesão trabalha e entender por que o Tirol brasileiro soa mais convincente de perto.
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