Eleita pelo The Guardian a praia mais bonita do Brasil: a vila paraense que superou Fernando de Noronha
As praias surgem às margens do rio e mudam conforme o nível das águas
Um jornal britânico jogou os olhos do mundo para uma vila de pescadores no meio da Amazônia. Alter do Chão, distrito de Santarém, no oeste do Pará, foi apontada pelo The Guardian como a praia mais bonita do Brasil, à frente até de Fernando de Noronha. O apelido de Caribe Amazônico não se sustenta por marketing: durante seis meses do ano, o Rio Tapajós baixa e revela bancos de areia branca cercados por água doce transparente.
Como a Ilha do Amor surge no meio do Rio Tapajós?
A resposta está no ciclo das águas amazônicas. Entre agosto e dezembro, o nível do Tapajós recua vários metros e revela uma península de areia branca em frente à orla da vila, chamada Ilha do Amor. De um lado, o rio principal. Do outro, o Lago Verde, com águas mais calmas e árvores parcialmente submersas. Para atravessar, basta uma canoa dos catraieiros, barqueiros locais reconhecidos como patrimônio histórico e cultural imaterial do município.
No período de cheia, entre janeiro e julho, a península desaparece completamente. O mesmo cenário vira floresta alagada e o turismo muda de forma: passeios de canoa entre as copas das árvores, pesca esportiva e observação da fauna ribeirinha. É por causa desse ritmo sazonal que cada visita à vila tem paisagem diferente.

Por que Alter do Chão é chamada de Caribe Amazônico?
Em 2009, o jornal britânico The Guardian apontou Alter do Chão como a mais bela praia de água doce do planeta. O reconhecimento internacional se somou a outros títulos nacionais nos anos seguintes.
Segundo a Prefeitura Municipal de Santarém, a vila foi eleita Melhor Destino Turístico Nacional em 2021 pelo Prêmio UPIS de Turismo, com 97,55% dos votos, superando destinos como a Chapada Diamantina e o Jalapão. Em 28 de abril de 2022, o distrito foi declarado patrimônio cultural material e imaterial do estado do Pará pela Lei Estadual nº 9.543, aprovada pela Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) e sancionada pelo governador.
A explicação para os títulos aparece em qualquer barranco do Tapajós: a acidez da água inibe a proliferação de mosquitos e mantém a transparência que dá o tom caribenho às praias.

O que ver e fazer na vila além da Ilha do Amor?
Os principais passeios saem da orla e exploram a bacia do Tapajós em diferentes direções. A vila é pequena e concentra pousadas, restaurantes e agências ao redor da praça central, o que facilita o planejamento.
- Ilha do Amor: península de areia branca em frente à vila, com barracas, mesas e serviço de canoas. Acesso por travessia curta.
- Lago Verde: passeio de canoa entre igarapés, com águas translúcidas e vista da Serra da Piraoca.
- Floresta Encantada (Igarapé dos Macacos): braço raso do Tapajós com vegetação densa que fica alagada durante a cheia. Ideal para canoagem contemplativa.
- Praias do Rio Arapiuns: bancos de areia que surgem no afluente do Tapajós, com comunidades ribeirinhas que preparam refeições sob encomenda.
- Floresta Nacional do Tapajós: unidade de conservação com trilhas guiadas, samaumeiras centenárias e paradas em comunidades tradicionais.
- Festa do Sairé: uma das manifestações folclóricas mais antigas da Amazônia, com o duelo dos botos Cor-de-Rosa e Tucuxi, realizada em setembro.
Na cozinha, o tucunaré assado aparece em quase todas as barracas de praia. Os restaurantes da orla servem também pirarucu de casaca, caldeirada, vatapá paraense e sobremesas de cupuaçu, bacuri e tapioca com açaí.
Quem sonha em conhecer o Caribe Amazônico, vai curtir esse vídeo do canal Rolê Família, com mais de 119 mil visualizações, que mostra passeios e dicas de Alter do Chão:
Qual é a melhor época para visitar?
A geografia do Tapajós divide o ano em dois cenários bem distintos. Entre agosto e dezembro, chamado de verão amazônico, o rio baixa e as praias aparecem em toda a força. Entre janeiro e julho, o inverno amazônico traz chuvas e enche o rio, cobrindo as praias e transformando o passeio em ecoturismo.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo para Santarém. Condições podem variar.
Como chegar a Alter do Chão?
Não existe aeroporto na vila. A porta de entrada obrigatória é o Aeroporto Internacional de Santarém — Maestro Wilson Fonseca (STM), que recebe voos diários das principais capitais brasileiras, geralmente com conexão em Belém, Brasília ou Manaus. De Santarém, o trajeto até Alter do Chão tem cerca de 34 km pela Rodovia Fernando Guilhon e depois pela PA-457, com viagem de 40 minutos a uma hora. Também é possível chegar por barco pelo Rio Amazonas, saindo de Belém ou Manaus, em travessias de um a dois dias, opção procurada por quem quer viver a Amazônia desde o trajeto.
Conheça o Caribe que fica dentro da floresta
Alter do Chão é a vila que virou referência mundial sem perder a rotina ribeirinha. As barracas na areia coexistem com casas de pescadores, o carimbó divide a praça com festivais internacionais e o Tapajós continua ditando o calendário de quem escolheu viver ali.
Você precisa atravessar o canal até a Ilha do Amor ao pôr do sol e entender por que essa vila da Amazônia virou objeto de desejo dos viajantes do mundo inteiro.
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