Eleita a 3ª cidade mais inovadora do Brasil e a única do Nordeste na lista: o município do Agreste que lidera a qualidade de vida na Paraíba
Tecnologia e educação ajudam a explicar o destaque alcançado nos últimos anos
Quase toda concentração de tecnologia no Brasil nasceu perto de uma capital rica ou de um porto. No Agreste paraibano, a 560 metros de altitude, Campina Grande construiu o caminho oposto: um ecossistema de pesquisa erguido em torno de universidades públicas, que hoje lhe rende o posto de terceira cidade mais inovadora do país e o melhor índice de qualidade de vida da Paraíba.
Como uma cidade do interior nordestino virou referência em tecnologia?
Tudo começou com um computador. Em 1967, o então reitor Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque defendeu a compra de um IBM 1130 para a antiga Escola Politécnica de Campina Grande e ouviu que, se a máquina fosse comprada, ficaria na capital. A aquisição acabou saindo, e foi ela que abriu caminho para o centro tecnológico da cidade, conforme registra o portal da UFCG.
Daquela escola nasceu a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), criada em 2002, que divide a cidade com a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), de 1966. Os laboratórios se espalharam pelas margens do Açude Bodocongó e formaram gerações de mestres e doutores em engenharia e computação, o insumo que nenhum incentivo fiscal consegue comprar pronto.

O que sustenta o título de 3ª cidade mais inovadora do país?
São resultados medidos, não reputação. Segundo a Prefeitura de Campina Grande, a cidade ficou em terceiro lugar no fator inovação do Índice de Cidades Empreendedoras (ICE), levantamento da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), como a única representante nordestina entre as primeiras colocadas.
O ecossistema local foi classificado como de alto impacto pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), atributo aplicado a poucos municípios brasileiros. A base física inclui a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB), o Centro de Inovação e Tecnologia Telmo Araújo (CITTA) e o Núcleo de Tecnologias Estratégicas em Saúde (Nutes), que mantém uma linha de protótipos de equipamentos médicos certificada pela Anvisa. Em 2020, a UFCG liderou o ranking de depositantes de patentes de invenção do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Por que a Rainha da Borborema aparece no topo da qualidade de vida?
Porque os indicadores sociais acompanharam o avanço científico. No Índice de Progresso Social (IPS) Brasil, calculado pelo Instituto Imazon a partir de 57 indicadores sociais e ambientais, o município é o mais bem posicionado da Paraíba e chegou à 79ª posição nacional, à frente da capital João Pessoa, conforme divulgou a Prefeitura de Campina Grande.
A nota da cidade superou a média do estado e a média nacional no mesmo levantamento, resultado incomum para um município que não é capital nem litorâneo. Pesa também a geografia: no alto do Planalto da Borborema, as noites são mais frescas que as do litoral paraibano, um detalhe que muda a rotina de quem mora ali.
O que conhecer na cidade além dos laboratórios?
A herança do ciclo do algodão, que fez a cidade ser chamada de Liverpool Brasileira no início do século XX, ainda está visível no centro. Confira abaixo o que costuma render uma boa caminhada:
- Feira de Campina Grande: a chamada Feira das Feiras é Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan desde 2017, inscrita no Livro de Registro dos Lugares.
- Açude Velho: cartão-postal com calçadão de caminhada no meio da malha urbana, cercado de quiosques.
- Museu do Algodão: instalado na antiga estação ferroviária, conta o ciclo econômico que projetou a cidade no comércio internacional.
- Vila do Artesão: conjunto de chalés com renda, peças de barro e cordel produzidos na região.
- Parque da Criança: área verde com pistas e quadras ao lado do Açude Velho, de entrada gratuita.
- Museu de Arte Popular da Paraíba: acervo dedicado à produção artística do Agreste e do Sertão.
Quem quer conhecer Campina Grande vai curtir este vídeo do canal Fabi Cassol | Minha Praia Viajar, que mostra atrações, preços e dicas para explorar a cidade paraibana.
Como é o clima de Campina Grande durante o ano?
A altitude derruba o termômetro em relação ao litoral, e a chuva se concentra entre o outono e o inverno, ao contrário do padrão de boa parte do país. Veja abaixo como o ano costuma se comportar na cidade:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. As condições variam bastante de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes da viagem.
Como chegar ao Agreste paraibano?
O trajeto mais usado parte de João Pessoa pela BR-230, cerca de 120 km em pouco mais de duas horas de carro, com boa parte do percurso duplicada. O Aeroporto Presidente João Suassuna fica a poucos quilômetros da área central e opera voos regulares.
A cidade também funciona como ponto de apoio para quem circula pelo interior nordestino, região onde outro município transformou uma vocação improvável em economia de exportação: a cidade do Sertão que vende frutas para mais de 50 países.
Conheça a cidade que fez ciência no meio do Agreste
Poucos lugares no Brasil conseguem juntar laboratório certificado, universidade pública de peso e o melhor indicador social do próprio estado. Campina Grande construiu isso sem litoral, sem capital e sem atalho, apostando em formação de gente qualificada durante décadas.
Você precisa subir a Borborema e caminhar pelo centro campinense para entender como uma cidade do interior nordestino virou endereço de patente e de qualidade de vida ao mesmo tempo.
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