Desenhada rua por rua antes de existir: a Cidade do Aço que foi construída junto com uma grande usina
O desenho da cidade nasceu junto com um dos maiores projetos industriais de sua época
Nem toda cidade brasileira foi projetada antes de ter moradores. Em 1941, o governo federal escolheu uma curva fechada do rio Paraíba do Sul para erguer a primeira grande siderúrgica do país, e Volta Redonda nasceu junto com a usina, desenhada por um urbanista. Oito décadas depois, a herança aparece nas avenidas arborizadas e em um zoológico municipal de entrada gratuita.
Por que a cidade foi construída junto com uma usina?
Porque a usina precisava de gente e não havia cidade para recebê-la. Conforme a Prefeitura de Volta Redonda, o ciclo industrial começou em 1941, quando o povoado às margens do Paraíba do Sul foi escolhido para abrigar a usina da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em plena Segunda Guerra Mundial. O nome da cidade vem de um detalhe do terreno batizado ainda em 1744: a curva quase em forma de U que o rio faz ali.
O canteiro atraiu trabalhadores de todas as regiões, apelidados de arigós, que dormiram em barracas nos morros enquanto as casas ficavam prontas. A vila operária foi projetada pelo arquiteto Attílio Corrêa Lima, um dos nomes centrais do urbanismo moderno brasileiro, com previsão inicial de 4 mil habitações, segundo o portal de turismo da Prefeitura. A independência administrativa só veio depois, em 1954.

O bairro planejado que funciona como shopping a céu aberto
A Vila Santa Cecília é o resultado mais visível daquele projeto. Corrêa Lima organizou o traçado seguindo a topografia, separando a área industrial da residencial pelas montanhas e pela ferrovia, e reservou ao bairro central os melhores equipamentos urbanos: praças, cinema, comércio e o escritório da companhia.
O desenho envelheceu bem. Ruas largas, calçadas generosas e árvores antigas fazem do bairro um centro comercial percorrido a pé, hábito raro em cidades de porte semelhante. O portal de turismo do Governo do Estado do Rio de Janeiro registra ainda o ônibus de Tarifa Comercial Zero, que liga sem custo os principais centros de compras do município.

O que visitar na Cidade do Aço?
As atrações se dividem entre memória industrial e áreas verdes, quase todas dentro do perímetro urbano e a pouco mais de 120 km do Rio de Janeiro pela Via Dutra. Estes são os destaques:
- Parque Zoológico Municipal (Zoo-VR): ocupa 150.439 m² de Mata Atlântica na Vila Santa Cecília, abriga cerca de 300 animais e abre de terça a domingo, das 8h às 16h30, com entrada gratuita.
- Pedalinhos do Zoo-VR: o lago do parque mantém 11 embarcações, também de uso gratuito, com colete salva-vidas obrigatório.
- Memorial Attílio Corrêa Lima: reúne plantas, maquete e documentos do plano de 1941 que deu origem à cidade.
- Parque Natural Municipal Fazenda Santa Cecília do Ingá: área natural preservada citada pelo portal estadual de turismo entre os principais espaços verdes do município.
- Recinto de Imersão de Aves: espaço de 750 m² que o visitante atravessa por dentro, com mais de 30 espécies soltas.
Quem sonha em viajar pelo interior do Rio de Janeiro, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rio Para Pobres, que conta com mais de 43 mil visualizações, onde Will Braga mostra o que fazer de graça em Volta Redonda:
Como é o clima de Volta Redonda ao longo do ano?
O vale do Paraíba do Sul cria um regime tropical de altitude, com verão úmido e inverno seco. A diferença entre os extremos é grande: em julho, a média de chuva fica em torno de 31 mm, enquanto setembro já registra cerca de 66 mm, segundo dados do Climatempo. Veja como cada período se comporta:
As condições mudam de um ano para outro sob influência de fenômenos como El Niño e La Niña. Para a previsão atualizada, consulte o Climatempo.
A cidade que transformou aço em espaço público
Volta Redonda é um caso raro de cidade brasileira que começou pelo desenho e não pelo acaso. O traçado pensado para operários nos anos 1940 continua entregando ruas arborizadas, praças de encontro e um parque de mata nativa aberto a todos sem bilheteria.
Vale reservar um dia no caminho entre Rio e São Paulo para conhecer a Cidade do Aço e entender como uma usina acabou produzindo, junto com o aço, uma cidade inteira.
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