Construída em 34 anos e eleita uma das 7 Maravilhas do Brasil: a cidade que tropeiros batizaram sob uma caneleira na Serra Gaúcha
Cidade gaúcha construída em 34 anos e eleita uma das 7 Maravilhas do Brasil
Antes de virar o destino mais europeu da serra gaúcha, Canela era apenas uma parada de tropeiros sob uma árvore de canela-preta. A 837 metros de altitude, a cidade hoje guarda uma catedral neogótica de 65 metros que demorou três décadas para ficar pronta.
De pouso de tropeiros a vila de imigrantes
No fim do século XIX, o caminho que ligava a serra ao litoral passava por uma árvore de canela-preta, a Ocotea catharinensis, que servia de ponto de encontro para os tropeiros que desciam com gado, queijo e couro rumo a São Leopoldo e Porto Alegre. A árvore acabou batizando o lugar, e a primeira praça da cidade nasceu exatamente ao redor dela.
O núcleo urbano se formou em 1903, quando o Coronel João Ferreira Corrêa da Silva se instalou no local, em uma região já ocupada por fazendeiros de Cima da Serra e por descendentes de imigrantes alemães e italianos que tinham subido a serra atrás de terras e trabalho nas primeiras serrarias. A madeira moveu a economia local nas décadas seguintes, e a estrada de ferro consolidou Canela como passagem obrigatória entre o planalto e a capital, segundo registros da Prefeitura Municipal de Canela.

A emancipação que veio antes da vizinha Gramado
O clima ameno começou a atrair veranistas da capital a partir dos anos 1940, e o movimento turístico nasceu junto com o desejo de autonomia. Em 28 de dezembro de 1944, o Decreto-Lei Estadual nº 717 criou o município, desmembrado de Taquara, e Canela foi instalada oficialmente em 1º de janeiro de 1945, com Nelson Schneider como primeiro prefeito.
O detalhe pouco lembrado é que a cidade se emancipou dez anos antes de Gramado e Nova Petrópolis, sendo a segunda da região a virar município, atrás apenas de São Francisco de Paula. O brasão oficial estampa uma caneleira em campo de ouro e a cascata do Caracol em campo de prata, símbolos da árvore que deu nome ao lugar e da paisagem que se tornaria sua marca.
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A Catedral que levou 34 anos para ficar de pé
A ideia mais ambiciosa da cidade nasceu na cabeça de um padre. Em 1927, o cônego João Marchesi idealizou uma igreja monumental dedicada a Nossa Senhora de Lourdes, mas o projeto só saiu do papel décadas depois. A pedra fundamental foi lançada em 1953, e o arquiteto Bernardo Sartori assinou um traçado neogótico inglês inspirado nas catedrais europeias, revestido com pedra basáltica retirada da própria região.
Uma curiosidade desconcerta quem visita: a nova catedral foi erguida por cima da antiga Igreja Matriz, inaugurada em 1937. Os pedreiros começaram a levantar as paredes em volta da igrejinha original em 1964, e só depois é que a estrutura velha foi demolida por dentro. A obra inteira só foi concluída em 1987, totalizando 34 anos de construção. O cônego Marchesi, que sonhou tudo isso, está sepultado no interior do templo que idealizou.

Os 12 sinos italianos que ecoam pela serra
A torre central da Catedral de Pedra tem 65 metros de altura e abriga um conjunto sonoro com nome de Pátria. O Carrilhão da Independência reúne 12 sinos de bronze fabricados pela fundição Giácomo Crespi, na Itália, e instalados em 1972. Juntos, pesam quatro toneladas, e cada peça leva o nome de uma personalidade da história brasileira, como Dom Pedro I, Tiradentes e José Bonifácio.
Para chegar perto deles, é preciso encarar 154 degraus. Lá em cima, um pequeno museu conta a história da obra e expõe peças de arte sacra. Em 2010, a igreja foi escolhida em votação popular como uma das Sete Maravilhas do Brasil, o que ajuda a explicar por que ela aparece em praticamente todo cartão-postal da serra. À noite, um show de luzes pinta a fachada de pedra em diferentes cores entre 20h30 e 21h30.
- Altura da torre central: 65 metros, com duas torres laterais menores.
- Tempo de obra: 34 anos, de 1953 a 1987.
- Carrilhão: 12 sinos de bronze, 4 toneladas no total.
- Subida ao mirante: 154 degraus, sem elevador.
- Reconhecimento: uma das 7 Maravilhas do Brasil em 2010.

Conheça a cidade que cresceu ao pé da caneleira
Canela construiu sua identidade aos poucos, da árvore que virou nome ao templo de pedra que virou símbolo. Hoje é uma das cidades mais visitadas do Rio Grande do Sul, com mais de 40 mil habitantes e uma rotina que mistura turismo, fé e herança europeia em cada esquina.
Você precisa subir a serra e conhecer Canela para entender como uma parada de tropeiros virou um dos lugares mais fotografados do país.
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