Considerada um dos 7 pontos energéticos da Terra: a cidade de pedra a 1.440 metros de altitude no interior de Minas Gerais
A cidade de pedra entre os pontos energéticos da Terra
No alto da Serra das Letras, no sul de Minas Gerais, existe um lugar em que ruas, casas e igrejas são feitas da mesma rocha que sustenta a cidade. São Thomé das Letras nasceu de uma lenda do século XVIII, foi erguida sobre uma jazida de quartzito a 1.440 metros de altitude e virou um dos destinos místicos mais procurados do Brasil.
A lenda da carta impossível que deu nome à cidade
A história oficial começa em 1770. Segundo a tradição preservada pela Prefeitura Municipal de São Thomé das Letras, o escravo João Antão fugiu da fazenda do capitão João Francisco Junqueira e se escondeu em uma gruta no topo da serra. Lá teria aparecido um homem de vestes brancas que lhe entregou uma carta com caligrafia perfeita para levar ao antigo dono.
O detalhe que ninguém explicou até hoje: João Antão era analfabeto. Ao receber o bilhete escrito em português clássico, o capitão concedeu a alforria e mandou erguer uma capela ao lado da caverna. Dentro da gruta, foi encontrada uma imagem do apóstolo São Tomé esculpida em madeira.
O nome “das Letras” veio das inscrições rupestres em cor avermelhada gravadas na parte superior da gruta, atribuídas aos índios cataguases. A capital mística do sul mineiro foi elevada à condição de município em 1962, segundo a Câmara Municipal de São Thomé das Letras.

Uma montanha inteira de pedra com selo de origem
A cidade repousa sobre um depósito de quartzito de cerca de 80 km de extensão, formado no período neoproterozoico. A exploração começou na década de 1940, quando o geólogo Josiel Cerqueira Luz identificou a jazida embaixo do município inteiro. Desde então, a chamada pedra São Tomé reveste pisos, fachadas e bordas de piscina no Brasil e no exterior.
Em 2024, o quartzito recebeu o registro de Indicação Geográfica concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), reconhecimento oficial sobre a origem e a qualidade do material. A rocha é composta por cerca de 95% de quartzo recristalizado, característica que explica sua dureza e a propriedade de não reter calor sob o sol.
O centro histórico inteiro reflete essa identidade mineral. Casas, muros e calçadas são montados com lascas empilhadas sem argamassa, em um sistema de encaixe que lembra construções medievais. O conjunto foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG) em 1996. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário, conhecida como Igreja de Pedra e construída por escravizados no século XVIII, foi tombada individualmente em 1985.

Por que tantos místicos chamam o lugar de portal energético?
A fama vem de uma crença antiga: o vilarejo é apontado por esotéricos como um dos sete pontos energéticos da Terra, ou seja, um dos chacras do planeta. A explicação mais citada é justamente a composição mineral do solo, já que o quartzito funcionaria como condutor de energia, segundo relatos preservados pelo Instituto Estrada Real.
Some-se a isso décadas de relatos de luzes estranhas no céu noturno, fenômeno que transformou os mirantes da serra em ponto de encontro de ufólogos. A localização sobre a Serra da Mantiqueira, a divisa entre os biomas da Mata Atlântica e do Cerrado e o silêncio das noites estreladas completam o pacote que atrai espiritualistas o ano inteiro.
Entre os pontos mais visitados pelo público místico, destacam-se:
- Gruta de São Thomé: a caverna que deu origem à cidade, com as inscrições rupestres na parte superior. Visita rápida e gratuita.
- Casa da Pirâmide: construção de quartzito dos anos 1980, com janelas voltadas para constelações e o mirante mais disputado para o pôr do sol.
- Pedra da Bruxa: formação rochosa que lembra o perfil de uma feiticeira, com uma das vistas mais amplas da Mantiqueira.
- Ladeira do Amendoim: ponto em que carros em ponto morto parecem subir o aclive sozinhos, fenômeno atribuído à ilusão de ótica ou ao campo magnético das rochas.
Quem busca um destino com energia única, cachoeiras e muita natureza, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 249 mil visualizações, onde mostram um roteiro completo de 4 dias do que fazer na cidade mística de São Thomé das Letras, Minas Gerais:
A gruta que teria um túnel até Machu Picchu
A 6 km do centro, na estrada para São Bento Abade, fica a Gruta do Carimbado. A lenda local afirma que seu corredor estreito e revestido de argila levaria diretamente a Machu Picchu, no Peru, a cerca de 4 mil km de distância. Ninguém jamais chegou ao fim da caverna para confirmar.
Segundo a Sociedade Brasileira de Espeleologia, o canal tem 212 metros topográficos, é estreito e exige rastejar em vários trechos. Depois dos primeiros 100 metros, o ar diminui e o caminho se torna intransponível. A gruta segue parcialmente fechada por questões ambientais.
Outra figura cultuada por moradores é o lendário Chico Taquara, ermitão que teria controle sobre os animais e teria desaparecido dentro da caverna há décadas. Histórias como essa fazem do destino um daqueles lugares em que separar fato de folclore vira parte da viagem.
Quando ir e como é o clima em São Thomé das Letras
A altitude garante noites frescas o ano inteiro, com mínimas que podem cair abaixo de 5 °C no inverno. A melhor época para trilhas e cachoeiras vai de abril a setembro, quando as chuvas diminuem. As temperaturas médias variam ao longo do ano, conforme a tabela:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O destino fica a cerca de 320 km de Belo Horizonte e 350 km de São Paulo. O acesso mais comum é pela BR-381 até Três Corações, com o trecho final em estrada de terra que pede atenção em dias de chuva.
Suba a serra e descubra o lugar por conta própria
Cidade de pedra, refúgio esotérico e patrimônio mineral, São Thomé das Letras recebe mais de 500 mil visitantes por ano em um território de apenas 7 mil moradores. O conjunto de grutas, cachoeiras, lendas coloniais e céu estrelado cria uma experiência que poucos lugares no país conseguem oferecer.
Você precisa subir a serra, sentar na Casa da Pirâmide ao entardecer e sentir por que tanta gente chega para um fim de semana e demora para descer da montanha.
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