Como é passar um dia na Capital Nacional do Agroturismo, onde famílias de origem italiana abrem os sítios para o socol, o queijo e o café
O agroturismo aproxima visitantes das tradições e dos sabores do interior capixaba
Quando os primeiros produtores decidiram receber visitantes dentro dos sítios, ainda não havia palavra em português para aquilo, e a referência veio do agriturismo italiano. Quase quatro décadas depois, Venda Nova do Imigrante ganhou o primeiro distrito turístico do Espírito Santo, na região de Pindobas, para organizar o que nasceu na porteira das famílias.
Como a roça virou passeio em Venda Nova do Imigrante?
Com famílias rurais abrindo a rotina da propriedade para quem vinha de fora. Segundo a Prefeitura de Venda Nova do Imigrante, a atividade começou em 1987, quando o agroturismo nem tinha nome no país, e os primeiros empreendedores foram buscar informações na Itália, de onde veio a própria palavra.
A aposta virou identidade. O pioneirismo rendeu ao município o título de Capital Nacional do Agroturismo, conferido primeiro pela Associação Brasileira de Turismo Rural (Abratur) e oficializado pela Lei Federal nº 14.636, de 2023. Na época da lei, a atividade envolvia 70 propriedades, 300 famílias e cerca de 1.500 pessoas trabalhando diretamente no setor.

Os números de Pindobas e da herança italiana mostram como essa história segue viva:
O que muda com o Distrito Turístico de Pindobas?
A região ganhou reconhecimento formal para organizar um turismo que existia ali havia décadas. Em 9 de abril de 2026, o governo do Espírito Santo assinou o decreto que oficializa o Distrito Turístico de Pindobas, o primeiro do estado, conforme a notícia oficial da Prefeitura. O distrito é uma área de planejamento turístico dentro do município, e não uma nova cidade.
Hoje, o território reúne 19 empreendimentos, de restaurantes e pousadas a cafeterias e propriedades de agroturismo, acompanhados por um comitê gestor com prefeitura, Sebrae, Senac, Fecomércio e empreendedores locais. O plano de desenvolvimento prevê melhorias de infraestrutura, capacitação e sinalização turística, ações que ainda dependem de execução nos próximos anos.

Montando o dia entre sítios e montanhas
Estradas rurais, pequenas propriedades e um centro de comércio de produtos da roça formam o roteiro da cidade capixaba. Parte dos caminhos até os sítios é de terra, e as condições variam com a chuva.
Cada propriedade decide como e quando recebe visitantes, por isso o contato prévio faz diferença. A experiência não equivale a acesso livre a todas as fazendas, e algumas atividades funcionam só com reserva.
Paradas entre a cozinha e a serra
Estas são as experiências que resumem o agroturismo local:
- Região de Pindobas: circuito de propriedades e experiências rurais, com o Lago Negro e o Lago de Pindobas na paisagem. Combine a visita antes com cada empreendimento.
- Sítios de agroturismo: propriedades familiares que vendem o que produzem e recebem visitantes. Cada uma define horários e formas de acesso.
- Mirantes da serra: pontos com vista para vales e montanhas da região. O acesso depende das estradas locais.
- Centro da cidade: ruas de comércio com produtos tradicionais da roça, abertas durante o horário das lojas.
- Roteiros de cozinha rural: degustações e preparo de receitas em propriedades participantes, sempre mediante reserva.
Quem quer ver as paisagens antes de ir pode assistir ao vídeo do canal Boa Sorte Viajante, de Matheus Boa Sorte:
Quais sabores e memórias sustentam o agroturismo?
Os produtos da mesa contam a história dos imigrantes italianos. Nas visitas às propriedades aparecem o socol, embutido condimentado de carne de porco com selo de Indicação Geográfica, o queijo Resteia, de textura macia, a puína, uma ricota cremosa, a caponata de berinjela, o limoncello e o fubá de moinho de pedra, ao lado de café arábica, doces e geleias.
Em Pindobas, um dos territórios mais antigos do município, o passado divide espaço com a atividade atual. A Igreja de Nossa Senhora da Penha e o casarão da família Scabello são marcas históricas, enquanto a Casa Nostra, inaugurada em setembro de 2024, apresenta a imigração italiana com visita guiada, exposição e participação na cozinha.
Qual é a época mais seca em Venda Nova do Imigrante?
O período mais seco em Venda Nova do Imigrante vai de junho a agosto, quando a chuva média fica abaixo de 25 mm por mês e julho registra cerca de 15 mm. No verão, a situação se inverte, e dezembro concentra o maior volume do ano, perto de 229 mm.
Venda Nova do Imigrante em cada estação
As médias mostram dois climas bem diferentes ao longo do ano:
Faixas calculadas a partir das médias mensais da climatologia do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña, e as médias não substituem a previsão do dia.
A porteira que continua aberta
Nos sítios das montanhas capixabas, a mesa posta para o visitante ainda tem o queijo da casa, o embutido curado e o café colhido ali perto. O que mudou foi o mapa ao redor, que agora tem nome, comitê e reconhecimento oficial.
Quase quatro décadas depois das primeiras visitas, Venda Nova do Imigrante segue fazendo o que aquelas famílias inventaram: transformar a rotina da roça num motivo para alguém subir a serra.
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