Cidade sem motoristas: táxis robôs já circulam sozinhos levando passageiros para o trabalho sem ninguém no volante
450 mil corridas por semana sem ninguém no volante: os táxis-robôs já são rotina
O carro para na sua porta, as portas destravam pelo celular e o banco do motorista está vazio. Em Phoenix, no Arizona, isso não é cena de ficção científica. É uma terça-feira qualquer. A Waymo, subsidiária da Alphabet (dona do Google), opera o maior serviço de táxi autônomo do mundo e já acumulou mais de 200 milhões de km rodados sem ninguém ao volante.
De projeto do Google a frota de 2.500 carros
Tudo começou como um laboratório de carros autônomos dentro do Google em 2009. Em 2016, o projeto ganhou nome próprio e virou empresa. O primeiro serviço comercial aberto ao público foi lançado em Phoenix em 2020, numa cidade de ruas largas, trânsito previsível e pouca chuva. De lá para cá, a Waymo se espalhou para San Francisco, Los Angeles, Austin, Atlanta e Miami, com planos de chegar a Londres e Tóquio em 2026.

A frota hoje soma cerca de 2.500 veículos, a maioria Jaguar I-Pace elétricos equipados com 13 câmeras, 4 sensores lidar, 6 radares e microfones externos que captam sirenes e buzinas num raio de 500 metros. Uma fábrica em Mesa, no Arizona, converte os carros em robôtáxis. Detalhe curioso: os veículos dirigem sozinhos para fora da linha de montagem e podem pegar o primeiro passageiro em menos de 30 minutos.

Como é andar num carro sem motorista?
O passageiro abre o aplicativo, digita o destino e espera. Quando o Waymo chega, as portas se destravaram pelo aplicativo. Não há conversa fiada, não há gorjeta. O volante gira sozinho, o carro freia suavemente para pedestres e muda de faixa com fluidez. Os semáforos de Phoenix foram programados para priorizar pedestres por padrão, e o carro só avança quando sensores confirmam que a via está livre.
Quando algo foge do previsto, o sistema aciona uma central de assistência remota. Operadores veem pelas câmeras do veículo e traçam um caminho alternativo. O carro pode aceitar ou rejeitar a sugestão. Em depoimento ao Senado dos Estados Unidos em fevereiro de 2026, a Waymo confirmou que parte desses operadores trabalha nas Filipinas, o que gerou debate sobre supervisão e soberania tecnológica.
Quem tem curiosidade sobre o futuro da mobilidade, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Cassio Cortes, que conta com mais de 96 mil visualizações, onde Cassio Cortes experimenta um táxi 100% autônomo da Waymo pelas ruas de Los Angeles, nos Estados Unidos:
Os números que desafiam motoristas humanos
O argumento mais forte da Waymo é a segurança. Um estudo publicado no Traffic Injury Prevention Journal analisou 56,7 milhões de km rodados sem motorista e comparou os resultados com dados de motoristas humanos nas mesmas cidades e tipos de via. Os achados são expressivos: 81% menos colisões com feridos, 85% menos acidentes graves e 92% menos atropelamentos de pedestres em relação à média humana.
A ressalva importa: esses dados vêm da própria Waymo e de pesquisadores associados. A NHTSA, agência federal de segurança de tráfego dos Estados Unidos, registrou 1.429 incidentes envolvendo veículos Waymo desde 2021, incluindo duas fatalidades. O volume de dados ainda é pequeno para algumas categorias de acidente. Mesmo assim, a direção dos números é consistente: o robô erra menos que o humano nas condições em que opera hoje.

Leia também: 240 km sem mover o volante: a rodovia reta mais longa do mundo corta o maior deserto de areia da Terra
O que isso significa para o Uber e para quem dirige?
A Waymo não compete sozinha. Em Austin e Atlanta, os robôtáxis são chamados diretamente pelo aplicativo do Uber, numa parceria que permite ao passageiro escolher entre carro autônomo e motorista humano. O CEO do Uber, Dara Khosrowshahi, revelou em 2025 que os Waymos em Austin tinham mais corridas que 99% dos motoristas humanos da plataforma.
A conta é simples: um carro particular fica parado 95% do tempo. Um robôtáxi roda mais de 15 horas por dia. Com o custo por km caindo (a Waymo reduziu de US$ 1,50 para US$ 0,30 por milha entre 2019 e 2024), a tarifa se aproxima do que muitos pagam de gasolina e seguro. Em fevereiro de 2026, a empresa levantou US$ 16 bilhões numa rodada de investimento que avaliou a Waymo em US$ 126 bilhões, mais que a maioria das montadoras tradicionais.

O futuro já tem endereço
Phoenix foi o laboratório. Agora a meta é 1 milhão de corridas por semana até o fim de 2026, com expansão para mais de 20 cidades. O volante vazio, que parecia improvável há dez anos, virou parte da paisagem de uma cidade americana.
Se você tem curiosidade de saber como é confiar sua vida a um algoritmo, Phoenix é o lugar onde essa experiência já não exige coragem, só um aplicativo no celular.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)