Capital Nacional da Maçã por lei federal: a cidade mais alta de Santa Catarina onde a geada cobre os pomares quase todo dia no inverno
A geada cobre os pomares e muda a paisagem durante o inverno
No Brasil, frio costuma ser problema. Em São Joaquim, no planalto serrano de Santa Catarina, virou matéria-prima: é o rigor do inverno que dá doçura à maçã, estrutura ao vinho e razão para o turismo funcionar justamente quando o resto do país procura calor.
Por que São Joaquim recebeu o título de Capital Nacional da Maçã?
O reconhecimento veio por decisão do Congresso. A Lei nº 13.790, de 3 de janeiro de 2019 confere ao município catarinense o título de Capital Nacional da Maçã, em texto curto de dois artigos, sem contrapartidas ou condições.
O peso do título aparece na produção. Conforme a Rádio Senado, o município respondia por duas em cada dez maçãs que chegavam à mesa dos brasileiros na época da tramitação, e a cultura da macieira movimentava mais da metade da economia local, envolvendo desde pequenos produtores familiares até grandes empresas.

O que a altitude faz com a fruta e com o vinho?
A sede do município fica acima dos 1.350 metros, a maior altitude entre as sedes municipais catarinenses, e isso muda tudo na lavoura. A macieira precisa acumular horas de frio no inverno para florescer bem na primavera, exigência que quase nenhuma região brasileira consegue cumprir e que ali acontece naturalmente.
O mesmo princípio explica o segundo produto da cidade. Os vinhos de altitude aproveitam noites frias e amplitude térmica alta para retardar a maturação das uvas, o que preserva acidez e concentra aromas, num regime parecido com o de regiões vitivinícolas europeias. O resultado é uma paisagem de vinhedos e pomares em pleno Sul do Brasil, comparável à de outras cidades serranas do Sul marcadas pela colonização europeia.

O que protege as araucárias ao redor de São Joaquim
Existe uma unidade de conservação federal cuidando disso. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Parque Nacional de São Joaquim tem 49.300 hectares voltados sobretudo à proteção dos remanescentes de mata de araucárias, dentro do bioma Mata Atlântica.
A visita exige planejamento. O parque trabalha com agendamento prévio e retirada presencial da autorização na sede administrativa, em Urubici, e a visitação pode ser suspensa sem aviso em caso de vento forte, neve ou gelo na estrada de acesso. Nos fins de semana, feriados e alta temporada, a própria gestão recomenda evitar o intervalo entre 10h e 15h por causa da fila na portaria.

O que ver e fazer no alto da serra catarinense
O roteiro se divide entre estrada, pomar e taça, com distâncias curtas a partir do centro. Confira abaixo o que costuma organizar a viagem:
- Complexo dos Vinhedos: corredor de vinícolas de altitude ao longo da SC-114, com tours, degustações e restaurantes voltados para os parreirais.
- Parque Nacional de São Joaquim: campos de altitude, cânions e trilhas entre araucárias, com acesso controlado pelo ICMBio.
- Pomares de maçã: cercam a área urbana e mudam completamente de aspecto entre a florada, na primavera, e a colheita, no fim do verão.
- Festa Nacional da Maçã: principal evento do calendário local, realizada no parque de exposições do município.
- Mirantes da serra: pontos de estrada com vista para vales cobertos de neblina nas manhãs frias.
Quem quer conhecer o frio e os pomares de São Joaquim vai curtir esse vídeo do canal Fabi Cassol | Minha Praia Viajar, com mais de 616 mil visualizações, sobre um roteiro pela Serra Catarinense:
Como é o clima de São Joaquim ao longo do ano?
O município tem clima temperado oceânico, com chuva bem distribuída nos doze meses, verão fresco e inverno rigoroso para os padrões brasileiros. Veja abaixo como o tempo se comporta em São Joaquim durante o ano:
Comportamento sazonal com base na climatologia do Climatempo. As condições variam de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, e a neve depende de uma combinação rara de frio e umidade, então vale conferir a previsão atualizada antes de subir a serra.
Conheça a cidade que transformou o frio em economia
São Joaquim inverteu a lógica do turismo brasileiro sem precisar inventar nada: bastou aproveitar o que o resto do país não tem. O mesmo frio que obriga a lareira a ficar acesa boa parte do ano garante as horas de baixa temperatura que a macieira exige e a acidez que o vinho de altitude precisa.
Você precisa acordar cedo na serra catarinense, ver a geada cobrir os pomares antes do sol subir e entender por que o inverno virou o principal patrimônio econômico dessa cidade.
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