Capital Estadual do Barreado: a cidade do interior paranaense fundada em 1733 que guarda o passeio de trem mais espetacular do Brasil
Capital do Barreado com o passeio de trem mais espetacular do Brasil no Paraná
No fundo do vale entre a Serra do Mar e a Baía de Paranaguá, Morretes é o tipo de lugar que se revela em duas direções. Para o alto, as montanhas cobertas de Mata Atlântica preservada, atravessadas por uma ferrovia centenária. Para baixo, o rio Nhundiaquara cortando o centro histórico, com casarões coloniais e o cheiro do prato que virou identidade do Paraná. Fundada em 1733, a cidade reúne em poucos quilômetros gastronomia tradicional, ecoturismo e patrimônio tombado.
O que torna Morretes um destino único no Paraná?
A resposta tem dois eixos que se completam: a tradição secular do barreado e o trajeto de trem que desce a Serra do Mar. Em 2026, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou o projeto de lei que reconhece Morretes como Capital Estadual do Barreado, prato cozido por horas em panela de barro vedada com farinha e água, herança dos tropeiros do litoral paranaense que atravessa mais de 200 anos.
O centro histórico tem tombamento estadual pelo Patrimônio Cultural do Paraná, com igrejas centenárias, casarões coloniais, pontes de ferro e ruas de paralelepípedo às margens do rio Nhundiaquara. Foi por essas ruas que Dom Pedro II passou em 1880, e a casa onde o imperador se hospedou ainda existe, hoje no roteiro turístico oficial.
A maior atração da cidade, no entanto, começa em Curitiba. O passeio ferroviário da Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba, inaugurada em 1885, foi incluído na publicação de 2025 do guia Amazing Train Journeys, da editora britânica Lonely Planet, entre as 60 viagens de trem mais inesquecíveis do planeta, segundo o Governo do Paraná. O trajeto atravessa 41 pontes e 13 túneis em meio à maior área contínua de Mata Atlântica preservada do Brasil, antes de chegar ao centro de Morretes.

Vale a pena viver em Morretes?
A cidade tem perfil de destino tranquilo, com pouco mais de 16 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ritmo é o oposto do das grandes capitais: comércio voltado ao turismo, vizinhança que se conhece pelo nome e ruas estreitas onde o carro perde para a caminhada.
Quem mora encontra uma rotina marcada pela natureza preservada. Morretes abriga parte do Parque Estadual Pico do Marumbi, com 8.745 hectares administrados pelo Instituto Água e Terra (IAT), e parte do Parque Estadual da Graciosa, com mais 1.190 hectares de mata atlântica densa. Cachoeiras, rios de água cristalina e trilhas começam a poucos minutos do centro.
O custo de vida fica bem abaixo da média de Curitiba, a 70 km de distância. A infraestrutura urbana é modesta, e quem busca grandes serviços de saúde ou educação superior precisa recorrer à capital ou a Paranaguá. Em compensação, o ar limpo, o som do rio e o ritmo desacelerado fazem de Morretes um endereço procurado por aposentados e profissionais que trabalham remotamente.

O que fazer em Morretes entre serra, trilhas e cachaça?
O centro histórico, o trem e os parques estaduais formam o tripé do roteiro. Entre os principais pontos, destacam-se:
- Trem da Serra do Mar: viagem panorâmica de Curitiba a Morretes, operada pela Serra Verde Express, com cerca de 4 horas em meio à Mata Atlântica preservada.
- Centro histórico: casarões coloniais, igrejas tombadas, pontes de ferro e a Rua das Flores à beira do rio Nhundiaquara.
- Parque Estadual Pico do Marumbi: com o pico de 1.539 metros, conhecido como Olimpo, ponto preferido dos montanhistas paranaenses, gerido pelo IAT.
- Estrada da Graciosa: rodovia histórica em meio à mata, com mirantes, recantos e pontes centenárias.
- Ekôa Park: parque temático de natureza com 238 hectares de Mata Atlântica, criado em 2018, com tirolesa, arvorismo e bolha humana.
- Rio Nhundiaquara: cenário do boia-cross e dos passeios de caiaque que atravessam o centro histórico.
A gastronomia local tem o barreado como protagonista, mas também guarda outras tradições. Entre os pratos e produtos que valem a parada, destacam-se:
- Barreado: carne cozida lentamente em panela de barro vedada, servida com farinha de mandioca, banana-da-terra e arroz, prato oficial da cidade.
- Camarão ao molho com palmito pupunha: clássico que une o sabor do litoral com o palmito típico da região.
- Cachaça artesanal: alambiques tradicionais da região da Serra do Mar oferecem visitas guiadas e degustação.
- Balas de banana: doces tradicionais herdados das fazendas do litoral, vendidos por toda a Rua das Flores.
Quem sonha em fazer a linha do trem mais bonito do Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Lactea, que conta com mais de 155 mil visualizações, onde Lactea mostra a culinária do barreado e a viagem pelo trem da Serra Verde Express até Morretes, Paraná:
Quando o clima favorece a visita a Morretes?
O município tem clima subtropical úmido, com chuvas distribuídas o ano todo e umidade alta puxada pela Serra do Mar. A tabela a seguir resume as estações:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O inverno costuma ser a melhor janela para o passeio de trem e as trilhas no Marumbi, com céu mais aberto e menos risco de bloqueios na ferrovia. No verão, as chuvas frequentes da Serra do Mar enchem as cachoeiras, mas podem fechar o visual da viagem ferroviária.
Como chegar à cidade do barreado?
O acesso mais comum parte de Curitiba, a 70 km de distância. Há três caminhos principais: o trem turístico da Serra Verde Express, que sai da Rodoferroviária da capital, a histórica Estrada da Graciosa (PR-410), com mirantes e trecho em paralelepípedo, e a BR-277, mais rápida e plana. Quem vem do litoral acessa a cidade pela BR-277 ou pela PR-408, partindo de Paranaguá, a 18 km. O aeroporto mais próximo é o Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais.
Conheça a cidade que cresceu entre a serra e o barreado
Poucos destinos brasileiros conseguem unir uma ferrovia de 1885, uma serra coberta de Mata Atlântica preservada e um prato com mais de 200 anos no mesmo endereço. Morretes é o tipo de cidade onde a história não está só nos casarões, mas também na panela de barro lacrada e no apito do trem que desce a serra.
Você precisa descer a Serra do Mar e conhecer Morretes, a cidade onde o tempo passa no compasso do rio e o barreado leva o dia inteiro para ficar pronto.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)