Batizada pelo ouro que saía preto dos riachos: a ex-capital mineira onde turistas entram em minas de ouro escondidas no centro histórico
Minas abertas à visitação revelam um lado subterrâneo do centro histórico
Poucas cidades do mundo ganharam nome por causa da cor de um metal. Em Ouro Preto, nas montanhas de Minas Gerais, as pepitas achadas nos riachos no fim do século XVII saíam escuras, cobertas por uma fina camada de ferro. Hoje, a antiga capital mineira reúne minas de ouro abertas à visita, universidade federal e natureza ao redor do centro histórico.
Por que o ouro da cidade saía preto?
O ouro saía preto porque as pepitas vinham envolvidas por uma película fina de óxido de ferro, uma espécie de ferrugem natural. De acordo com um artigo da revista Geonomos, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pesquisadores da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e da Universidade de Mainz, na Alemanha, comprovaram essa explicação em 1985. Eles usaram a microssonda, um aparelho que analisa a composição de grãos muito pequenos.
Os rios da região carregam muita hematita, um mineral rico em ferro, e o contato constante com essa água escureceu o ouro ao longo do tempo. Os primeiros achados, por volta de 1693, provocaram uma migração enorme em direção às montanhas. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) descreve a cidade como o centro da corrida do ouro e da chamada idade de ouro do Brasil no século XVIII.

A cidade que vira capital de Minas um dia por ano
Todo 21 de abril, a capital mineira muda de endereço de forma simbólica. Segundo a Agência Minas, o governo do estado transfere a sede para Ouro Preto durante a entrega da Medalha da Inconfidência, cerimônia que começa na Praça Tiradentes e relembra o papel da cidade como antiga capital.
Esse papel durou quase dois séculos. A antiga Vila Rica comandou Minas de 1720 a 1897, quando o governo passou para Belo Horizonte. Em 5 de setembro de 1980, a cidade se tornou o primeiro bem cultural brasileiro inscrito na Lista do Patrimônio Mundial, conforme o Tribunal de Contas da União (TCU). O título reconhece igrejas, pontes e chafarizes erguidos com a riqueza do ouro, além das obras do escultor Aleijadinho.
Quais minas de ouro dá para visitar no centro histórico?
As principais ficam no próprio Centro Histórico. De acordo com o guia do Melhores Destinos, o visitante pode conhecer a Mina do Chico Rei, a Mina Jejê, a Mina du Veloso e a Mina de Santa Rita, antigas áreas de extração hoje abertas a passeios pelas galerias.
Fora da área central, no caminho para Mariana, a Mina da Passagem tem outro perfil. É a única mina industrial da região aberta à visitação e permite até a prática de mergulho no interior. A visita a Mariana pode incluir ainda o passeio de trem entre as duas cidades.

Como é viver em Ouro Preto, a cidade universitária do ouro?
A rotina mistura vida de estudante com indicadores sociais acima da média do país. No Índice de Progresso Social (IPS Brasil) de 2026, Ouro Preto somou 66,80 pontos e ficou em 378º lugar entre os 5.570 municípios, à frente da média nacional de 63,40. O resultado põe a cidade entre os 7% mais bem avaliados do país.
Boa parte desse ritmo vem da UFOP, criada a partir de duas escolas centenárias. A Escola de Farmácia, de 1839, foi a primeira do Brasil e da América Latina dedicada só à formação de farmacêuticos, conforme o Conselho Federal de Farmácia (CFF). A Escola de Minas nasceu em 1876, fundada pelo mineralogista francês Claude Henri Gorceix a pedido de Dom Pedro II.
Esse passado aparece no Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas, instalado em um prédio projetado por Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, segundo o Melhores Destinos. O acervo guarda um topázio de 180 gramas encontrado no distrito de Antônio Pereira. No Quadrilátero Ferrífero, região de cerca de 7 mil km² rica em ferro e ouro, essa pedra só aparece dentro do município.
Quem busca mergulhar na história e no charme de Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Tesouros do Brasil, que conta com mais de 240 mil visualizações, onde João Vitor e Bruno mostram os encantos e igrejas de Ouro Preto:
Um pico de 1.772 metros e um vilarejo premiado pela hospitalidade
O ponto mais alto da paisagem é o Pico do Itacolomi, formação rochosa de 1.772 metros entre Ouro Preto e Mariana, segundo artigo da revista Temporalidades, da UFMG. O pico fica no Parque Estadual do Itacolomi, que voltou a receber o público em 2026 depois de cerca de três anos fechado, com estruturas revitalizadas e novos serviços de ecoturismo, de acordo com a Agência Minas.
Em outro canto do município, o distrito de Lavras Novas ficou em 7º lugar entre as regiões mais acolhedoras do Brasil no Travellers Review Awards 2021, do Booking.com, conforme a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult).
Como é o clima de Ouro Preto ao longo do ano?
Ouro Preto tem verões chuvosos e invernos secos, com máximas médias de até 26°C. Julho é o mês mais frio e seco, enquanto dezembro concentra a maior chuva, com média de 370 mm:
Temperaturas aproximadas com base nas médias de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña, por isso vale conferir a previsão atualizada antes da viagem.
O ouro escuro que ainda guia a cidade
Ouro Preto transformou a cor de um metal em identidade. A cerca de 100 km de Belo Horizonte, a cidade junta galerias subterrâneas, ladeiras de pedra, vida universitária e trilhas na serra em um mesmo roteiro.
Você precisa subir as ladeiras de Ouro Preto e entrar em uma das antigas minas para entender como uma pedra escura mudou o rumo de Minas Gerais.
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