Apontada pela Newsweek entre nove tecnópoles do mundo: a cidade do Agreste paraibano que virou o Vale do Silício brasileiro a 551 metros de altitude
Universidades ajudaram a criar um ambiente favorável à inovação
Cidade de tecnologia costuma ser imaginada perto de porto, aeroporto internacional ou capital. Campina Grande, a 130 km de João Pessoa, contraria o roteiro: fica no Agreste da Paraíba, a 551 metros de altitude, e exporta software há décadas. O apelido de Piatã brasileiro veio de fora, de uma revista americana.
Por que a cidade ficou conhecida como o Vale do Silício brasileiro?
O apelido nasceu de uma reportagem internacional. Em abril de 2001, a revista Newsweek escolheu nove tecnópoles mundiais que representariam uma nova visão para a tecnologia, e a cidade paraibana foi a única da América Latina na lista, conforme registra a própria Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Dois anos depois, a mesma publicação voltou ao assunto e cravou a comparação com o vale californiano.
A história é bem mais antiga que a onda de startups brasileiras. Em 1968, o campus local recebeu o primeiro computador do Norte e do Nordeste, um IBM 1130 que era um dos cinco então existentes no país. Daquela base saíram engenheiros e cientistas da computação que hoje sustentam o setor de software da cidade.

A universidade que virou motor econômico do agreste
A UFCG foi criada pela Lei 10.419, de 9 de abril de 2002, quando se desmembrou da Universidade Federal da Paraíba, mas suas raízes estão na Escola Politécnica de Campina Grande, de 1952, segundo o portal da UFCG. A estrutura se espalhou por sete campi e transformou a segunda maior cidade paraibana em destino de quem vem estudar engenharia elétrica e computação.
O efeito prático aparece na rotina urbana. Laboratórios ligados à universidade e à Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) alimentam empresas de software que atendem clientes de outros estados e países, em uma cidade de interior onde o deslocamento entre casa e trabalho raramente passa de vinte minutos.

O que fazer na cidade fora do período junino
O visitante que chega em qualquer outro mês encontra uma cidade de praças, museus e feira antiga, organizada ao redor de um espelho d’água no centro. As atrações principais ficam próximas entre si, conforme a Prefeitura de Campina Grande:
- Açude Velho: o cartão-postal da cidade, com calçadão para caminhada, restaurantes no entorno e iluminação temática em algumas épocas do ano.
- Museu de Arte Popular da Paraíba: apelidado de Museu dos Três Pandeiros, foi projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 2012, com três estruturas circulares avançando sobre a água do açude.
- Parque do Povo: área aberta que recebe shows e grandes eventos ao longo do ano, além da programação junina que deu fama nacional à cidade.
- Vila do Artesão: conjunto de lojas de artesanato paraibano administrado pela prefeitura, com música ao vivo aos sábados.
- Feira Central: mercado tradicional onde se encontram cordel, redes, temperos e comida típica, bom retrato do comércio que fez a cidade crescer.
Quem quer conhecer as tradições da Paraíba, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Fabi Cassol | Minha Praia Viajar, que conta com mais de 88 mil visualizações, onde Fabi Cassol mostra as principais atrações de Campina Grande:
Como é o clima de Campina Grande ao longo do ano
A altitude explica a diferença em relação ao litoral e ao sertão vizinhos: as máximas raramente passam dos 30°C e as noites pedem uma blusa leve em boa parte do ano. As chuvas se concentram no meio do calendário, ao contrário do que acontece no Sudeste:
Temperaturas aproximadas. As condições podem variar de um ano para o outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, e vale conferir a previsão atualizada no Climatempo.
O interior nordestino que apostou em tecnologia antes de todo mundo
Campina Grande mostra que setor de software não depende de litoral nem de metrópole. A cidade juntou universidade forte, clima ameno e custo de vida de interior, e construiu uma economia que emprega engenheiro e artesão na mesma rua.
Você precisa subir o agreste e conhecer Campina Grande, a cidade onde o Nordeste escreve código sem perder o cordel.
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