A vila amazônica fundada em 1626 com 6 mil moradores tem a praia de água doce eleita a mais bonita do mundo pelo The Guardian

17.04.2026

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A vila amazônica fundada em 1626 com 6 mil moradores tem a praia de água doce eleita a mais bonita do mundo pelo The Guardian

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A vila amazônica fundada em 1626 com 6 mil moradores tem a praia de água doce eleita a mais bonita do mundo pelo The Guardian

Praia de água doce eleita a mais bonita do mundo pelo The Guardian

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A vila amazônica fundada em 1626 com 6 mil moradores tem a praia de água doce eleita a mais bonita do mundo pelo The Guardian
Alter do Chão destaca-se como o "Caribe Amazônico", oferecendo areia branca e águas azul-turquesa no Rio Tapajós // IMAGEM ILUSTRATIVA

Na margem direita do Rio Tapajós, a 37 km de Santarém, a vila de Alter do Chão recebe os visitantes com areia branca, água azul-turquesa e o cheiro de peixe assado nas barracas de palha. A antiga aldeia indígena fundada em 1626 por portugueses hoje carrega o apelido de Caribe Amazônico e tem cerca de 6 mil moradores.

Por que o The Guardian elegeu essa praia a mais bonita do mundo?

Em 2009, o jornal britânico The Guardian colocou Alter do Chão entre as dez praias mais bonitas do Brasil e apontou a vila como a detentora da praia de água doce mais bela do planeta. O reconhecimento mudou o ritmo do destino, antes frequentado quase só por moradores de Santarém.

A explicação está no Rio Tapajós. Diferente do Amazonas, que carrega sedimentos, o Tapajós tem águas claras e ácidas, com tom esverdeado que vira azul-turquesa em Alter do Chão. Quando o nível do rio baixa, entre agosto e dezembro, surgem extensas faixas de areia branca fina no meio da floresta.

O Caribe amazônico não está sempre lá, mas vale a espera - Por idobi / Wikimedia Commons
Alter do Chão destaca-se como o “Caribe Amazônico” no oeste do Pará, com faixas de areia branca que surgem no meio da floresta // Créditos: Wikimedia Commons

Quatro séculos de história indígena e portuguesa

A região era habitada pelos índios Borari, catequizados por jesuítas nos séculos XVII e XVIII. Em 6 de março de 1626, o português Pedro Teixeira fundou o povoado e homenageou a vila medieval de Alter do Chão, no Alentejo, em Portugal. Em 1758, foi elevada à categoria de vila pelo governador do Grão-Pará.

A herança indígena segue viva na Festa do Sairé, celebração centenária que mistura rituais católicos com tradições Borari e reúne mais de 100 mil pessoas em setembro. Desde 2022, Alter do Chão é Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará.

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Alter do Chão oferece o cenário de águas cristalinas que integra a cultura paraense ao coração do território nacional // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Leia também: A cidade mais alta do Brasil, onde o frio e a arquitetura alpina a mais de 1.600 metros de altitude atraem visitantes o ano inteiro

O que fazer em Alter do Chão?

Na estação seca, a vila se transforma em destino de praia com ares de Caribe. Na cheia, a paisagem vira floresta alagada e navegável. Cada época oferece um roteiro diferente:

  • Ilha do Amor: cartão-postal de Alter do Chão, banco de areia branca que emerge em frente à vila na vazante. A travessia é feita em catraias a remo em cinco minutos.
  • Lago Verde: lagoa atrás da Ilha do Amor que vira Floresta Encantada durante a cheia, com passeios de canoa entre copas de árvores alagadas.
  • Floresta Nacional do Tapajós: unidade de conservação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) com 527 mil hectares, trilhas por samaúmas centenárias e visitas à comunidade de Jamaraquá.
  • Serra da Piroca: trilha curta e íngreme até 110 metros de altura, com vista 360 graus do rio, do lago e da floresta.
  • Ponta do Cururu: dunas de areia onde se acompanha o pôr do sol acompanhado de botos cor-de-rosa.
  • Encontro das Águas: fenômeno visível em Santarém, onde o azul do Tapajós se encontra com o barrento do Amazonas sem se misturar.

A cozinha da região vale o roteiro paralelo. Nos restaurantes da orla e das barracas da Ilha do Amor, os sabores amazônicos dominam o cardápio:

  • Tacacá: caldo quente de tucupi, goma de mandioca, camarão seco e jambu, servido em cuia.
  • Pirarucu na brasa: peixe amazônico gigante preparado na grelha, servido com farofa de banana.
  • Caldeirada de tucunaré: prato clássico dos ribeirinhos, feito com peixe fresco do Tapajós e leite de coco.
  • Açaí puro na cuia: consumido sem açúcar e acompanhado de farinha, no estilo paraense tradicional.

Quem planeja viajar para o Pará, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 64 mil visualizações, onde o casal de apresentadores mostra um guia completo com preços e dicas de passeios em Alter do Chão:

Qual a melhor época para visitar Alter do Chão?

O regime das águas dita o turismo. Entre agosto e dezembro é o verão amazônico, quando as praias aparecem. De fevereiro a junho, a cheia transforma a paisagem em floresta navegável.

Verão Amazônico
24°C a 33°C
A grande alta temporada! Com as chuvas em baixa, as praias de rio aparecem. Época perfeita para a Ilha do Amor e o badalado Festival do Sairé.
⭐ Festival do Sairé / Seco
Transição
24°C a 32°C
As águas começam a subir levemente e as chuvas entram na média. Ainda é uma excelente janela com praias visíveis e um inesquecível pôr do sol.
☁️ Chuva Média
Cheia
23°C a 31°C
As chuvas fortes elevam o nível do rio, submergindo a areia. A paisagem se transforma em uma verdadeira Floresta Encantada para se explorar em canoa.
💧 Chuva Alta / Cheia
Transição Seca
23°C a 32°C
As chuvas dão uma trégua e as águas baixam lentamente. É um período agradável e exuberante para focar nas fantásticas trilhas na Flona Tapajós.
☁️ Chuva Média

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo (Santarém, cidade-base). Condições podem variar.

Como chegar a Alter do Chão

O acesso é feito pelo Aeroporto Internacional de Santarém Maestro Wilson Fonseca, com voos diretos de Belém, Brasília e Manaus. De Santarém, a vila fica a 37 km pela rodovia estadual PA-457 (Everaldo Martins), toda pavimentada, em cerca de 40 minutos de carro.

Ônibus urbanos partem a cada meia hora de Santarém. Quem tem tempo pode chegar à região de barco pelo Rio Amazonas a partir de Belém ou Manaus, em viagens que duram de um a dois dias e meio.

Leia também: Eleita 10 vezes consecutivas a melhor praia do Brasil, essa vila tem aquários naturais entre corais e nome com origem sombria

Um refúgio amazônico que se reinventa o ano inteiro

Poucos destinos do Brasil mudam tanto entre uma estação e outra. Alter do Chão entrega dois lugares diferentes no mesmo endereço: praia de areia branca no verão, floresta alagada no inverno. É a Amazônia no seu estado mais surpreendente.

Você precisa atravessar o Tapajós de catraia e conhecer Alter do Chão para entender por que essa vila de 400 anos virou o Caribe de água doce mais cobiçado do Brasil.

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