A primeira cidade de colonização italiana do Brasil, fundada em 1875, produz 80% das uvas e vinhos do estado e preserva 40% de Mata Atlântica
A herança italiana segue viva na cultura, na arquitetura e na produção local
Algumas cidades preservam a memória dos imigrantes apenas em festas e monumentos. Santa Teresa, no Espírito Santo, mantém essa herança nas casas, nos vinhedos, na comida e nas pequenas propriedades rurais. Reconhecida como a primeira cidade de colonização italiana do Brasil, ela ainda guarda cerca de 40% do território coberto por Mata Atlântica.
Por que Santa Teresa é chamada de primeira cidade de colonização italiana do Brasil?
Santa Teresa recebeu famílias italianas a partir de 1875, quando parte dos imigrantes levados à antiga Colônia de Santa Leopoldina seguiu para a região de Timbuí. O Portal Oficial do Turismo de Santa Teresa apresenta o município como a primeira cidade de colonização italiana do país.
A marca também foi reconhecida em nível nacional. A Prefeitura de Santa Teresa registra o processo que levou ao reconhecimento do município como pioneiro da imigração italiana no Brasil.
Essa origem continua visível no centro histórico, nas igrejas, nos nomes das famílias, nas festas e nas receitas. Massas, polenta, embutidos, vinhos e doces artesanais aparecem tanto nos restaurantes quanto nas propriedades rurais.

Como uma pequena cidade produz 80% das uvas e dos vinhos do estado?
Santa Teresa concentra cerca de 80% da produção de uva e vinho do Espírito Santo. A página oficial sobre produção de uva e vinho da Prefeitura informa que o município cultiva aproximadamente 50 hectares de videiras e produz mais de 700 toneladas de uva por ano.
Entre as variedades cultivadas aparecem Niágara Rosada, Isabel, Violeta, Lorena, Moscatel, Bordô e Cabernet Sauvignon. Parte da produção vira vinho, suco, geleia e outros produtos vendidos diretamente aos visitantes.
As vinícolas se espalham por circuitos rurais e ajudam a manter renda em pequenas propriedades. O passeio costuma incluir degustação, compra de produtos locais e contato com famílias que trabalham com a uva há gerações.

Por que Santa Teresa é conhecida como Terra dos Beija-flores?
O apelido está ligado à biodiversidade e ao trabalho do naturalista Augusto Ruschi, nascido em Santa Teresa em 1915. O Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) destaca suas pesquisas sobre beija-flores e orquídeas, além da defesa da conservação ambiental.
Ruschi fundou em 1949 o Museu de Biologia Professor Mello Leitão, que hoje integra o INMA. O espaço reúne jardins, viveiros, coleções científicas e áreas de Mata Atlântica no centro da cidade.
Em 2023, o museu alcançou a marca de 100 mil visitantes, conforme o INMA. O número mostra como ciência, turismo e memória ambiental se encontraram em um dos principais atrativos locais.
O que fazer em Santa Teresa além das vinícolas?
A cidade oferece museus, casarões, igrejas, cachoeiras, mirantes e circuitos rurais. Como os pontos ficam espalhados entre o centro e as montanhas, o melhor roteiro combina um dia urbano com outro dedicado às estradas do interior.
Veja abaixo alguns lugares que ajudam a entender Santa Teresa:
- Museu de Biologia Professor Mello Leitão: parque zoobotânico ligado à história de Augusto Ruschi e à conservação da Mata Atlântica.
- Rua do Lazer: trecho central com restaurantes, cafés, bares e movimento maior nos fins de semana.
- Casa Lambert: construção associada às primeiras famílias italianas e à formação histórica do município.
- Circuito Caravaggio: rota com capela de 1912, mirantes, vinícolas, restaurantes e pequenas agroindústrias.
- Vale do Canaã: paisagem rural ligada ao livro homônimo de Graça Aranha, com propriedades, montanhas e áreas de mata.
- Reserva Biológica Augusto Ruschi: unidade de conservação voltada à proteção da Mata Atlântica e de espécies da região serrana.
O Turismo Oficial do Espírito Santo também destaca trilhas, cachoeiras, observação de aves, gastronomia e propriedades familiares entre as principais experiências da cidade.
Quem quer se encantar pela cultura da imigração italiana e as belezas das montanhas capixabas, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 990 mil visualizações, onde Mateus Boa Sorte mostra o roteiro essencial com dicas de vinícolas, sustentabilidade rural e a gastronomia afetiva de Santa Teresa, no Esprito Santo:
Como é o clima de Santa Teresa durante o ano?
Santa Teresa tem temperaturas mais amenas que o litoral capixaba, sobretudo durante o inverno. Julho registra médias entre 15°C e 23°C, enquanto janeiro costuma variar entre 21°C e 29°C.
Veja abaixo como cada estação muda o passeio:
Temperaturas aproximadas com base na climatologia de Santa Teresa no Climatempo. Novembro e dezembro são os meses mais chuvosos, enquanto junho, julho e agosto apresentam volumes menores.
Como chegar saindo de Vitória?
Santa Teresa fica a aproximadamente 80 km de Vitória. O trajeto de carro costuma levar cerca de uma hora e meia, dependendo das condições das rodovias e do movimento.
Quem chega pelo Aeroporto de Vitória pode seguir de carro alugado, transfer ou ônibus. Ter veículo próprio facilita a visita aos circuitos rurais, já que vinícolas, cachoeiras, mirantes e propriedades ficam fora do centro.
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Uma cidade onde a imigração ainda está viva
Santa Teresa reúne uma história rara, produção de vinho, ciência e Mata Atlântica no mesmo território. A influência italiana não ficou presa ao passado, porque continua presente na paisagem, na comida e no trabalho das famílias.
Você precisa conhecer a cidade com calma, provar os produtos locais e observar como vinhedos, beija-flores e antigas tradições ainda dividem as montanhas capixabas.
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