A maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo fica nesta cidade amazônica cercada por uma floresta nacional de mais de 400 mil hectares
Mineração em escala mundial e biodiversidade amazônica convivem em um território que transformou também a história de uma cidade inteira.
Uma mina gigantesca, cercada por floresta amazônica, ajudou a transformar um antigo povoado em uma das cidades que mais cresceram no sudeste do Pará. Com 305.771 habitantes estimados em 2025, Parauapebas reúne o complexo mineral de Carajás e uma extensa área protegida federal marcada por biodiversidade, cavernas e vegetação de canga.
Por que a maior mina de ferro a céu aberto do mundo fica em Parauapebas?
O complexo Carajás/Serra Norte, operado pela Vale em Parauapebas, é descrito pela companhia, pela NASA e por órgãos públicos como a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo. A operação comercial começou em 1985, após a descoberta das jazidas em 1967.
O minério segue pela Estrada de Ferro Carajás até o Maranhão. O Plano de Manejo da Floresta Nacional de Carajás identifica o mirante de N4 como ponto de observação da maior mina de ferro a céu aberto do mundo.

Como a mineração fez Parauapebas crescer?
A própria origem urbana está ligada ao Projeto Ferro Carajás. O povoado de Rio Verde cresceu aos pés da serra com a chegada de trabalhadores, comércio e serviços, até o movimento que levou à emancipação de Parauapebas de Marabá em 1988.
O município tinha 267.836 habitantes no Censo de 2022 e chegou a 305.771 em 2025. A trajetória de Parauapebas mostra como mineração, migração e urbanização ficaram conectadas.
Quatro marcos ajudam a dimensionar essa transformação:
A Floresta Nacional de Carajás realmente passa de 400 mil hectares?
O decreto federal que criou a Floresta Nacional de Carajás, em 1998, definiu 411.948,87 hectares, número repetido em documento do ICMBio publicado em 2025. Por essa referência legal e administrativa, a unidade supera 400 mil hectares.
Há diferença entre bases oficiais: a página cadastral atual do ICMBio informa 391.263,04 hectares. Assim, os 411,9 mil hectares correspondem à área do decreto de criação e continuam aparecendo em documentos institucionais recentes.
Como mineração e conservação coexistem no mesmo território?
A Flona de Carajás é uma unidade de conservação de uso sustentável, categoria que admite atividades econômicas sob regras ambientais. O decreto de criação incorporou a mineração existente, enquanto o ICMBio administra conservação, pesquisa, monitoramento e uso público.
O contraste é concreto: abrir uma cava remove os ambientes daquela área, enquanto a gestão busca manter amostras representativas da floresta e da vegetação de canga. O ICMBio trata essa compatibilização entre exploração mineral e biodiversidade como desafio permanente.
Três elementos mostram o tamanho dessa conciliação:
O que existe na Floresta de Carajás além das minas?
A unidade abriga floresta amazônica, campos rupestres ferruginosos, cavernas, rios e espécies raras. O ICMBio mantém pesquisas envolvendo gavião-real e arara-azul-grande, além de programas de observação de aves, educação ambiental e monitoramento.
Cavidades ferruginosas preservam vestígios arqueológicos de ocupação humana com cerca de 9 mil anos. Trilhas, cachoeiras e visitação autorizada mostram que Carajás reúne patrimônio biológico, geológico e arqueológico além da atividade mineral.
O que esse contraste representa para Parauapebas?
Parauapebas não teria a escala atual sem Carajás, mas sua história também mostra o desafio de depender de uma atividade mineral inserida numa região ambientalmente excepcional. Crescimento urbano, empregos e arrecadação convivem com pressões sobre território e biodiversidade.
Há ainda uma distinção importante: a mina de Serra Norte fica em Parauapebas, enquanto o complexo S11D, também associado a Carajás, está em Canaã dos Carajás. Separar essas operações evita tratar toda a província mineral como se estivesse dentro de um único município.
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