A maior cidade de Santa Catarina recebeu a única escola de Bolshoi fora da Rússia em 224 anos e sedia o maior festival de dança do planeta
Única escola do Bolshoi fora da Rússia e o maior festival de dança do mundo em Santa Catarina
Fundada em 1851 com a chegada de 118 imigrantes europeus, Joinville guarda no norte catarinense a única filial da Escola do Teatro Bolshoi fora da Rússia e sedia, todo julho, o maior festival de dança do planeta segundo o Guinness World Records. A maior cidade de Santa Catarina também ocupa o 5º lugar nacional em qualidade de vida entre os grandes municípios fora das capitais.
A cidade que nasceu do dote de uma princesa
A história começa em um casamento real. Em 1843, a princesa Francisca Carolina de Bragança, irmã de Dom Pedro II, casou-se com o príncipe francês François Ferdinand de Orléans, o Príncipe de Joinville. O dote incluía 25 léguas quadradas de terras no norte catarinense que o casal jamais visitou.
Parte da área foi vendida à Sociedade Colonizadora de Hamburgo, e em 9 de março de 1851, a barca Colon desembarcou os primeiros 118 colonos alemães, suíços e noruegueses às margens do rio Cachoeira. A colônia recebeu o nome de Joinville em homenagem ao título nobiliárquico do príncipe que nunca pisou nas terras. Entre 1850 e 1888, a região recebeu cerca de 17 mil imigrantes europeus.
O legado fundou a cidade e definiu sua vocação. O traçado tem palmeiras imperiais plantadas em 1873 com sementes vindas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, casarões enxaimel e uma indústria que rendeu o apelido de Manchester Catarinense. Multinacionais como WEG, Tigre, Embraco e Whirlpool nasceram ou se instalaram no parque industrial mais robusto de Santa Catarina.

Vale a pena viver na Cidade dos Príncipes?
Sim, e os rankings nacionais sustentam a resposta. O município ocupa a 5ª posição entre cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes, excluindo capitais, no Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2025, elaborado pelo Instituto Imazon. No ranking estadual, é a quinta entre as cidades de Santa Catarina avaliadas.
O município aparece em 22º lugar no levantamento Desafios da Gestão Municipal 2024, da consultoria Macroplan, com nota 0,681 entre as 100 maiores cidades do país. Em outra avaliação compartilhada pela Prefeitura de Joinville, o município figura em 7º lugar no ranking das cidades mais organizadas do Brasil, com dados de urbanismo, infraestrutura, mobilidade e desenvolvimento sustentável.
O perfil urbano explica os números. Entre os pontos que reforçam a vida na maior cidade catarinense:
- Polo econômico do Sul do Brasil: maior PIB de Santa Catarina, com forte presença de indústrias metalmecânica, têxtil, alimentícia e tecnológica.
- Hub de inovação consolidado: figura entre as 10 cidades brasileiras com melhor ambiente para startups, segundo levantamentos do setor.
- Mobilidade urbana ativa: ciclovias e tradição como “Cidade das Bicicletas”, apelido que vem dos anos 1970, quando uma fábrica local empregava 4 mil operários ciclistas.
- Saúde com reconhecimento internacional: o programa Joinvasc, voltado ao tratamento de AVC, foi eleito programa mundial de Valor em Saúde em 2021.
- Polo universitário regional: presença da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).
Os apelidos contam parte do que é viver no norte catarinense: Cidade dos Príncipes, Cidade das Flores, Cidade da Dança e Manchester Catarinense, todos coexistindo em uma cidade de pouco mais de 600 mil habitantes.

Reconhecimento internacional que veio de Moscou
O capítulo internacional mais raro da cidade começou em 15 de março de 2000. Foi quando a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil abriu suas portas, marcando a primeira vez em 224 anos de história que a instituição russa, fundada em 1776, cedeu seu método de ensino para outro país.
A formação é totalmente gratuita, dura oito anos e inclui uniformes, sapatilhas, alimentação e assistência médica. Segundo o portal oficial Visite Joinville, a escola já formou mais de 500 bailarinos que atuam em companhias de 29 países. A sede fica anexa ao Centreventos Cau Hansen, no centro da cidade, e recebe visitantes em horários agendados.
No mesmo espaço acontece, todo mês de julho, o Festival de Dança de Joinville, reconhecido pelo Guinness World Records desde 2005 como o maior do mundo em número de participantes. A edição de 2025 reuniu 15 mil bailarinos inscritos e público superior a 200 mil pessoas em cerca de duas semanas. O título federal de Capital Nacional da Dança foi oficializado pela Lei Federal nº 13.314, de 2016.
O que fazer na Capital Nacional da Dança
O roteiro joinvilense mistura herança alemã, cultura, natureza e indústria em distâncias caminháveis no centro. Quem tem mais tempo pode esticar o passeio até a Estrada Bonita, em Pirabeiraba, onde a tradição rural alemã se mistura à Mata Atlântica.
Entre os pontos imperdíveis para quem visita pela primeira vez a maior cidade catarinense:
- Escola do Teatro Bolshoi: única filial da instituição russa fora da Rússia, com visitas guiadas que mostram salas de aula e ateliê de figurinos.
- Alameda Brustlein (Rua das Palmeiras): corredor de palmeiras imperiais plantadas em 1873, cartão-postal da cidade e cenário favorito de fotos.
- Museu Nacional de Imigração e Colonização: instalado no antigo Palácio dos Príncipes, casarão de 1870 tombado pelo IPHAN desde 1939, com mais de 5 mil peças sobre a saga dos colonos.
- Mirante de Joinville: a cerca de 250 metros de altitude, oferece vista de 360 graus da cidade, da Baía da Babitonga e da Serra Dona Francisca.
- Estrada Bonita: rota rural com propriedades coloniais, cervejarias artesanais e paisagens de serra, com forte presença da herança germânica.
- Festa das Flores: tradicional evento de novembro que celebra a vocação de floricultura da Cidade das Flores.
Qual a melhor época para visitar Joinville?
A melhor época para visitar a cidade vai de junho a agosto, quando as chuvas dão trégua e o clima ameno favorece passeios pelo centro histórico e pelo Festival de Dança. O município chove o ano inteiro, e o apelido carinhoso de “Chuville” não é exagero, com guarda-chuva sendo item permanente na bolsa.
O panorama das estações ajuda a planejar a visita ao norte catarinense:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme o ano.
Como chegar até a Manchester Catarinense
A cidade fica a cerca de 130 km de Curitiba pela BR-101, em pouco mais de uma hora e meia de carro, e a aproximadamente 180 km de Florianópolis, com tempo médio de duas horas a duas horas e meia pela mesma rodovia.
O Aeroporto de Joinville Lauro Carneiro de Loyola recebe voos regionais diários, com conexões pelos hubs de São Paulo e Curitiba. Ônibus diretos partem da rodoviária de Curitiba, da rodoviária de Florianópolis e do Terminal Rodoviário Tietê, em São Paulo, com frequência diária.
Vale a pena conhecer esta cidade catarinense
O município reúne em um mesmo território a única filial mundial do Bolshoi fora de Moscou, o maior festival de dança do planeta e uma das economias mais robustas do Sul do país. Tudo isso preservando palmeiras imperiais centenárias, museus do período colonial e o ritmo de cidade industrial que ainda consegue ser tranquila.
Você precisa conhecer Joinville e entender por que a Capital Nacional da Dança virou um dos destinos mais surpreendentes do Sul do Brasil.
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