A cidade paranaense de 73 mil habitantes que é Capital Nacional do Leite por lei federal e produz mais de 400 milhões de litros por ano
Capital Nacional do Leite produz mais de 400 milhões de litros por ano
A duas horas de Curitiba, nos Campos Gerais, Castro é um município onde a paisagem do interior esconde o dado impressionante: é a maior bacia leiteira do país, com produção anual superior a 400 milhões de litros. Um lugar onde a pecuária de alta tecnologia virou motor econômico e referência na América Latina.
Por que Castro é a Capital Nacional do Leite?
A resposta vem em forma de lei. Em 26 de dezembro de 2017, o então presidente Michel Temer sancionou a Lei Federal 13.584/2017, que conferiu a Castro, no Paraná, o título oficial de Capital Nacional do Leite. A proposta tramitou desde 2012 pelo Congresso e foi aprovada com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que já apontavam a cidade como líder absoluta na produção nacional.
Segundo a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Castro e a vizinha Carambeí lideram a produção de leite do Brasil, somando aproximadamente 800 milhões de litros ao ano conforme a Pesquisa Pecuária Municipal do IBGE. O Valor Bruto da Produção de laticínios das duas cidades ultrapassa R$ 1,8 bilhão anuais.

Como 40 mil vacas convivem com 73 mil moradores?
A resposta está em tecnologia. A cidade tem população de 73.075 habitantes pelo Censo 2022 do IBGE e um rebanho de cerca de 40 mil vacas leiteiras. A maioria das salas de ordenha de Castro é totalmente informatizada, e a produtividade média supera 7 mil litros por vaca ao ano, um patamar comparável ao de produtores da Europa e dos Estados Unidos.
O leite produzido na bacia apresenta contagem de células somáticas abaixo de 300 mil por mililitro, indicador de qualidade inferior ao máximo permitido nos Estados Unidos (750 mil) e na Europa (400 mil), segundo a Associação Paranaense dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa. O êxito é sustentado pela intercooperação entre três gigantes: Castrolanda (sediada em Castro), Frísia (em Carambeí) e Capal (em Arapoti), que juntas criaram a marca Unium, cuja planta inaugurada em 2024 recebeu investimento de R$ 550 milhões e processa 800 mil litros de leite por dia.
A vitrine tecnológica que leva 150 mil pessoas por ano
O Agroleite, realizado anualmente em agosto pela Castrolanda, é reconhecido como a maior vitrine da tecnologia da cadeia do leite da América Latina. A edição de 2024 registrou R$ 520 milhões em negócios fechados e recebeu 150 mil visitantes em quatro dias. A de 2025 celebrou 25 anos de evento, com mais de 350 expositores.
O evento inclui exposição de animais das raças Holandesa e Jersey, torneio leiteiro, parque de forragens, Rota do Leite com visitas a propriedades e o Troféu Agroleite, criado em 2002. Em 2024, o governador Ratinho Junior assinou com a Castrolanda memorando para criação do Parque Tecnológico Agroleite, que integrará universidades estaduais, centros de pesquisa e startups para desenvolver soluções para a cadeia do leite.
Quem ama viajar e conhecer a história do Paraná, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal TV Paraná Turismo, que conta com mais de 3,4 mil visualizações, onde a equipe do Visite Paraná explora as tradições tropeiras e a herança holandesa na charmosa cidade de Castro:
A herança holandesa que moldou os Campos Gerais
A tradição leiteira começou com a imigração. Em meados do século XIX, Castro recebeu alemães e poloneses. Em 1911 chegaram os primeiros holandeses, que fundaram a Colônia de Carambeí. Entre 1951 e 1954, 58 famílias vindas do norte da Holanda estabeleceram a Colônia Castrolanda, criada após a Segunda Guerra Mundial.
Em 1954, com 50 sócios, os imigrantes fundaram a Cooperativa Agropecuária Castrolanda, hoje com mais de 1.100 cooperados, faturamento de R$ 7 bilhões e cerca de 3.800 colaboradores. A cadeia leiteira da cooperativa produziu 504 milhões de litros em 2023, recorde histórico. Toda essa memória está preservada no Museu Casa do Imigrante Holandês e no Centro Cultural Castrolanda, que reproduz a arquitetura típica das fazendas do norte holandês.
O que fazer em Castro?
A cidade combina turismo histórico, rural e religioso em trajetos curtos. Seis séculos de história se concentram em 2.531 km².
Pontos turísticos principais:
- Centro Cultural Castrolanda: museu que reproduz a arquitetura holandesa das fazendas do norte da Holanda, com moinho de 37 metros e 90 toneladas.
- Fazenda Capão Alto: conjunto arquitetônico do século XVIII tombado pelo patrimônio histórico, um dos mais antigos do sul do país.
- Museu do Tropeiro: preserva objetos, mapas e documentos do ciclo tropeirista, que passou por Castro entre 1774 e 1898.
- Igreja Matriz Senhora Sant’Ana: construção histórica com lustres e sino de valor cultural.
- Morro do Cristo: mirante com estátua do Cristo Redentor e vista panorâmica dos Campos Gerais.
- Casa da Sinhara: antiga residência colonial no centro, tombada como patrimônio histórico.
- Parque Lacustre: área verde urbana com lagos e trilhas para caminhada no coração da cidade.
A gastronomia mistura tradição tropeira e herança europeia. Alguns pratos imperdíveis:
- Queijos da Castrolanda: linha com Gouda, Prato, Parmesão e receitas holandesas produzidas pela cooperativa.
- Iogurte Batavo: marca nacional com raiz direta nas cooperativas de imigrantes dos Campos Gerais.
- Carne tropeira: feijão com carne seca e arroz, herança das tropeadas coloniais que passavam pela cidade.
- Stroopwafel: biscoito típico holandês com recheio de caramelo, vendido em cafés e lojas da Castrolanda.
- Pão de queijo com queijo colonial: versão regional que combina a receita mineira com queijos da bacia leiteira local.
Quem quer conhecer a “Cidade Mãe” do Paraná, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Fomos Viajar, que conta com mais de 6,1 mil visualizações, onde Mari e Artur mostram o melhor da gastronomia e do turismo em Castro, com destaque para a colônia Castrolanda:
Qual a melhor época para visitar Castro?
O clima é subtropical úmido, com verões amenos e invernos frios. A cidade fica a cerca de 1.000 metros de altitude. A tabela resume cada estação.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar em Castro?
A cidade fica a cerca de 140 km de Curitiba e a 43 km de Ponta Grossa. O acesso principal é pela BR-376 e pela PR-151, ambas em bom estado. De carro, o trajeto desde a capital paranaense leva em média 2 horas. Não há aeroporto comercial no município, sendo o mais próximo o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais. O serviço rodoviário intermunicipal conecta Castro às principais cidades do Paraná e estados vizinhos.
Conheça a cidade onde o leite virou economia de ponta
Castro combina história tropeira, herança holandesa e agronegócio de classe mundial em uma só paisagem. Poucos municípios brasileiros conseguiram transformar a tradição rural em centro de inovação e tecnologia sem perder a identidade de cidade de interior.
Você precisa conhecer Castro e sentir o ritmo de uma cidade onde cada copo de leite carrega três séculos de história.
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