A cidade mais fria do Nordeste onde os termômetros chegam a 3°C e produz o melhor café do país
Casacos pesados no coração da Bahia: Piatã registra 3 °C no inverno e produz o café mais premiado do país
A 1.280 metros de altitude, no coração da Chapada Diamantina, Piatã recebe visitantes com neblina nas serras, fogão à lenha aceso e grãos que já venceram quatro vezes o principal concurso de café do mundo.
A cidade onde o Nordeste usa cachecol
Quem imagina o Nordeste apenas como região de sol e calor se surpreende ao chegar a Piatã. A sede do município está em um platô entre a Serra da Tromba e a Serra da Santana, a 1.280 metros acima do nível do mar, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Áreas rurais chegam a ultrapassar 1.500 metros. O resultado é um microclima único: a média anual não passa dos 20 °C, e nas madrugadas de junho e julho os termômetros podem cair a 3 °C ou menos.
Nas noites mais frias, lareiras acesas, licor artesanal e quentão fazem parte da rotina. Os festejos juninos são os mais celebrados do município, tanto na zona urbana quanto na rural, com mesas fartas e o friozinho serrano como cenário. Piatã é o município mais alto e mais frio de toda a região Nordeste do Brasil.

Tetracampeã mundial: o café que nasce a 1.200 metros
Quando o ciclo do ouro se esgotou no século XVIII, a altitude que atraíra os garimpeiros revelou outra vocação. O clima ameno e o solo fértil das serras transformaram Piatã na Terra do Café. Na edição de 2022 do Cup of Excellence, o principal concurso de qualidade para cafés especiais do planeta, o grão produzido por Antonio Rigno de Oliveira Filho na Fazenda Tijuco conquistou o primeiro lugar com nota 91,41. O segundo lugar também ficou com Piatã, no Sítio Bonilha, com 90,59 pontos.
A família Rigno de Oliveira acumula quatro títulos no concurso (2009, 2014, 2015 e 2022), segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O terroir de altitude dá ao café notas sensoriais de melaço de rapadura, chocolate e frutas, características que chamam a atenção do júri internacional. Fazendas da região oferecem visitas guiadas pelos cafezais, com degustação dos grãos frescos ao final do percurso.
Como é viver na cidade mais alta do Nordeste
Piatã tem cerca de 20 mil habitantes e um ritmo que combina com a paisagem. A densidade demográfica é de apenas 11 habitantes por km², o que reforça a atmosfera pacata. As casas da zona urbana convivem com cafezais e pomares de frutas temperadas, algo raro na Bahia. A escolarização na faixa de 6 a 14 anos atinge 96% e o acesso à saúde é garantido por unidades básicas no centro e nos distritos.
O ritmo das estações marca o calendário local. No inverno, a colheita do café mobiliza famílias inteiras. No verão, as chuvas enchem as cachoeiras e renovam a vegetação dos campos de altitude. A antiga povoação de Bom Jesus dos Limões, fundada no século XVII por garimpeiros que percorriam a Estrada Real, ainda se faz presente na Igreja Matriz de Bom Jesus, na praça central.
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O que fazer entre serras e cafezais
As serras que cercam a cidade guardam cachoeiras, mirantes e sítios arqueológicos acessíveis em roteiros de um dia. Confira os principais atrativos:
- Pico do Barbado: ponto mais alto do Nordeste, com 2.033 metros. A trilha de nível médio parte do distrito de Catolés e leva cerca de quatro horas.
- Cachoeira do Patrício: poço natural cercado por paredões de rocha, ideal para banho mesmo nos meses mais frios.
- Serra do Gentil: sítio arqueológico com pinturas rupestres datadas entre 10 e 12 mil anos, a 25 minutos de carro da sede. Visita gratuita com acompanhamento de guia local.
- Rota do Café: circuito por fazendas centenárias, com visita aos cafezais, explicação do beneficiamento e degustação. A Fazenda Tijuco é o destaque da rota.
- Cachoeira do Cochó: formação com pequena praia de areia ao redor do poço, em meio à vegetação de altitude.
Quem sonha em conhecer a cidade mais alta do Nordeste, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 265 mil inscritos, onde Bruno e Paula mostram o frio, as trilhas e os cafés premiados de Piatã, na Bahia:
Quando o frio e a chuva definem o passeio
Piatã tem duas estações bem marcadas: uma chuvosa e outra seca. O inverno é a época mais procurada pelo frio e pelas festas juninas, enquanto o verão traz cachoeiras em volume máximo:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à serra mais fria da Bahia
Piatã fica a cerca de 557 km de Salvador, aproximadamente oito horas de carro pela BR-324, BR-116 e BA-142. Não há voos comerciais nem ônibus direto. A alternativa é seguir até Mucugê ou Rio de Contas e completar o trajeto de carro. Para quem já está em Lençóis, a distância é de cerca de 200 km por estrada.
A Bahia que pede casaco e serve café premiado
Piatã é a prova de que o Nordeste guarda surpresas muito além do litoral. Em menos de 1.900 km² cabem o ponto mais alto da região, pinturas rupestres de 12 mil anos e o café mais premiado do país, tudo embalado por um frio que ninguém espera encontrar na Bahia.
Você precisa subir a serra da Chapada e sentir Piatã de perto, nem que seja para tomar o melhor café do Brasil usando cachecol a poucas horas de Salvador.
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