A cidade gaúcha que virou Capital Nacional do Calçado por lei federal e figura entre as dez maiores economias do Rio Grande do Sul
As fábricas levaram os calçados para mercados de várias regiões
Poucas cidades brasileiras têm o próprio produto estampado no título oficial. Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, nasceu de uma casa de armazém no caminho das tropas, virou capital do couro e do calçado e hoje divide com Porto Alegre e Caxias do Sul o grupo dos municípios que concentram a maior parte da riqueza produzida no Rio Grande do Sul.
Como um povoado alemão virou a maior cidade do Vale do Sinos?
Por causa de um cruzamento de estradas e, depois, de um trilho. O núcleo original se formou em Hamburgo Velho, ponto de parada no caminho entre a colônia alemã e o interior, e o entroncamento transformou o vilarejo em entreposto comercial ainda no século XIX.
A chegada da ferrovia em 1876 deslocou o centro urbano morro abaixo, onde surgiu a área que daria origem à cidade atual. A emancipação veio em 5 de abril de 1927. Segundo a Prefeitura de Novo Hamburgo, os anos de ouro da exportação de calçados atraíram milhares de famílias vindas do interior gaúcho, e o município cresceu cerca de 282% em população entre o início da década de 1960 e o começo dos anos 1990, ritmo duas vezes maior que a média nacional.

O que garantiu o título de Capital Nacional do Calçado?
Uma cadeia produtiva completa dentro do mesmo município, de curtumes a design. O reconhecimento formal veio pela Lei Federal 13.399, de 2016, aprovada no Congresso Nacional especificamente para conferir o título à cidade.
O calendário de feiras explica o alcance. A Feira Nacional do Calçado (Fenac) teve a primeira edição em 1963 e transformou o parque de exposições local em ponto de encontro do setor. No mesmo espaço acontece a Fimec, voltada a couros, químicos, componentes e máquinas, que reúne expositores estrangeiros e movimenta a rede hoteleira da região. Conforme a Confederação Nacional de Municípios (CNM), a feira internacional do calçado chegou a reunir mais de 400 mil visitantes em uma única edição.

Quanto Novo Hamburgo produz e como se vive na cidade?
Produz o suficiente para entrar no seleto grupo do topo estadual. De acordo com a Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão do RS (SPGG), o município está entre as dez maiores economias gaúchas, ao lado de Porto Alegre, Caxias do Sul, Canoas e Pelotas, em um estado com quase quinhentos municípios.
Os indicadores sociais acompanham. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB por habitante chegou a R$ 52.434,84 em 2023, a escolarização entre 6 e 14 anos é de 98,84% e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) ficou em 6,1 nos anos iniciais do ensino fundamental. A economia deixou de depender só do sapato: serviços respondem pela maior fatia, seguidos por indústria, comércio e um setor de tecnologia em crescimento. É o mesmo tipo de vocação exportadora vista em cidades que faturam bilhões vendendo para dezenas de países.

O que ver em Hamburgo Velho e no resto do município?
O bairro fundador virou centro histórico protegido e concentra a herança germânica que a cidade quase perdeu durante a campanha de nacionalização do Estado Novo. Confira abaixo o que organiza a visita:
- Centro Histórico de Hamburgo Velho: conjunto tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE), com casario de origem alemã e o traçado do antigo caminho das tropas.
- Fundação Ernesto Frederico Scheffel: museu de arte dedicado à obra do pintor hamburguense, com forte influência germânica.
- Parque Henrique Luiz Roessler: o Parcão, principal área verde urbana, batizada em homenagem a um dos pioneiros do ambientalismo brasileiro.
- Fenac: parque de exposições com pavilhões climatizados, aberto ao público durante as feiras do calçado e da moda.
- Festival Internacional de Folclore: evento que traz grupos de vários países e mantém viva a tradição de dança e música do município.
Quem quer descobrir a Capital Nacional do Calçado vai curtir esse vídeo do canal De fora em Juiz de Fora, com mais de 72 mil inscritos, onde Tati Marmon mostra Novo Hamburgo:
Como é o clima no Vale do Sinos?
O clima é subtropical, com quatro estações bem marcadas e chuva bem distribuída ao longo do ano. O verão do vale é conhecido pelo calor abafado, e o inverno traz neblina frequente na encosta da serra. Veja abaixo o que esperar de cada período:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Conheça a cidade que transformou couro em economia de peso
Novo Hamburgo é o retrato de um município que soube trocar de pele sem perder o nome. A indústria que a colocou no mapa continua ali, mas divide espaço com serviços, tecnologia e um centro histórico alemão preservado, tudo a menos de uma hora da capital gaúcha e ligado a ela por metrô.
Você precisa caminhar por Hamburgo Velho e entender como um armazém de beira de estrada virou uma das economias mais fortes do Rio Grande do Sul.
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