A capital mundial das árvores: a cidade mais verde do Brasil com a 2ª melhor qualidade de vida e 91% das ruas são cobertas por sombra e o ar é puro o ano inteiro
A cidade mais verde do Brasil com 91% das ruas cobertas por sombra e ar puro o ano inteiro
O chão vermelho avisa: você chegou à Cidade Morena. Na Avenida Afonso Pena, os túneis de árvores centenárias filtram o sol e revelam um voo de araras-canindé ao entardecer. Campo Grande, a capital de Mato Grosso do Sul, reúne o maior aquário de água doce do planeta, uma das melhores qualidades de vida entre as capitais brasileiras e o título inédito de hexacampeã mundial em arborização urbana, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Por que Campo Grande é chamada de Cidade Morena?
O apelido nasceu no início do século XX, quando o arcebispo Dom Francisco de Aquino Correia associou a cor avermelhada do solo ao nome da cidade. Fundada em 1872 pelo mineiro José Antônio Pereira, a cidade cresceu com a chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em 1914, que trouxe imigrantes japoneses, árabes e paraguaios. Em 1977, virou capital do recém-criado Mato Grosso do Sul.
A imigração de Okinawa, no Japão, deixou uma marca singular na cultura local. O sobá, macarrão de origem okinawana servido com carne e caldo quente, foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial do município em 2006. Hoje, a cidade reúne sabores de três fronteiras na Feira Central, onde 28 restaurantes servem o prato.

Vale a pena viver na capital mais verde do Brasil?
Os rankings recentes apontam que sim. Campo Grande ocupa a 2ª posição entre as capitais brasileiras no Índice de Progresso Social (IPS) 2025, com 69,63 pontos, atrás apenas de Curitiba. No ranking geral dos 5.570 municípios avaliados, a cidade aparece na 13ª posição nacional, segundo dados divulgados pela Prefeitura de Campo Grande.
No Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, a capital subiu para a 4ª posição entre as capitais, com nota 0,8101. Com cerca de 915 mil habitantes, Campo Grande oferece área verde por habitante de mais de 70 m², quase seis vezes acima do mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Qual o reconhecimento internacional da capital sul-mato-grossense?
Veio da maior organização ambiental do planeta. Pelo sexto ano consecutivo, Campo Grande recebeu o título de Tree City of the World (Cidade Árvore do Mundo), concedido pela FAO e pela Fundação Arbor Day. É a única capital brasileira a manter o selo desde a criação do programa, em 2019.
Os dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam o resultado: 91,4% dos domicílios estão em vias arborizadas, o maior índice entre todas as capitais do país. A cidade conta com cerca de 175 mil árvores no sistema viário e cresceu 14% em cobertura arbórea em relação ao diagnóstico de 2010, segundo estudo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
O que visitar na capital mundial das árvores?
A cidade combina parques urbanos generosos, um aquário de escala mundial e avenidas onde a fauna silvestre circula livremente. Várias atrações ficam a poucos minutos do centro e têm entrada gratuita.
Entre as principais atrações turísticas:
- Bioparque Pantanal: maior aquário de água doce do mundo, com 19 mil m², quase 5 milhões de litros de água e mais de 400 espécies. Entrada gratuita com agendamento pelo site oficial.
- Parque das Nações Indígenas: 119 hectares de área verde com lago, pistas de caminhada, quadras e capivaras circulando entre os visitantes.
- Parque dos Poderes: centro administrativo do estado cercado de cerrado preservado, onde araras, quatis e tucanos dividem espaço com os prédios públicos.
- Morada dos Baís: um dos primeiros sobrados em alvenaria da cidade, hoje centro cultural e ponto de partida do city tour.
- Avenida Afonso Pena: principal corredor da cidade, famoso pelos túneis de árvores e pelo voo de araras-canindé ao entardecer.
- Feira Central: ponto de encontro entre culturas japonesa, paraguaia e árabe, com bancas de sobá e artesanato regional.
A gastronomia reúne sabores de fronteira e influências da imigração:
- Sobá: macarrão de origem okinawana com carne, ovo e cebolinha, servido em caldo quente. Patrimônio cultural imaterial da cidade desde 2006.
- Tereré: erva-mate gelada servida em cuia, tradição compartilhada com o Paraguai e rotina nas calçadas locais.
- Sopa paraguaia: bolo salgado de fubá com queijo e cebola, vizinho gastronômico herdado da imigração paraguaia.
- Espetinho de carne: tradição local, servido em barracas e restaurantes com farofa e vinagrete.
- Chipa: pão de queijo de polvilho de origem paraguaia, vendido nas feiras e padarias.
Quem quer descobrir o que fazer em Campo Grande, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vida sem Paredes, que conta com mais de 47 mil visualizações, onde Gleiber e Camila mostram os principais pontos turísticos, como o Bioparque do Pantanal, e dicas de gastronomia no Mato Grosso do Sul:
Qual a melhor época para visitar o coração do cerrado?
A cidade tem clima tropical com estação seca bem definida. O inverno é seco e ameno, ideal para passeios ao ar livre e para conhecer o Bioparque Pantanal com conforto térmico. O verão é quente e chuvoso, mas as chuvas costumam ser rápidas e concentradas no fim da tarde, segundo o Climatempo.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Conheça Campo Grande, onde o progresso respeita a floresta
Poucas capitais brasileiras cresceram para quase um milhão de habitantes sem abrir mão das árvores. Campo Grande tem seis títulos mundiais de arborização, a 2ª melhor qualidade de vida entre as capitais e um aquário de 5 milhões de litros com entrada gratuita no meio de um parque urbano.
Você precisa pisar na terra vermelha, tomar um tereré na calçada e assistir às araras cruzarem a Avenida Afonso Pena para entender por que a Cidade Morena é uma das capitais mais surpreendentes do Brasil.
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