Fictor consegue recuperação judicial
Empresas terão 180 dias de proteção contra credores; dívida chega a R$ 4,2 bilhões
A Fictor Alimentos informou que a Justiça de São Paulo autorizou o processamento de sua recuperação judicial, no âmbito do processo que envolve o Grupo Fictor. A decisão foi comunicada ao mercado em fato relevante divulgado à Comissão de Valores Mobiliários.
O pedido foi aceito pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível, incluindo a companhia em regime de consolidação com outras empresas do grupo.
Com isso, o processo passa a abranger diferentes braços da holding.
Entre as medidas determinadas está a suspensão, por 180 dias, de ações e execuções contra as empresas envolvidas.
Também ficam interrompidos prazos prescricionais e proibidos atos de constrição de bens durante esse período.
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Monitoramento
A decisão prevê a nomeação da Laspro Consultores como administradora judicial e da Price Waterhouse Coopers Assessoria Empresarial como agente de monitoramento das atividades.
As empresas deverão apresentar relatórios financeiros mensais ao longo do processo.
Segundo a Justiça, o deferimento busca evitar a insolvência do grupo.
“Nesta situação de crise econômico-financeira, o indeferimento do pedido traria a consequente insolvência do grupo motivada por execuções individuais”, diz trecho da decisão.
O plano de recuperação deverá ser apresentado em até 60 dias. O grupo acumula dívidas estimadas em cerca de R$ 4,2 bilhões com credores.
A inclusão da Fictor Alimentos no processo ocorreu após pedido feito em fevereiro, quando a controladora já havia solicitado recuperação judicial em meio a dificuldades financeiras.
Caso Master
A Fictor atribuiu sua crise de liquidez à tentativa de compra do Banco Master.
A empresa alegou que o episódio afetou sua imagem no mercado.
“Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, disse o grupo.
Proposta
Com o apoio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, a Fictor Holding Financeira apresentou ao Banco Central um pedido para comprar o Banco Master.
A transação era estimada em 3 bilhões de reais.
Em 18 de novembro de 2025, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master pela “grave crise de liquidez” do conglomerado, além de “graves violações” às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
O decreto levou ao cancelamento da aquisição.
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