A Capital Mineira da Moda: a cidade a 118 km de Belo Horizonte onde 2.550 confecções produzem 19 milhões de peças por ano
A força das confecções ajuda a explicar o peso da moda na economia local
Poucas cidades brasileiras vestem tanta gente quanto esta. No centro-oeste de Minas Gerais, Divinópolis reúne mais de 2.550 empresas de confecção e abastece lojas de todo o país a partir de suas máquinas de costura. A mesma cidade aparece entre as dez mais desenvolvidas do estado e guarda uma cruz de 74 metros no alto de um morro.
Como Divinópolis virou a Capital Mineira da Moda?
O título vem do tamanho do parque produtivo. Segundo a Prefeitura de Divinópolis, o município abriga mais de 2.550 empresas ativas na cadeia do vestuário, entre elas cerca de 500 indústrias formais, números levantados pelo Sindicato da Indústria do Vestuário de Divinópolis (Sinvesd). Isso coloca a cidade como o segundo maior centro de confecção mineiro, atrás apenas de Belo Horizonte.
A escala fica mais clara quando se olha o volume: são cerca de 19 milhões de peças costuradas por ano, o equivalente a uma roupa nova para quase toda a população de um estado como o Paraná. Boa parte dessa produção sai de ruas conhecidas do comércio local, como a Rua Goiás, que durante décadas recebeu ônibus de lojistas em busca de pronta entrega e hoje divide espaço com marcas que vendem pela internet.

A indústria pesada que veio antes das máquinas de costura
Antes da roupa, veio o ferro. A Prefeitura descreve o município como destaque simultâneo nos setores de vestuário e siderúrgico e metalúrgico, além de peça importante na logística regional. A chegada da ferrovia no fim do século XIX puxou as primeiras fábricas e transformou uma vila do oeste mineiro em cidade de porte médio.
Esse passado explica o apelido mais antigo, Princesinha do Oeste, e também a estrutura atual: hospitais, faculdades e comércio que atendem dezenas de municípios vizinhos. A cidade é ainda terra da poeta Adélia Prado, que fez das ruas e da vida doméstica divinopolitana matéria de literatura reconhecida em todo o país.

Entre as dez cidades mais desenvolvidas de Minas Gerais
O desempenho social acompanha o econômico. De acordo com a Prefeitura de Divinópolis, o município ficou em 9º lugar entre os mineiros no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), com nota 0,8095, faixa classificada como desenvolvimento alto.
O índice combina três frentes: educação, saúde e geração de emprego e renda. Ficar entre os dez primeiros em um estado com 853 municípios significa manter equilíbrio nas três, algo que costuma escapar a cidades de economia concentrada em um único setor. Na prática, o morador encontra rede hospitalar regional, campi universitários e um mercado de trabalho que não depende apenas da costura.
O que fazer em Divinópolis além das lojas de roupa?
A cidade não se organiza como destino de praia ou serra, mas concentra atrações urbanas e um calendário de festas que atrai gente de toda a região. Estes são os pontos que costumam abrir o roteiro:
- Parque da Ilha: área verde às margens do rio Itapecerica, com lago, pista de caminhada e equipamentos de ginástica no meio da malha urbana.
- Museu Histórico de Divinópolis: acervo de objetos e documentos que percorre a formação da região, da ocupação antiga à industrialização.
- Teatro Municipal Usina Gravatá: casa de espetáculos instalada em antiga usina, com temporada de teatro, concertos e shows.
- Praça do Santuário: aos domingos recebe feira de artesanato com cerca de 30 barracas, ponto de encontro tradicional dos moradores.
- Cruz de Todos os Povos: estrutura de 74 metros de altura erguida no Morro do Gurita, conforme o portal oficial de turismo de Minas Gerais.
- DivinaExpô: um dos maiores encontros de rodeio e música sertaneja do interior mineiro, com público vindo de outros estados.
Quem quer conhecer o interior de Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rotas do Giva, que conta com mais de 900 visualizações, onde Giva mostra os encantos de Divinópolis:
Como é o clima de Divinópolis ao longo do ano?
O regime é tropical de altitude, com verão chuvoso e inverno seco bem marcado. A diferença entre os extremos aparece no volume de água: em agosto, a média mensal fica em torno de 16 mm, enquanto setembro já sobe para cerca de 63 mm, segundo dados climatológicos do Climatempo. Veja o comportamento de cada período:
As condições variam de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña. Para acompanhar a previsão atualizada, consulte o Climatempo.
A cidade que veste boa parte do Brasil
Divinópolis não se vende como cartão-postal, e talvez esteja aí o interesse. É uma cidade de trabalho que transformou agulha e ferro em estrutura urbana completa, com parques, teatro, universidades e um dos melhores índices de desenvolvimento de Minas Gerais.
Vale reservar um fim de semana para conhecer a Princesinha do Oeste e entender como uma cidade do interior acabou vestindo o guarda-roupa de tanta gente.
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