A capital do cacau onde o maior escritor brasileiro nasceu numa fazenda, e a certidão dele contraria o que quase todo mundo pensa
A certidão antiga muda um detalhe que muita gente repete há anos
Pergunte a qualquer leitor onde nasceu o autor de Gabriela, Cravo e Canela e a resposta vem quase automática: Ilhéus. Está errada. Em 10 de agosto de 1912, na Fazenda Auricídia, distrito de Ferradas, veio ao mundo Jorge Amado. O território pertencia a Itabuna, cidade que o próprio escritor transformaria em cenário de romances sobre coronéis, jagunços e a febre do cacau.
De arraial de tropeiros a entreposto do cacau
Antes de Itabuna existir, havia o Arraial de Tabocas, ponto de passagem de tropeiros que seguiam para Vitória da Conquista, às margens do rio Cachoeira. A emancipação de Ilhéus veio em 1910, dois anos antes do nascimento de Amado.
O que mudou tudo foi a semente do Theobroma cacao. O solo do sul baiano recebeu bem a planta, e a economia local disparou. Nas décadas seguintes, a região exportava amêndoas para os Estados Unidos e a Europa, e a cidade se firmou como entreposto comercial entre a BR-101 e a BR-415. Esse é o mundo que aparece em Terras do Sem Fim e em Cacau.

Um selo do INPI protege a amêndoa que sustentou a região
Em 24 de abril de 2018, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) publicou o registro de Indicação de Procedência (IP) para as amêndoas de cacau do Sul da Bahia, solicitado pela Associação dos Produtores de Cacau do Sul da Bahia.
A informação consta da lista oficial de indicações geográficas do Ministério da Agricultura. O produto protegido é a amêndoa da espécie Theobroma cacao L., e a área abrange dezenas de municípios da região cacaueira.
Boa parte dessa produção vem do sistema cabruca, técnica em que o cacaueiro cresce sob a sombra de árvores nativas da Mata Atlântica. A floresta permanece de pé e o pé de cacau ocupa o sub-bosque. É a razão pela qual a paisagem rural ao redor da cidade não parece plantação, mas mata.
Onde a ciência do chocolate encontrou a universidade
A pesquisa que sustentou a lavoura cacaueira nasceu da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), criada em 1957. Seu Centro de Pesquisas do Cacau (CEPEC) fica na rodovia que liga a cidade a Ilhéus.
A CEPLAC também mudou o ensino superior da região. Segundo a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), foi por iniciativa das lideranças regionais e da própria comissão que, em 1972, escolas isoladas se uniram na Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna. Duas delas eram itabunenses: a Faculdade de Filosofia e a Faculdade de Ciências Econômicas. A federação virou universidade pública em 1991.
O que ver na Capital do Cacau
A cidade não tem praia, e isso costuma surpreender quem chega. O roteiro é urbano, cultural e rural, com o litoral a menos de 40 minutos.
- Catedral de São José: principal marco arquitetônico do centro e cartão-postal da cidade.
- Museu Casa Verde: inaugurado em 1974, guarda acervo sobre a história local e os anos de ouro do cacau.
- Centro de Cultura e Teatro Adonias Filho: espaço multiuso que recebe peças, shows e exposições.
- Parque da Boa Vista: área verde urbana com trilhas, quadras e playground.
- Fazendas de cacau da zona rural: visitas guiadas mostram colheita, fermentação e fabricação artesanal de chocolate.
- Mercado de Arte Popular: artesanato e peças de artistas do sul baiano.
Na mesa, a herança é a mesma do resto da Bahia: moqueca de peixe, caruru, acarajé e vatapá. A diferença fica no cacau, servido como suco da polpa e em chocolates de fabricação local.
Quem quer desvendar as belezas e os segredos do sul baiano, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Eu no Nordeste, que conta com mais de 158 mil visualizações, onde Lani mostra um roteiro completo por Itabuna, Ilha de Comandatuba, Una e as estradas da região:
Quando ir e como chegar ao sul baiano?
O clima é quente e úmido o ano inteiro, sem estação seca marcada. As chuvas se distribuem, e a alta temporada acompanha o verão do litoral vizinho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
De Salvador, são cerca de 430 km pela BR-324 e BR-101, entre cinco e seis horas de carro. O aeroporto mais próximo é o Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, a aproximadamente 30 km. Carro ou transfer resolvem o trecho final.
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Conheça a terra que Jorge Amado escreveu
A Capital do Cacau não vende cartão-postal fácil. Vende o chão onde nasceu um dos escritores mais traduzidos do mundo e a floresta que ainda abriga os pés de cacau sob sua própria sombra.
Você precisa conhecer Itabuna, provar um chocolate feito a poucos quilômetros do pé que o gerou e entender de onde vieram os coronéis dos romances.
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