A capital brasileira da agroindústria: a cidade fora do litoral que lidera Saúde e Educação em Santa Catarina, subiu 47 posições entre as mais inteligentes do país e reúne 8.500 empresas ativas
Agroindústria, saúde e educação ajudam a sustentar o crescimento local
Indicadores de gestão pública costumam favorecer capitais e cidades litorâneas, com mais orçamento e mais visibilidade. No Oeste de Santa Catarina, a cerca de 550 km de Florianópolis, Chapecó quebrou esse padrão ao aparecer em primeiro lugar em Saúde e Educação entre os municípios catarinenses acima de 100 mil habitantes e ao subir 47 posições no principal ranking brasileiro de cidades inteligentes.
Por que a capital do Oeste lidera Saúde e Educação em Santa Catarina?
A liderança vem do Índice de Efetividade da Gestão Municipal (IEGM), levantamento do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE-SC) em parceria com o Instituto Rui Barbosa. Conforme a Prefeitura de Chapecó, o município ficou em 1º lugar nas duas áreas entre as cidades catarinenses com mais de 100 mil habitantes, além de 9º geral em Educação e 23º geral em Saúde, com base em dados de 2024.
O índice não mede simpatia: são quase 700 perguntas divididas em sete temas, respondidas pelas prefeituras e conferidas pelo Tribunal de Contas. No mesmo levantamento, a cidade alcançou a segunda melhor nota ambiental entre os 295 municípios catarinenses, atrás apenas de Criciúma. Na atenção básica, a Prefeitura registrou o segundo lugar nacional no Previne Brasil, programa do Ministério da Saúde, entre cidades acima de 200 mil habitantes.

O que explica o salto de 47 posições no ranking de cidades inteligentes?
O avanço aparece no Ranking Connected Smart Cities 2025, que passou a avaliar os 5.570 municípios brasileiros usando 75 indicadores das normas ISO ABNT 37120, 37122 e 37123, voltadas a serviços urbanos, cidades inteligentes e resiliência. De acordo com a Prefeitura de Chapecó, o município terminou em 22º no Brasil e 8º na Região Sul, depois de ocupar a 69ª colocação no levantamento anterior.
Para dimensionar o resultado, a posição coloca a maior cidade do interior catarinense na vizinhança de Blumenau, 21ª no mesmo ranking, e à frente de Joinville, a mais populosa do estado. O município também recebeu o primeiro lugar em Experiência do Cidadão na Região Sul e criou um observatório de dados para acompanhar os próprios indicadores. É o mesmo movimento visto em outras cidades de interior que aparecem entre as melhores do país para viver, longe das capitais e dos holofotes.

A economia que sustenta os números da Capital do Oeste
Chapecó é conhecida como capital brasileira da agroindústria, e o apelido tem base concreta. Segundo a Plataforma Connected Smart Cities, o município abriga cerca de 8.500 empresas ativas e combina a agroindústria de suínos e aves com os setores metalmecânico, de plásticos, móveis, embalagens, software e biotecnologia.
A cidade sedia a Cooperativa Central Aurora Alimentos e uma unidade da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, o que a conecta diretamente ao desempenho do estado no comércio exterior. Conforme a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pecuária de Santa Catarina, o estado é o maior produtor e exportador de carne suína do Brasil, responsável por mais da metade da receita nacional do setor. Essa base industrial ajuda a explicar a rede de ensino superior instalada por aqui, com a sede da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e o campus da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó).
Onde a cidade respira fora do horário de trabalho?
O lazer se concentra em parques urbanos, praças e no vale do Rio Uruguai, que fecha o município ao sul. Confira abaixo alguns dos pontos mais procurados por moradores e visitantes:
- Parque das Palmeiras: área arborizada de 14 mil m² com churrasqueiras, pista de caminhada e parque infantil, a cerca de 5 km do centro, segundo o Portal Municipal de Turismo.
- Catedral Santo Antônio: inaugurada em 1956 diante da Praça Coronel Bertaso, com duas torres de 40 m e uma gruta de pedras nos fundos do templo.
- Parque de Exposições Dr. Valmor Ernesto Lunardi: sede da Efapi, da feira internacional de carnes Mercoagro e de shows de grande porte.
- Tirolesa Interestadual do Goio-Ên: travessia de 1.300 metros sobre o Rio Uruguai ligando Chapecó a Alpestre, no Rio Grande do Sul, conforme o Viagens e Caminhos.
- Monumento O Desbravador: escultura na Avenida Getúlio Dorneles Vargas que virou cartão de visitas e referência da colonização da região.
- Feiras coloniais: encontros semanais de produtores em bairros como Efapi, Bela Vista e Cristo Rei, com queijos, embutidos e panificados da agricultura familiar.
Quem quer conhecer os principais pontos de Chapecó vai curtir este vídeo do canal Até ONDE eu puder IR, com mais de 38 mil visualizações, que passa pela Catedral, Ecoparque e Arena Condá.
Como é o clima de Chapecó ao longo do ano?
A cidade fica a 674 m de altitude, o suficiente para dar ao Oeste catarinense verões quentes e invernos com geada. As chuvas se distribuem pelos doze meses, sem estação seca definida. Veja abaixo o comportamento médio do clima ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas. Em agosto, a média histórica de chuva em Chapecó é de 116 mm, conforme o Climatempo. As condições variam de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de viajar.
O interior catarinense que virou referência de gestão
Chapecó reúne uma combinação incomum para uma cidade fora do litoral e distante da capital: liderança estadual em saúde e educação, avanço rápido entre as cidades mais inteligentes do país e uma economia que abastece mercados em vários continentes. O crescimento aconteceu sem abrir mão dos parques urbanos, das feiras de bairro e do vale do Rio Uruguai a poucos quilômetros do centro.
Vale reservar alguns dias para conhecer a Capital do Oeste e entender por que tanta gente tem escolhido trocar o litoral pelo interior catarinense.
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