A Áustria brasileira: vilarejo fundado por um ministro austríaco em 1933 que ainda fala dialeto tirolês e serve fondue no frio da serra
A Áustria brasileira no oeste de Santa Catarina com arquitetura tirolesa, dialeto austríaco e fondue no frio da serra
No Meio-Oeste catarinense, a 796 m de altitude, Treze Tílias é o vilarejo que um ministro austríaco fundou em 1933, onde o dialeto tirolês ainda se ouve nas ruas e o fondue aquece as noites frias da serra.
Por que um ministro austríaco fundou uma cidade no meio de Santa Catarina?
A resposta começa num navio. Em 8 de setembro de 1933, 85 pessoas embarcaram no Principessa Maria rumo ao Brasil. À frente estava Thaler, que acabara de deixar o cargo no governo austríaco e decidira resolver pessoalmente a crise que assolava seu país. Após 35 dias de viagem, o grupo desembarcou e encontrou terras férteis a 796 m de altitude no Meio-Oeste catarinense, com um clima e um relevo que lembravam os vales do Tirol.
Thaler batizou a colônia de Dreizehnlinden, palavra inspirada no poema épico do escritor Friedrich Wilhelm Weber que exaltava a tília, árvore abundante nos Alpes. A tradução livre deu nome definitivo ao município. Entre 1933 e 1937, mais grupos chegaram, vindos principalmente dos estados do Tirol, Vorarlberg e Alta Áustria. Uma curiosidade: a banda dos tiroleses formou-se ainda dentro do navio, no meio do Atlântico, e segue ativa até hoje. Uma banda nascida em alto-mar em 1933 que ainda toca nas ruas de Santa Catarina em 2026 é um feito que poucas cidades do mundo podem contar.

Vale a pena morar no Tirol Brasileiro?
Os números sustentam o apelido com orgulho. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra taxa de escolarização de 99,42% para crianças de 6 a 14 anos, índice digno de países escandinavos. A economia diversifica-se entre laticínios, indústria e turismo, sendo que 30% das empresas ativas pertencem ao setor turístico.
A Prefeitura de Treze Tílias destaca baixíssimos índices de desemprego e mortalidade infantil. Moradores relatam o hábito de manter as portas abertas durante o dia, herança de uma comunidade que ainda funciona com a lógica de vilarejo europeu. “Não temos escolas particulares porque as públicas são excelentes”, descreve um guia turístico local citado em reportagem regional. Em 2025, o Centro de Atendimento ao Turista registrou 28,9% mais visitantes do que no ano anterior.

Que reconhecimentos a cidade recebeu da Áustria e do Brasil?
O governo austríaco oficializou a importância cultural da cidade ao instalar o Consulado Honorário da Áustria em 13 de outubro de 1988, conforme registra o Portal da Tirolerfest. É o único consulado do país localizado em uma cidade do interior. A representação facilita a obtenção de dupla cidadania para descendentes, e jovens viajam para estudar e trabalhar no Tirol europeu retornando com investimentos para o município. Treze Tílias é também cidade coirmã de Wildschönau, no estado do Tirol, na Áustria.
No Brasil, o estado de Santa Catarina reconheceu formalmente a tradição artística da cidade com o título de Capital Catarinense dos Escultores e Esculturas em Madeira. A obra de maior projeção nacional é o crucifixo entalhado em cedro por Gotfredo Thaler para o Santuário Dom Bosco, em Brasília. Hoje, cerca de 20 artistas mantêm ateliês abertos à visitação no centro da cidade.
O que fazer em Treze Tílias além de se sentir na Europa?
A cidade concentra suas principais atrações em poucos minutos do centro. O roteiro a seguir cobre cultura, natureza e gastronomia em dois dias tranquilos:
- Museu Municipal Andreas Thaler (Castelinho): residência do fundador, projetada em 1936 pelo arquiteto Bruno Kracher inspirado na Escola de Agricultura de Rotholz, no Tirol. Guarda mobília original da Europa e equipamentos dos anos 1930.
- Praça Ministro Andreas Thaler: coração da cidade, com chafariz em cascata, monumento aos fundadores e a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro ao fundo.
- Ateliês de escultura em madeira: mais de 20 artistas mantêm espaços abertos ao público. A arte vai da sacra à decorativa, com peças que são exportadas para o exterior.
- Parque Lindendorf: área verde com lago, animais e a Minicidade, réplica em escala reduzida de Treze Tílias com detalhes arquitetônicos fiéis ao original.
- Parque Vale das Tílias (Águas Tirolesas): complexo aquático de 22 mil m² com piscinas abastecidas por fonte natural, cercadas por mata preservada.
- Tirolerfest: festa anual realizada em outubro, próximo ao dia 13, que celebra a fundação da colônia com nove dias de desfiles históricos, bandas, corais, danças folclóricas e gastronomia típica. Atrai turistas de todo o Brasil e do exterior.
Quem sonha em conhecer a cidade mais austríaca do Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Praia ou Serra, que conta com mais de 342 mil visualizações, onde o roteiro explora a arquitetura e as tradições de Treze Tílias, Santa Catarina:
Qual a melhor época para visitar o Tirol Brasileiro?
A altitude de 796 m garante estações bem definidas, com invernos frios que chegam perto de 0°C e verões amenos para os padrões brasileiros. Cada estação entrega uma experiência diferente:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Geadas são possíveis entre junho e agosto.
Como chegar a Treze Tílias vindo de Florianópolis ou Curitiba?
A cidade fica a 425 km de Florianópolis e a 380 km de Curitiba, acessível pela BR-282 até Joaçaba e depois pelas rodovias estaduais SC-303 e SC-454. Quem vem do litoral pode acessar também pela BR-470, entrando em Campos Novos e seguindo por Tangará. O aeroporto comercial mais próximo é o de Chapecó, a 175 km. A cidade integra a Rota da Amizade, circuito regional que inclui Fraiburgo, Videira e Piratuba.
Uma aldeia europeia que sobreviveu ao tempo no coração do Brasil
Treze Tílias preserva o que poucas cidades conseguem: um idioma vivo nas ruas, arquitetura orientada por cartilha alpina, segurança de vilarejo e laços diplomáticos diretos com a Áustria. Tudo isso em menos de 10 mil habitantes, com índices de educação e renda que fariam inveja a municípios muito maiores.
Você precisa conhecer Treze Tílias e entender por que um ministro atravessou o Atlântico para criar aqui um pedaço da Áustria que, mais de 90 anos depois, ainda cheira a tília e ecoa acordeão.
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