89 milhões de toneladas em um ano e lagoas de restinga a poucos passos do mar: a cidade fluminense que divide o litoral com um dos maiores portos do país
A atividade portuária divide espaço com praias e paisagens naturais
Junto à foz de um dos rios mais importantes do Sudeste, a cidade reúne um cais antigo à beira da água, uma igreja matriz no centro e praias de veraneio espalhadas pelo litoral norte fluminense. Em São João da Barra, esse cenário convive com um complexo portuário que cresce há uma década e mudou a paisagem de parte da costa nos últimos anos.
Como o Porto do Açu chegou a 89 milhões de toneladas?
Crescendo ano após ano com petróleo, minério e cargas variadas. Segundo o Porto do Açu, o complexo instalado no município fechou 2025 com 89 milhões de toneladas movimentadas, alta de 14% sobre o ano anterior e média de crescimento de 26% ao ano na última década. A operadora se apresenta como o segundo maior porto do país em movimentação de cargas.
O número mede a carga que passa pelo porto, não o que é produzido na cidade. O Terminal de Transbordo de Petróleo (T-Oil) registrou recorde de 220 milhões de barris de óleo cru embarcados para o exterior, e o terminal de minério de ferro movimentou 24 milhões de toneladas. No total, o complexo respondeu por 3% do fluxo brasileiro de comércio exterior, cerca de US$ 16 bilhões em 2025.
Por trás do recorde, outros números mostram a variedade do que passa por ali:
O que passa pelo terminal multicargas do porto?
Quase de tudo, de grãos a máquinas. O Terminal Multicargas (T-Mult) movimentou 2,1 milhões de toneladas em 2025, recorde próprio, e encerrou o ano com 77 clientes ativos e 25 tipos de carga, entre eles tarugo de aço, trigo, soja, milho e até locomotivas.
Essa variedade ajuda a entender por que o complexo é descrito como porto-indústria, e não como cais de um único produto. Ainda assim, tudo acontece em área privada, com regras próprias de acesso: o porto não é atração de passeio nem de banho, e quem visita a cidade só o enxerga de longe, como parte da paisagem do litoral.

Lagoas, praias e um cais imperial longe dos guindastes
Lagoas de restinga, praias de veraneio e o centro antigo à beira do rio formam o roteiro de quem visita a cidade. Cada área tem acesso e condições próprias, que mudam com o tempo e com o estado do mar.
As lagoas e praias são espaços abertos, mas pedem atenção à balneabilidade e às condições do dia. No centro, a visita é a pé, por ruas e prédios que contam a história mais antiga do município.
Da lagoa ao centro antigo
Longe da área portuária, estes lugares mostram o outro lado do município:
- Lagoa de Iquipari: lagoa no distrito de Pipeiras, antigo braço do Rio Paraíba do Sul, divulgada pela Prefeitura de São João da Barra. Os acessos variam conforme as condições ambientais.
- Praia de Grussaí: faixa litorânea de veraneio do município. Confira o boletim de balneabilidade antes do banho.
- Praia de Atafona: praia junto à foz do rio, com paisagem costeira em constante mudança. As condições locais variam bastante.
- Centro de São João da Barra: área com a Igreja Matriz de São João Batista, o Cais do Imperador e o Cine Teatro São João, bons para percorrer a pé.
- Porto do Açu à distância: a paisagem industrial vista do litoral, apenas como observação externa, sem entrada no complexo.
O canal Rio Para Pobres visitou a cidade e mostra suas paisagens neste vídeo:
Onde o rio encontra o mar
Na foz do Rio Paraíba do Sul, que atravessa outros estados e dezenas de cidades antes de chegar ao Atlântico, São João da Barra reúne num mesmo território a água doce das lagoas, a orla e o porto. A própria Iquipari nasceu de um antigo braço do rio, o que mostra como a paisagem local foi moldada por esse encontro.
O litoral também muda com o tempo. Em Atafona, o avanço do mar sobre a vila é estudado há décadas e foi tema de reportagem recente, mas as causas envolvem vários fatores e não se resumem a uma única obra. Hoje, o município combina patrimônio no centro, veraneio nas praias e um complexo industrial em expansão, cada um com seu ritmo.
Calor quase constante no litoral sanjoanense
As médias de São João da Barra variam só entre 20°C e 28°C ao longo do ano, com pouca diferença entre verão e inverno. Dezembro concentra o maior volume de chuva, perto de 157 mm, enquanto junho e agosto ficam em torno de 31 mm.
São João da Barra em cada estação
Com temperatura estável, é a chuva que diferencia as estações:
Faixas calculadas a partir das médias mensais históricas do Climatempo para o município. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña, e as médias não substituem a previsão do dia.
Dois litorais na mesma cidade
De um lado, os navios levam petróleo, minério e grãos num ritmo medido em milhões de toneladas. Do outro, a Lagoa de Iquipari continua entre a restinga e o mar, num tempo bem diferente do relógio do porto.
São João da Barra cabe nesse contraste, e talvez a melhor forma de entender a cidade seja olhar para os dois lados da mesma praia, sabendo que cada um conta uma parte da história.
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