Um círculo de 40 km no meio do Saara parece a cicatriz de um impacto vista do espaço, mas sua verdadeira origem vem de rochas empurradas de baixo para cima
Anéis concêntricos no deserto da Mauritânia revelam uma antiga cúpula geológica formada por intrusões magmáticas e transformada pela erosão
No deserto da Mauritânia, uma formação circular de aproximadamente 40 quilômetros chama a atenção de astronautas e satélites. Conhecida como Estrutura de Richat ou Olho do Saara, ela chegou a ser considerada uma cratera de meteorito. Entretanto, estudos geológicos demonstraram que seus anéis resultaram do soerguimento de rochas provocado por atividade magmática subterrânea e milhões de anos de erosão.
Por que a Estrutura de Richat foi confundida com uma cratera de meteorito?
Vista do espaço, a formação apresenta círculos concêntricos que lembram as bordas de uma gigantesca cratera. Essa aparência levou pesquisadores a considerar a hipótese de uma colisão extraterrestre, principalmente quando as primeiras observações aéreas revelaram sua geometria incomum.
A interpretação mudou com o reconhecimento das camadas rochosas. Em vez das evidências características de um impacto, os geólogos encontraram estratos arqueados para cima, fraturas e rochas magmáticas. A formação passou a ser identificada como uma cúpula geológica profundamente desgastada.
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Como uma estrutura circular tão grande se formou no meio do deserto?
A origem envolve episódios de atividade magmática que ocorreram muito antes da configuração atual do Saara. Materiais provenientes de regiões profundas penetraram nas rochas existentes, provocando deformações e contribuindo para elevar as camadas superiores.
Posteriormente, a erosão removeu parte dessas camadas, expondo rochas com resistências diferentes. As mais duras permaneceram como elevações circulares, enquanto materiais menos resistentes foram desgastados, criando os anéis observados atualmente.
A história geológica reúne processos distintos:
- Intrusões magmáticas modificaram as rochas subterrâneas;
- O soerguimento produziu uma ampla estrutura em forma de cúpula;
- Fraturas facilitaram a circulação de fluidos aquecidos;
- A erosão removeu parte das camadas superiores;
- Rochas resistentes permaneceram formando círculos concêntricos.
Um vídeo específico sobre a formação, Eye Of The Sahara | The Richat Structure, apresenta a geologia do Olho do Saara e explica a presença de rochas magmáticas, brechas e anéis rochosos.
O que existe no interior da Estrutura de Richat além dos anéis visíveis?
Seu interior reúne arenitos, calcários, dolomitos e rochas de origem magmática. Algumas camadas sedimentares foram depositadas centenas de milhões de anos antes do soerguimento, razão pela qual as rochas expostas no centro são geralmente mais antigas que aquelas presentes nas bordas.
Também foram identificados corpos de gabro, carbonatitos e kimberlitos, além de uma extensa brecha silicosa. Essa brecha contém fragmentos rochosos associados a processos de dissolução e colapso, favorecidos pela circulação de fluidos hidrotermais aquecidos.
Como os estudos científicos esclareceram a verdadeira origem dessa formação?
Um estudo publicado na revista Lithos, em 2024, analisou a história magmática da região por meio de dados geocronológicos e geoquímicos. Os resultados indicaram uma evolução complexa, envolvendo episódios de intrusão separados por aproximadamente 100 milhões de anos.
Segundo a interpretação proposta, gabros teriam sido instalados entre 230 e 200 milhões de anos atrás. Posteriormente, uma nova intrusão alcalina, aproximadamente 100 milhões de anos depois, teria provocado o soerguimento responsável pela formação da cúpula circular.

Quais características tornam a Estrutura de Richat tão reconhecível do espaço?
Seu diâmetro alcança aproximadamente 40 quilômetros, embora estimativas variem conforme os limites considerados. Os anéis não correspondem a muralhas construídas nem a bordas formadas por explosões: representam camadas naturais expostas pela erosão diferencial.
O contraste entre rochas sedimentares, materiais magmáticos e superfícies arenosas também influencia sua aparência. Imagens obtidas pelos satélites Landsat em março de 2026 destacaram novamente essa geometria, tornando visíveis as diferenças de relevo e coloração.
| Característica | Interpretação geológica |
|---|---|
| Diâmetro | Aproximadamente 40 km |
| Anéis concêntricos | Erosão diferencial das camadas |
| Cúpula central | Soerguimento associado ao magmatismo |
| Brecha silicosa | Dissolução e colapso hidrotermal |
Por que o Olho do Saara continua importante para os geólogos?
A formação permite observar diferentes níveis de um antigo sistema magmático que, em outros lugares, permaneceriam enterrados. Essa exposição oferece oportunidades para investigar como intrusões subterrâneas deformam camadas sedimentares e modificam sua composição química.
O local também demonstra como a paisagem pode resultar de acontecimentos separados por dezenas de milhões de anos. Embora sua origem geral esteja estabelecida, pesquisadores continuam investigando a sequência exata das intrusões e os mecanismos que produziram sua extraordinária simetria.
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