1º lugar no Prêmio Nacional do Turismo: a cidade goiana das águas turquesa que guarda 70% da Chapada dos Veadeiros
A natureza ocupa uma parte enorme do território e define a experiência local
Destino turístico costuma ser construído de fora para dentro, com hotéis e agências decidindo o que o visitante vai ver. No nordeste de Goiás, Cavalcante inverteu a lógica: quem define as regras, conduz as trilhas e recebe o dinheiro é a própria comunidade quilombola que vive ali há mais de três séculos, em um território que a Organização das Nações Unidas (ONU) colocou no mapa mundial da conservação.
O que colocou o turismo do Quilombo Kalunga em 1º lugar no Brasil?
A gestão feita pelos próprios moradores. Segundo o Ministério do Turismo, o projeto Turismo de Base no Quilombo Kalunga, tocado pela Associação Kalunga Comunitária do Engenho II, venceu em primeiro lugar a categoria de Turismo de Base Comunitária e Turismo Social do Prêmio Nacional do Turismo 2023, anunciado durante o Salão Nacional do Turismo, em Brasília.
O resultado tem tamanho econômico. Conforme estudo do Sebrae Goiás, feito em parceria com a comunidade, a atividade movimentou quase R$ 12 milhões em impacto econômico direto entre 2022 e 2023 e recebeu mais de 70 mil visitantes em três anos. O protagonismo feminino aparece nos números: as mulheres administram todos os restaurantes e três de cada quatro hospedagens do território.

Por que o território Kalunga entrou no mapa da ONU?
Por ter conservado o cerrado enquanto o ocupava. De acordo com a Agência Brasil, o Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga foi registrado pelo programa ambiental das Nações Unidas como o primeiro TICCA do Brasil, sigla para Territórios e Áreas Conservadas por Comunidades Indígenas e Locais.
O título é dado a territórios em que a comunidade mantém governança própria e apresenta resultados concretos de conservação, os chamados territórios de vida. O Kalunga reúne 39 comunidades em 261 mil hectares espalhados por Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás, e é o maior território quilombola em extensão do país. A agricultura local é feita sem agrotóxicos, seguindo o calendário da própria natureza.

Como chegar à Cachoeira Santa Bárbara?
O caminho passa obrigatoriamente pela comunidade. Segundo a Prefeitura de Cavalcante, a Cachoeira Santa Bárbara tem queda de 28 metros e fica no povoado do Engenho II, dentro do quilombo. Do centro do povoado, o visitante percorre 4,5 km de pau de arara, o transporte adaptado que leva os grupos até o começo da trilha, e depois caminha mais 1,7 km em percurso de nível fácil.
O acompanhamento de guia Kalunga é obrigatório, regra que existe tanto para proteger o poço de água azul-turquesa quanto para garantir que a renda fique no território. Cerca de 200 condutores de visitantes, além de restaurantes, hospedagens e transportadores, formam a rede que sustenta essa cadeia. O Engenho II fica a cerca de 27 km do centro de Cavalcante.
Quais outras cachoeiras visitar no município goiano?
A cidade abriga quase 70% da área do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e concentra quedas d’água em praticamente todas as direções. Confira abaixo as mais procuradas por quem chega ao destino:
- Cachoeira da Capivara: vizinha da Santa Bárbara, no mesmo território Kalunga, com sequência de quedas e poço transparente para banho.
- Cachoeira Candaru: completa o trio de atrativos do Engenho II, também administrado pela associação comunitária.
- Complexo do Rio Prata: sete cachoeiras visitáveis ao longo do percurso, com poços de água verde esmeralda e acesso fácil nas primeiras quedas.
- Cachoeira das Veredas: cercada por buritis, marca a paisagem típica das nascentes do cerrado goiano.
- Ponte de Pedra: formação rochosa atravessada pelo rio, um dos cartões-postais listados pelo governo estadual.
Quem sonha em explorar as cachoeiras de Goiás, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 158 mil visualizações, onde os criadores mostram os atrativos da Chapada dos Veadeiros:
Como o clima de Cavalcante se comporta ao longo do ano?
A cidade fica a mais de 800 metros de altitude, no cerrado de altitude, com uma divisão bem marcada entre chuva e seca. Veja abaixo como as estações costumam se apresentar em Cavalcante:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. As condições variam de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de programar as trilhas.
Um destino onde a comunidade manda no roteiro
O que diferencia Cavalcante não é apenas a cor da água, e sim quem decide as regras do passeio. O modelo construído no Engenho II transformou visitação em renda local, virou referência nacional e ganhou reconhecimento internacional pelo mesmo motivo: manter o cerrado de pé.
Você precisa reservar alguns dias no nordeste goiano, contratar um guia Kalunga e conhecer o maior quilombo do Brasil por dentro.
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