Pesquisa da Embrapa revela fungo que ajuda na recuperação de solos degradados
A regeneração de florestas ciliares é fundamental para recuperar qualidade da água, estabilidade do solo e biodiversidade.
A regeneração de florestas ciliares é fundamental para recuperar qualidade da água, estabilidade do solo e biodiversidade.
Nessa restauração, a simbiose entre plantas e fungos micorrízicos arbusculares (FMAs), do filo Glomeromycota, é central, pois aumenta o crescimento vegetal, melhora a fertilidade do solo e contribui para o sequestro de carbono, tema-chave nas discussões sobre mudanças climáticas.
O que são fungos micorrízicos arbusculares
Segundos a pesquisa realizada pela Embrapa, os fungos micorrízicos arbusculares formam associações íntimas com raízes da maioria das plantas terrestres.
Suas hifas penetram nas raízes e formam arbúsculos, estruturas especializadas responsáveis pela troca de nutrientes entre fungo e planta.
As plantas fornecem compostos de carbono derivados da fotossíntese, enquanto os fungos ampliam a absorção de água, fósforo, nitrogênio e micronutrientes.
Esse efeito é especialmente importante em solos pobres, degradados ou sujeitos a variações de umidade, comuns em margens de rios.
Como os fungos micorrízicos arbusculares favorecem regeneração de florestas ciliares
Nas florestas ciliares, FMAs aceleram a recomposição estrutural e funcional, beneficiando espécies arbóreas pioneiras e secundárias iniciais.
Essas plantas, mais responsivas à micorrização, apresentam maior produção de biomassa aérea e radicular, protegendo o solo e reduzindo erosão.
Em solos com alagamento variável, camadas arenosas ou argilosas e baixa fertilidade, a micorriza aumenta a tolerância das plantas ao estresse.
Isso facilita a colonização de áreas onde a regeneração natural seria lenta e reforça o papel das matas ciliares como faixas de proteção de cursos d’água.

De que forma os fungos micorrízicos arbusculares contribuem para a fixação de carbono
Os FMAs contribuem para a fixação de carbono ao estimular o crescimento vegetal e ao incorporar carbono em suas próprias estruturas.
Plantas mais nutritas produzem mais folhas, caules e raízes, aumentando o estoque de carbono na biomassa e o aporte de resíduos orgânicos ao solo.
As hifas e esporos dos fungos, ricos em carbono, somam-se à matéria orgânica do solo.
Além disso, a produção de glicoproteínas pelos FMAs favorece a formação de agregados estáveis, que protegem a matéria orgânica da decomposição rápida e reforçam o sequestro de carbono em horizontes superficiais.
Quais benefícios os fungos micorrízicos arbusculares trazem ao solo ripário e a regeneração de florestas
Em solos ripários sujeitos a compactação, pisoteio e perda de estrutura, os FMAs melhoram propriedades físicas e químicas, criando um ambiente mais favorável para a sucessão ecológica.
Essa atuação beneficia desde as primeiras espécies colonizadoras até estágios mais avançados da floresta.
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O Motor Invisível da Regeneração
Como os fungos micorrízicos arbusculares (FMA) transformam solos degradados em ecossistemas resilientes.
| Benefício Principal | Ação Biomecânica | Impacto na Regeneração |
|---|---|---|
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🧱
Melhoria Física
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As hifas formam uma rede que conecta partículas de solo. | Aumenta a estabilidade dos agregados contra erosão hídrica. |
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🧪
Influência Bioquímica
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Produção de glicoproteínas (glomalina). | Atua como uma “cola” biológica para matéria orgânica e minerais. |
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🌪️
Maior Porosidade
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Raízes micorrizadas criam macroporos e canais. | Otimiza a infiltração de água e a oxigenação do solo ripário. |
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🛡️
Retenção de Nutrientes
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Formação de agregados estáveis e duradouros. | Reduz drasticamente a perda de Fósforo e carbono no solo. |
Como integrar fungos micorrízicos arbusculares em projetos de regeneração de florestas
A integração de FMAs em projetos de recuperação de mata ciliar pode ocorrer por colonização natural ou inoculação planejada.
Essa inoculação pode ser feita em viveiro, na produção de mudas nativas, ou diretamente em campo, conforme a estrutura do projeto.
Boas práticas incluem selecionar espécies pioneiras e secundárias iniciais responsivas à micorriza, produzir mudas em substratos com esporos e raízes infectadas, evitar revolvimento excessivo do solo e uso intensivo de fertilizantes solúveis, além de monitorar biomassa, raízes e indicadores de qualidade do solo ao longo da restauração.
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