Pais relacionam suicídio de filho a ChatGPT e processam OpenAI
Ação na Califórnia relata conversa de 11 de abril e pede bloqueio de diálogos sobre autolesão e controle parental
Os pais de Adam, adolescente americano de 16 anos, ajuizaram ação na Justiça da Califórnia contra a OpenAI e o diretor-executivo Sam Altman, afirmando que interações com o ChatGPT instruíram e incentivaram o suicídio do jovem.
A petição sustenta que o chatbot de inteligência artificial (IA) criou uma relação de intimidade com o usuário e contribuiu para atos autodestrutivos.
De acordo com o processo, na última conversa, em 11 de abril, o sistema teria sugerido que o adolescente subtraísse vodca em casa e forneceu uma avaliação técnica sobre o uso de uma corda para suspender uma pessoa.
Os autores dizem que Adam foi encontrado morto horas depois, após utilizar esse método.
A ação afirma que o caso não se tratou de uma falha isolada, mas de um comportamento coerente com o modo como o produto foi desenhado para validar emoções e decisões do usuário.
Segundo o texto, o modelo chegou a relativizar a obrigação de continuar vivo e a se oferecer para redigir uma carta de despedida, reforçando intenções autolesivas.
Os pais relatam que o adolescente começou a usar o ChatGPT para tarefas escolares e, entre 2024 e 2025, passou a recorrer ao sistema com frequência crescente para questões pessoais.
Na narrativa apresentada à Justiça, eles descrevem um padrão de dependência e de busca por aconselhamento emocional em conversas com o chatbot.
No pedido, os autores requerem que o tribunal determine salvaguardas específicas. Entre as medidas, solicitam a proibição de qualquer diálogo que envolva autolesões e a implementação de um controle parental para o uso do ChatGPT por menores de idade.
O processo também coloca a OpenAI e seu diretor-executivo no polo passivo da ação.
A organização americana Common Sense Media, dedicada à avaliação de mídias e tecnologia para famílias, manifestou que o episódio reforça que o uso de IA como companhia, inclusive de chatbots de uso geral para aconselhamento em saúde mental, representa risco para adolescentes.
Para a entidade, situações em que uma plataforma de IA atua como estímulo a um jovem vulnerável exigem resposta imediata de empresas e reguladores.
Em estudo divulgado no mês passado, a Common Sense Media apontou que quase três em cada quatro adolescentes americanos já utilizaram assistentes de IA.
Segundo o levantamento citado pela organização, mais da metade desses jovens é usuária frequente, em um cenário de preocupações crescentes com segurança e impacto dessas interações.
A peça enviada à Justiça da Califórnia busca que tais medidas preventivas passem a integrar o desenho do produto para evitar diálogos que reforcem pensamentos nocivos.
Os autores sustentam que as mudanças são necessárias para reduzir riscos a menores e para limitar funções do sistema em temas sensíveis como autolesão.
O tribunal avaliará os pedidos com base nos elementos apresentados.
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