IA já corta vagas de recém-formados e ameaça início de carreiras
Pesquisas de Stanford e Harvard mostram queda de até 13% nas contratações de jovens profissionais expostos à automação
Dois estudos inéditos das universidades de Stanford e Harvard indicam que a inteligência artificial já está reduzindo as oportunidades de jovens profissionais nos Estados Unidos.
Desde o fim de 2022, o emprego de trabalhadores entre 22 e 25 anos em áreas mais expostas à IA caiu 13%, segundo o levantamento de Stanford.
A pesquisa, liderada por Erik Brynjolfsson, Bharat Chandar e Ruyu Chen, analisou milhões de registros de folha de pagamento.
O resultado mostra que a perda se concentra nas funções de entrada, as primeiras a serem automatizadas por sistemas de IA generativa.
O número de vagas encolheu, mas os salários não mudaram, sinal de que as empresas estão cortando portas de entrada, não apenas ajustando remuneração.
Em Harvard, os pesquisadores Seyed Hosseini e Guy Lichtinger chegaram a conclusões parecidas por outro caminho.
Usando IA para examinar 200 milhões de anúncios de emprego, eles identificaram 130 mil vagas para “integradores de IA generativa” em 10,6 mil empresas
Nessas companhias, as contratações de juniores despencaram 7,7% mais rápido do que nas empresas que ainda não adotaram a tecnologia. A diferença não apareceu em cargos sêniores.
O corte é seletivo. Graduados de universidades de elite continuam sendo contratados por suas habilidades especializadas. Os de instituições mais baratas sobrevivem pelo custo reduzido. Já os de nível intermediário, sem o brilho nem a economia, são os mais atingidos.
A retração vai além da academia. Dados da consultoria SignalFire mostram que, entre 2019 e 2024, as contratações de profissionais com menos de um ano de experiência caíram pela metade em setores como engenharia, marketing, jurídico e finanças.
Outro estudo, da British Standards Institution, revela que 43% dos executivos planejam substituir cargos de entrada por IA nos próximos anos.
Apesar do alerta, nem todos concordam que a automação esteja afetando oportunidades de emprego.
O Yale Budget Lab afirma que, no conjunto da economia, ainda não há sinais de uma “revolução” do desemprego causada pela IA. Mas a própria instituição reconhece que seus dados podem não captar efeitos concentrados em grupos específicos, como recém-formados.
No mundo corporativo, cresce o debate.
O presidente da AWS, Matt Garman, reagiu à tendência e chamou de “uma das ideias mais burras” trocar desenvolvedores juniores por máquinas. Ele diz que os jovens profissionais são baratos, curiosos e os que mais sabem explorar a própria IA.
O avanço da automação pode estar criando um vácuo geracional. Se a IA eliminar as funções de entrada, quem formará os profissionais experientes de amanhã? Pesquisadores alertam: sem novos aprendizes, o futuro das empresas pode acabar tão automatizado quanto vazio.
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