DeepSeek: Inteligência Artificial chinesa censura respostas sobre cristianismo
Chatbot chinês lidera downloads enquanto reforça vigilância estatal sobre a prática religiosa
A China lançou recentemente o DeepSeek-R1, um chatbot de inteligência artificial que rapidamente abalou o mundo da tecnologia. Análises revelam agora que o DeepSeek-R1 mostra também a rígida censura estatal do país, especialmente em temas relacionados à religião e ao cristianismo.
Testes conduzidos pelo National Catholic Register demonstraram que o DeepSeek-R1 evita ou censura perguntas sobre o papel da Igreja Católica na China e o acordo entre o Vaticano e Pequim.
]Embora forneça informações básicas sobre Jesus e a Bíblia, o chatbot alerta sobre os riscos de professar o cristianismo no país, aconselhando os usuários a manterem discrição devido a possíveis consequências legais e impactos no sistema de crédito social.
A análise também revelou que o DeepSeek frequentemente reproduz narrativas alinhadas às posições oficiais de Pequim. Quando questionado sobre temas sensíveis, o chatbot tende a apresentar respostas que reproduzem o discurso oficial do governo.
Em uma tentativa de saber como os cristãos podem educar seus filhos na fé, o chatbot citou as regulamentações de 2018 que proíbem o ensino religioso para menores em espaços públicos. A solução sugerida? Práticas religiosas restritas ao ambiente familiar, longe de olhares externos.
Quando o Register tentou explorar temas mais delicados, como a destruição de igrejas e a repressão de padres que não seguem o controle estatal, o DeepSeek-R1 simplesmente bloqueou as perguntas, exibindo a mensagem: “Desculpe, não sei como responder a este tipo de questão.”
Um exemplo real de censura foi evidenciado ao perguntar sobre o acordo de 2018 entre o Vaticano e a China. Inicialmente, o chatbot apresentou uma resposta breve e diplomática sobre o reconhecimento de bispos, mas em seguida apagou automaticamente o conteúdo e exibiu: “Desculpe, estou fora do meu escopo.”
Essas descobertas são preocupantes para as comunidades cristãs na China, especialmente para aqueles que participam de igrejas não registradas, conhecidas como igrejas subterrâneas.
Para os cristãos chineses, essa tecnologia é um exemplo dos obstáculos diários que enfrentam. Comunidades subterrâneas, como a de Xangai, que não aceitam se submeter à Associação Patriótica Católica Chinesa, enfrentam prisões e vigilância constante. Em 2021, um padre de Hebei foi preso após realizar uma missa não autorizada, um episódio emblemático da repressão crescente.
O governo chinês tem intensificado a campanha de estatização da religião, exigindo que as práticas religiosas incorporem características chinesas e estejam alinhadas aos ideais do Partido Comunista Chinês. Isso inclui a proibição de construções de grandes estátuas religiosas ao ar livre e a imposição de uma educação “patriótica” aos fiéis.
A prática ou expressão religiosa fora do controle estatal é considerada ilegal na China e tem sido alvo de variados graus de repressão ao longo das últimas décadas.
A política do presidente Xi Jinping já está forçando as igrejas subterrâneas a retomarem encontros menores para evitarem a vigilância estatal. Líderes cristãos enfrentam pressão constante, com alguns sendo presos ou forçados a emigrar.
O lançamento do DeepSeek-R1 destaca não apenas os avanços tecnológicos da China, mas também a extensão do controle governamental sobre a liberdade de expressão e religiosa.