Teoria da caminhabilidade condominial
Durante anos, os condomínios investiram em segurança para dentro, mas deram pouca importância ao que acontece do lado de fora
Durante décadas, os condomínios brasileiros seguiram a mesma lógica.
Investir em segurança para dentro: portaria blindada, câmeras, controle de acesso e muros.
Mas quase ninguém presta atenção no que acontece do lado de fora do portão.
E é justamente ali que começa o verdadeiro problema.
Uma rua escura, sem comércio, com calçadas ruins e pouca circulação de pessoas cria o ambiente perfeito para insegurança. Quando ninguém caminha, ninguém observa. Quando ninguém observa, o espaço passa a ser ocupado pelo medo.
Daí surge uma ideia simples que todo síndico deveria considerar.
A segurança do condomínio começa na rua.
Esse conceito pode ser chamado de Teoria da Caminhabilidade Condominial. Quanto mais pessoas circulam no entorno do prédio, maior tende a ser a sensação de segurança e menor tende a ser o espaço para crimes oportunistas.
Uma rua com padaria, mercado, iluminação adequada e moradores caminhando cria vigilância natural. Cada pessoa que passa vira um par de olhos observando o ambiente.
O papel do síndico então muda um pouco. Ele deixa de cuidar apenas do prédio e passa a olhar também para o entorno imediato: cobrar iluminação pública; incentivar o comércio local; dialogar com outros síndicos da rua; instalar câmeras voltadas para a calçada; e participar do CONSEG para cobrar mais rondas da PM e da GCM.
Quando vários prédios fazem isso juntos, a rua muda.
Ela fica mais viva.
E quando a rua fica viva acontece algo que todo proprietário entende rapidamente.
Os imóveis passam a valer mais.
Regiões com ruas iluminadas, comércio ativo e boa circulação de pedestres tendem a apresentar maior valorização imobiliária e maior atratividade para compradores.
No fim das contas, cuidar da rua não é apenas segurança.
É gestão patrimonial.
Porque condomínios realmente valorizados não são apenas bem administrados por dentro.
Eles estão cercados por bairros que funcionam.
Por Rafael Bernardes, especialista em gestão condominial e fundador do Sindicolab
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