Pais estão terceirizando a educação dos filhos para o condomínio?
Quando uma criança danifica áreas comuns, a primeira reação de muitos pais é perguntar o que o condomínio fará a respeito
Os síndicos brasileiros acumulam funções que jamais imaginaram exercer. Administram contratos milionários, respondem por normas de segurança, acompanham obras, enfrentam conflitos jurídicos e, cada vez mais, são chamados a resolver problemas que começam dentro dos apartamentos.
Quando uma criança corre pelos corredores, utiliza elevadores desacompanhada, danifica áreas comuns ou desrespeita funcionários, a primeira reação de muitos pais é perguntar o que o condomínio fará a respeito.
A pergunta talvez devesse ser outra.
O que a família já fez antes de esperar uma intervenção do síndico?
O condomínio possui regras de convivência. Não possui vocação para substituir a educação doméstica.
Limites
Isso não significa responsabilizar exclusivamente os pais.
Crianças precisam brincar, explorar espaços e aprender a viver em comunidade.
O erro está em imaginar que qualquer limite imposto pelo condomínio representa hostilidade à infância.
Responsabilidade
Educar envolve ensinar que existem direitos, mas também consequências. Que áreas comuns pertencem a todos. Que funcionários merecem respeito. Que o elevador não é brinquedo. Que o direito de brincar encontra limites na segurança coletiva.
Sempre que o condomínio precisa criar uma nova regra para impedir comportamentos que deveriam ter sido ensinados em casa, algo deixou de funcionar muito antes da assembleia.
Talvez o verdadeiro desafio não seja construir mais normas para as crianças.
Seja reconstruir a responsabilidade dos adultos.
Por Rafael Bernardes, especialista em gestão condominial e fundador do Sindicolab
Leia também: Reconhecimento facial protege ou invade a privacidade?
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)