Galpões se tornam as estrelas do mercado imobiliário
Mesmo com expansão recorde, vacância de espaço atinge a menor taxa da série histórica e preços dos aluguéis continuam em alta
Os galpões logísticos no Brasil atingiram sua menor taxa de vacância na série histórica, segundo o relatório trimestral da consultoria imobiliária Binswanger Brazil. A vacância ficou em 7,7% entre abril e junho, um índice que representa menos da metade de quando a medição foi iniciada, dez anos atrás (era de 19,4%), e mais de quatro pontos percentuais abaixo da média dos anos da pandemia, quando o e-commerce desencadeou oficialmente a explosão desse setor.
A pesquisa é realizada em 23 estados do país, e a vacância registrada anda ficando abaixo de 5% em doze deles. Por conta dessa demanda toda, os valores dos aluguéis têm crescido e, dependendo da região, podem ultrapassar os R$ 30 por metro quadrado.
O fenômeno do crescimento e da valorização dos galpões logísticos é mundial, mas tem atingido com força a América Latina. Segundo um relatório da consultoria JLL, o mercado de galpões cresceu 25% na região em apenas três anos. Somados os 11 países incluídos no levantamento, o Brasil representa 28% da metragem total, e São Paulo é o maior mercado.
E-commerce
A demanda vem sendo puxada pelas necessidades logísticas do e-commerce, onde a competição exige períodos de entrega cada vez mais curtos, que por sua vez exigem depósitos cada vez mais próximos do consumidor final. Assim, surgem fenômenos como a cidade de Extrema, em Minas Gerais, na divisa com São Paulo.
Por conta de sua localização e de incentivos fiscais, em quatro anos a cidade se tornou um polo logístico de imensas proporções, com cerca de 1,4 milhão de metros quadrados em galpões, um volume equivalente ao de mercados inteiros, como Santa Catarina ou Pernambuco.
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Expansão
A próxima fronteira são os estados do Nordeste, onde há grandes mercados consumidores que ainda são mal atendidos pela oferta de galpões. A área bruta locável da região cresceu 63% em quatro anos, mas mesmo assim o preço do aluguel do metro quadrado na Bahia segue sendo o mais caro do país, à frente inclusive de São Paulo.
Toda essa demanda também agita os mercados financeiros. Assim, o fundo imobiliário HGLG11, especializado em galpões logísticos, informou no final de julho que obteve aprovação de seus investidores para realizar sua 10ª emissão de cotas, prevendo uma captação inicial de R$ 2 bilhões, podendo chegar a R$ 2,5 bilhões.
Por sua vez, o fundo GGRC11 apresentou uma proposta de R$ 208 milhões por um gigantesco galpão no Paraná, que pertence ao fundo VTLT11 e atualmente está alugado à montadora Renault. Que um galpão já existente dê origem a uma proposta dessa grandeza é a comprovação de que esses imóveis estão se tornando as novas estrelas do mercado imobiliário.
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