Arquitetura refrescante para combater o calor nos prédios
Tecnologias inovadoras e truques antigos ganham espaço para enfrentar as altas temperaturas e os gastos com ar-condicionado
O aumento constante das temperaturas, com recordes de dias mais quentes ano após ano, é um problema para todos – mas muito especialmente para os incorporadores, engenheiros e arquitetos que precisam bolar alternativas para refrescar a vida dos ocupantes dos prédios.
Ar-condicionado, obviamente, é a primeira alternativa. Mas é uma alternativa com elevados custos de instalação, manutenção e consumo de energia, que acabam sempre ficando entre os principais gastos, tanto durante a construção quanto na operação cotidiana de um condomínio.
Sem falar na necessidade de prevenção para a hipótese de faltar a energia elétrica, que é sempre um risco em cidades sujeitas a chuvas intensas como São Paulo – nem mencionar o custo ambiental, já que os gases usados na refrigeração também contribuem para as mudanças climáticas.
Leia também: A próxima Balneário Camboriú está em construção
“Arquitetura bioclimática”
Segundo cálculos do Ministério das Minas e Energia, mantido o atual padrão de crescimento de consumo, de cerca de 5,4% ao ano, o Brasil deverá gastar cerca de 48 TeraWatt/hora em 2035 somente com aparelhos de ar-condicionado.
Para reduzir a dependência de sistemas cada vez maiores de refrigeração, os construtores estão buscando as mais diversas soluções, das mais modernas tecnologias até as mais antigas – recuperadas de povos como os antigos egípcios e hindus. É a arquitetura refrescante, tecnicamente chamada de “arquitetura bioclimática”.
Os truques utilizados vão do extremamente simples ao incrivelmente sofisticado. Um dos mais básicos é a incorporação de superfícies cobertas por plantas, que são por natureza absorvedoras de luz solar e geradoras de sombra.
Até 10º C
O recurso tem a vantagem de servir também como elemento decorativo – e tem como exigência colateral uma manutenção cuidadosa. Estudo da Universidade Mackenzie mostrou que a diferença entre áreas com e sem cobertura verde, em São Paulo, chegam a ter diferenças de dez graus centígrados.
Como exemplo, entre o arborizado bairro do Morumbi e a favela vizinha de Paraisópolis, a diferença no verão fica na faixa dos seis graus – a apenas algumas ruas de distância.
Entre os recursos baratos, pintar ou instalar um revestimento branco sobre um telhado ou uma laje pode fazer com que ela reflita até 90% dos raios solares. Por isso cidades como Nova York criou um programa que subsidia essa medida, oferecendo revestimento gratuito em alguns bairros e descontos para pintura e mão de obra em outros.
Sol
Na ponta da alta tecnologia, os campeões estão onde o calor se juntou ao capital para inovação – ou seja, no Oriente Médio, na Califórnia e na China.
Um dos maiores exemplos são as Al Bahar Towers (foto), em Abu Dhabi, um par de torres de 145 metros cada, que são cobertas por telas que imitam as treliças da tradicional decoração árabe, conhecida como muxarabi.
Só que elas são inteligentes, e seus elementos se movem de acordo com sensores ligados em rede, de modo a sempre refletir o sol do lado em que ele bate e liberar a entrada de luz natural do lado oposto.
Assim, consegue reduzir em 50% o ganho solar (ou seja, a quantidade de calor que penetra o prédio), e ao mesmo tempo em outros 50% o consumo de energia. Além disso, reduz em 1.750 toneladas anuais o volume de gases de efeito estufa que seriam gerados se o prédio dependesse somente de ar-condicionado.

Telhado verde
Na Academia de Ciências da Califórnia, projetado pelo escritório de arquitetura Renzo Piano, a laje superior utiliza uma seleção de recursos para otimizar o conforto térmico e o consumo de energia do prédio.
Ela é construída como um telhado verde, coberto de vegetação, mas possui uma série de aberturas de ventilação, controladas por um sistema inteligente, que permitem aproveitar o vento e a água da chuva. Possui também grandes claraboias em formato de globos de vidro, que também possuem um sistema de 60 mil células fotovoltaicas, que ajuda a gerar eletricidade para o ar-condicionado.
Na China, a construção de casas tem utilizado cada vez mais as bombas de calor geotérmicas, que fazem água circular pelo piso, pela laje superior da construção, e por trechos de até 10 metros de profundidade no subsolo – causando um efeito que serve para refrescar no verão e aquecer no inverno. Isso acontece porque a temperatura subterrânea é quase igual ao longo do ano inteiro, variando no máximo entre os 10 e os 15 graus Celsius.
Os antigos já haviam descoberto essa vantagem, que era utilizada para a construção de adegas e reservatórios subterrâneos que absorviam o calor dos pisos. A tecnologia chegou simplesmente para acrescentar o bombeamento inteligente e produzir um ganho de eficiência.
Leia mais: Obter renda de imóveis sem precisar comprar propriedades
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Marcia Elizabeth Brunetti
21.03.2025 20:53Adorei esse artigo!