Rodolfo Borges na Crusoé: O problema final de Flamengo e Palmeiras
Sem adversários à altura, os dois clubes disputam a hegemonia do futebol brasileiro como Sherlock Holmes e o Professor Moriarty
A fratura de um dedão se tornou o último capítulo de uma disputa entre os dois principais protagonistas do futebol brasileiro.
“A lesão é fruto de duas faltas violentas sofridas no primeiro tempo de Flamengo x Palmeiras, nas quais o jogador adversário sequer foi advertido com cartão amarelo”, reclamou o clube carioca em uma das notas com que esses clubes se acostumaram a se enfrentar também fora de campo.
“Vale ressaltar que esta é a sexta fratura de um jogador do Flamengo em menos de seis meses de temporada. Em nenhuma das jogadas que originaram tais lesões, o atleta adversário foi expulso. Em alguns casos, como no último sábado, nem mesmo o cartão amarelo foi aplicado”, segue a envenenada mensagem publicada pelo Flamengo, que pressiona a arbitragem.
O Palmeiras faz o mesmo, numa batalha que ganhou intensidade e perdeu qualquer sutileza depois de o clube paulista ter sido beneficiado por um erro flagrante de arbitragem em jogo contra o São Paulo no Campeonato Brasileiro do ano passado.
Problema final
Depois de se organizarem e se estruturem como nenhum outro dos grandes clubes do país ainda foi capaz de fazer, Flamengo e Palmeiras disputam a hegemonia do futebol brasileiro como se não tivessem mais adversários à altura, como Sherlock Holmes e o Professor Moriarty.
“Eu te digo, Watson, com toda a seriedade, que se eu pudesse derrotar aquele homem, se eu pudesse livrar a sociedade dele, sentiria que minha própria carreira havia atingido o ápice e estaria preparado para seguir um caminho mais tranquilo na vida”, diz o detetive criado por Arthur Conan Doyle em sua aventura derradeira, A aventura do problema final.
“Eu não conseguiria descansar, Watson, não conseguiria ficar sentado em silêncio na minha cadeira se pensasse que um homem como o Professor Moriarty…
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