Rodolfo Borges na Crusoé: A paz sombria dos estádios
Não há mais briga entre torcidas em dia de jogo em São Paulo, mas isso não parece amenizar o ódio de uma pela outra. Pelo contrário
“Duas famílias, iguais em dignidade, (…) de rancor antigo rompem em nova revolta,
onde sangue civil mancha mãos civis”, diz o coro que introduz a Tragédia de Romeu e Julieta, para destacar que do “ventre fatal” desses dois inimigos nasceu um “par de amantes cruzados pelas estrelas”.
A história de Neymar Jr. com a criança (foto) para a qual entregou sua camisa após a vitória contra o Corinthians no domingo, 30, pode não soar tão dramática quanto a história contada por Shakespeare, mas o clima na Neo Química Arena emulou a rixa dos Capuletos e Montecchios.
A Gaviões da Fiel repudiou as hostilidades ao jovem torcedor corintiano.
“Somos totalmente contrários a qualquer ato de intimidação, constrangimento ou violência, especialmente quando envolve crianças. Não admitimos nem compactuamos com atitudes covardes que exponham crianças a agressões físicas ou psicológicas”, disse a torcida organizada em nota, após a família da criança ter de ser escoltada pela polícia para fora do estádio.
Mas torcedores do Corinthians endossaram nas redes sociais a atitude dos corintianos que enxergaram desrespeito na atitude do garoto que pediu a camisa do atacante do Santos, o que lega ao menino, que cometeu o erro de amar Corinthians e Neymar ao mesmo tempo, os lamentos de Julieta:
“Meu único amor nasceu do meu único ódio! (…) Ter de amar um inimigo odiado!”
Torcida única
Apesar de a Gaviões da Fiel…
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