Verkhoyansk registrou 38°C em junho de 2020, a temperatura mais alta já medida dentro do Círculo Polar Ártico
A cidade de Verkhoyansk bate recorde de calor na região mais gelada do globo
A cidade de Verkhoyansk chama a atenção do mundo por registrar um calor assustador bem no meio do Círculo Polar Ártico. Esse pedaço isolado da Sibéria sofre com mudanças drásticas no clima e mostra que o aquecimento global é uma realidade pesada no nosso dia a dia.
Por que a cidade de Verkhoyansk ferveu no verão?
O termômetro na cidade de Verkhoyansk chegou aos 38°C em junho de 2020, deixando muita gente de queixo caído. Os especialistas culpam uma forte área de alta pressão atmosférica que estacionou sobre a Sibéria, impedindo a chegada de frentes frias e barrando as chuvas na região.
Como a terra ficou seca por semanas a fio, o sol castigou o solo sem dó. Todo esse cenário serviu de base para a Organização Meteorológica Mundial bater o martelo e validar esse recorde histórico de calor na região do Ártico.

Qual é o histórico de frio extremo desse lugar?
Apesar do calor recente, essa vila russa sempre foi famosa por congelar os ossos dos seus 1.100 habitantes. No mês de fevereiro de 1892, a estação local marcou assustadores -67,8°C, criando a maior variação climática já anotada no planeta.
Essa oscilação brutal passa dos 105 graus, um número que garante o título do Guinness World Records para o vilarejo. A economia por lá gira em torno da caça e do manejo de florestas, atividades que sofrem bastante com essas mudanças malucas no tempo.
Como os números mudam do verão para o inverno?
Dá uma sacada na diferença absurda de temperatura nesse local tão remoto do mapa:
Quais os piores estragos causados por esse aquecimento?
O calor fora do normal não traz apenas suor para quem vive no gelo. As altas temperaturas ajudaram a espalhar incêndios florestais gigantescos que destruíram mais de 7.900 milhas quadradas de vegetação e jogaram cerca de 56 megatons de dióxido de carbono no ar da região.
Saca só os impactos diretos desse clima extremo na vida selvagem e na estrutura das cidades vizinhas:
- Derretimento acelerado do permafrost que antes ficava sólido e firme o ano todo
- Vazamento de 150 mil barris de diesel em Norilsk após o chão ceder sob o calor
- Animais da floresta boreal sofrendo com a falta de chuva e com a fumaça das chamas
O que os cientistas dizem sobre o futuro do Ártico?
Um estudo internacional publicado na revista Climatic Change mostra que esse evento de calor absurdo seria quase impossível sem a grande influência humana. A poluição e a ação do homem aumentaram a chance desse calorão ocorrer em cerca de 90 mil vezes quando comparado ao cenário do ano de 1900.
Se a gente não der um freio nessa bagunça climática, os modelos indicam que um pico parecido lá no ano de 2050 pode ser ainda pior e mais sufocante. O recorde histórico de frio vai continuar quietinho no passado, mas o limite do calor tem tudo para ser quebrado novamente nos próximos anos.
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