Valentín Fuster, cardiologista: “A felicidade é alcançada com os 4 ‘a’s: atitude, aceitação, autenticidade e altruísmo”
A relação entre saúde emocional e física vem ganhando destaque em pesquisas científicas e na prática clínica.
A relação entre bem-estar, saúde emocional e física vem ganhando destaque em pesquisas científicas e na prática clínica.
A visão de que corpo e mente formam um sistema integrado mostra que o bem-estar depende não só de circunstâncias externas, mas também de hábitos emocionais treináveis, capazes de proteger o coração, reduzir o estresse e preservar a clareza mental.
O que é bem-estar emocional e qual sua relação com a saúde?
Bem-estar emocional é o estado em que sentimentos, pensamentos e ações caminham em relativa harmonia, permitindo lidar com dificuldades sem negar a realidade.
Não significa ausência de problemas, mas capacidade de responder de forma estável, mantendo propósito e senso de direção.
Pesquisas em cardiologia e neurociência indicam que essa estabilidade interna influencia pressão arterial, frequência cardíaca, sono e níveis de cortisol.
Com emoções mais reguladas, a pessoa tende a tomar decisões consistentes, aderir melhor a tratamentos, reduzir comportamentos de risco e proteger o sistema cardiovascular ao longo da vida.
Quais são os quatro pilares do bem-estar emocional?
Um modelo bastante difundido organiza o bem-estar emocional em quatro pilares comportamentais, conhecidos como os “quatro A’s”: atitude, aceitação, autenticidade e altruísmo.
Eles descrevem formas de se relacionar consigo mesmo e com o mundo, funcionando como eixos de proteção psicológica e física.
Na proposta do cardiologista Valentín Fuster, esses quatro “A’s” constituem o núcleo de uma vida equilibrada e podem ser praticados em pequenas ações diárias, como mostram os exemplos abaixo:
- Atitude: postura proativa diante de obstáculos, com foco em soluções possíveis e responsabilidade pelas escolhas.
- Aceitação: reconhecimento realista da própria trajetória, com menos comparação social e acolhimento de limites pessoais.
- Autenticidade: coerência entre o que se sente, se pensa e se faz em diferentes contextos, reduzindo tensão interna.
- Altruísmo: disposição para contribuir com o bem-estar de outras pessoas, fortalecendo vínculos e senso de pertencimento.
🫀 “Trabajar mucho, ser creativo, ser positivo y trabajar en equipo” — Dr. Valentín Fuster
— SIAC (@SIAC_cardio) May 8, 2025
El Dr. Valentín Fuster, una de las voces más influyentes en la cardiología global, será el encargado de abrir el Congreso Interamericano de Cardiología SIAC 2025 con una conferencia… pic.twitter.com/YnEzV6lAto
Como os quatro A’s influenciam a saúde do corpo e da mente?
Atitude está ligada à sensação de autoeficácia, reduzindo sentimentos de impotência e modulando respostas de estresse, o que favorece menor sobrecarga cardiovascular.
Aceitação ajuda a lidar com o excesso de comparação nas redes sociais, deslocando o foco para limites e conquistas pessoais.
Autenticidade diminui a dissonância entre quem a pessoa é e como se apresenta, reduzindo fadiga emocional e risco de comportamentos autodestrutivos.
Já o altruísmo ativa circuitos cerebrais de recompensa, fortalece laços sociais de apoio e melhora a adesão a hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, abandono do tabagismo e prática regular de atividade física.
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Qual é o papel da maturidade pessoal no desenvolvimento do emocional?
Para sustentar esses pilares, a maturidade pessoal é fundamental e não se confunde com idade cronológica.
Ela envolve reservar tempo para reflexão, reconhecer talentos e limitações e construir uma visão realista, porém construtiva, de futuro.
Figuras de referência e mentores podem funcionar como gatilhos para decisões mais saudáveis em momentos-chave da vida.
Quanto mais o indivíduo aprende com a experiência e alinha valores às próprias escolhas, mais fácil se torna integrar os quatro “A’s” ao dia a dia e manter um comportamento coerente com o propósito de viver com qualidade.
De que forma o bem-estar emocional contribui para a saúde coletiva?
O compromisso individual com atitudes mais saudáveis impacta diretamente a saúde coletiva, especialmente em temas como tabagismo, sedentarismo e obesidade.
Escolhas responsáveis reduzem a sobrecarga dos sistemas de saúde, inspiram pessoas próximas e favorecem ambientes que estimulam comportamentos protetores.
Nessa perspectiva, bem-estar emocional deixa de ser apenas um tema privado e passa a integrar políticas públicas, campanhas educativas e programas de prevenção.
Ao combinar atitude, aceitação, autenticidade e altruísmo, felicidade e saúde são entendidas como processos em construção contínua, que contribuem para comunidades mais resilientes e para a redução de doenças cardiovasculares evitáveis.
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