Uma simulação refez a infância da Via Láctea e mostrou milhares de pequenas galáxias se juntando para formar a estrutura que vemos hoje
Projeto MEGATRON reconstruiu os primeiros bilhões de anos da formação galáctica e revelou como pequenas estruturas, estrelas e gás moldaram nossa galáxia
A Via Láctea nem sempre apresentou o enorme disco espiral que conhecemos. Uma nova geração de simulações cosmológicas revelou que a região onde nossa galáxia se formaria abrigava milhares de sistemas menores, envolvidos em colisões, formação estelar e transformações químicas. O projeto MEGATRON reconstruiu os primeiros dois bilhões de anos dessa evolução.
Como a Via Láctea começou a se formar a partir de milhares de galáxias menores?
Nos primeiros milhões de anos após o Big Bang, o Universo apresentava pequenas concentrações de matéria que cresceram sob a influência da gravidade. Gás e matéria escura começaram a formar estruturas, criando condições para o nascimento das primeiras estrelas e galáxias.
A simulação mostra que a região ancestral da Via Láctea continha milhares de sistemas de diferentes tamanhos. Alguns produziam estrelas intensamente, enquanto outros possuíam principalmente gás. Com o tempo, interações gravitacionais e fusões contribuíram para a formação de estruturas maiores, processo conhecido como crescimento hierárquico.
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O que a simulação MEGATRON revelou sobre a infância da Via Láctea?
O projeto acompanhou a evolução de uma região do Universo desde aproximadamente 180 milhões de anos após o Big Bang. Ao longo de dois bilhões de anos, os pesquisadores observaram gás esfriando, estrelas surgindo e explosões espalhando elementos químicos pelo ambiente.
As imagens produzidas pelos supercomputadores revelam diferentes fenômenos:
- Milhares de pequenas estruturas associadas à formação galáctica;
- Filamentos de gás alimentando regiões de formação estelar;
- Explosões de supernovas enriquecendo o meio interestelar;
- Colisões e incorporações entre sistemas menores;
- Galáxias muito jovens apresentando diferentes níveis de atividade.
A Universidade de Chicago divulgou uma animação da própria simulação MEGATRON, mostrando a evolução do gás, da radiação ultravioleta e do oxigênio durante a formação das primeiras galáxias. As cores representam propriedades físicas calculadas pelo modelo.
Por que pequenas galáxias se juntam para formar estruturas maiores?
A explicação envolve a gravidade e a distribuição de matéria escura. Pequenos halos gravitacionais atraem gás e outros sistemas, favorecendo aproximações e colisões. Durante essas interações, estrelas podem mudar de órbita, enquanto o gás comprimido encontra condições para produzir novas gerações estelares.
As fusões, entretanto, não representam o único mecanismo de crescimento. Galáxias também aumentam sua massa formando estrelas a partir do próprio gás. Portanto, as milhares de estruturas identificadas na simulação não significam que todas tenham sido absorvidas individualmente pela Via Láctea atual.
Como os cientistas reconstruíram os primeiros bilhões de anos da Via Láctea?
A pesquisa foi liderada por Harley Katz, da Universidade de Chicago, com participação de Martin Rey, da Universidade de Bath, e colaboradores internacionais. O estudo publicado no The Open Journal of Astrophysics, em 30 de setembro de 2026, apresentou simulações capazes de calcular simultaneamente gravidade, dinâmica dos gases, radiação e transformações químicas.
O projeto reuniu seis artigos científicos e exigiu aproximadamente três anos de processamento computacional. Uma inovação importante foi acompanhar o enriquecimento químico produzido pelas primeiras estrelas, permitindo gerar previsões sobre a luz emitida por galáxias antigas e compará-las às observações do telescópio espacial James Webb.

Quais números mostram a dimensão da simulação da Via Láctea?
O MEGATRON produziu uma biblioteca com mais de 175 mil espectros galácticos simulados. Esses registros representam previsões da luz emitida pelos sistemas estudados e ajudam os astrônomos a interpretar observações de galáxias muito distantes.
O modelo também alcança resolução espacial da ordem de parsecs em determinadas regiões. Esse detalhamento permite investigar processos internos que simulações anteriores precisavam representar de maneira simplificada, embora ainda existam limitações físicas e computacionais.
| Indicador científico | Resultado |
|---|---|
| Início da evolução simulada | 180 milhões de anos após o Big Bang |
| Período inicial acompanhado | Cerca de 2 bilhões de anos |
| Espectros simulados | Mais de 175.000 |
| Processamento do projeto | Aproximadamente 3 anos |
| Artigos publicados | 6 estudos científicos |
O que a simulação pode revelar sobre o futuro das pesquisas da Via Láctea?
Os resultados ajudam a interpretar observações do James Webb, especialmente de galáxias que surgiram quando o Universo era muito jovem. O modelo também sugere que alguns sistemas sem estrelas atuais poderiam emitir radiação detectável, apresentando características diferentes das galáxias luminosas convencionais.
Entretanto, o MEGATRON não representa uma filmagem verdadeira do passado da Via Láctea. Trata-se de uma reconstrução física de um ambiente semelhante ao de sua formação. Novas simulações deverão incorporar processos ainda mais complexos, incluindo a atividade de buracos negros, para verificar quais cenários melhor explicam nossa história galáctica.
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