Uma ponte de 400 metros construída sobre um cânion de até 60 metros de altura faz parte de uma estrada que pretende completar uma ligação rodoviária entre dois estados do Sul
A ligação depende de uma travessia elevada em relevo difícil, além de pavimentação e medidas para reduzir impactos sobre a fauna.
Uma rodovia que atravessa paredões e vales profundos exige mais do que uma camada de asfalto. Na ponte do Rio das Antas, a BR-285 cruza um cânion de até 60 metros entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Com aproximadamente 400 metros, a estrutura integra a ligação em obras entre São José dos Ausentes e o lado catarinense.
Por que a ponte precisa atravessar um cânion tão profundo?
O traçado da BR-285 passa por uma região de desníveis acentuados, onde a continuidade da estrada exige transpor o vale do Rio das Antas. Construir uma ligação elevada evita tentar vencer toda a depressão com descidas e subidas acentuadas.
O corredor rodoviário BR-285 conecta regiões do interior gaúcho ao território catarinense. A travessia integra a implantação do segmento serrano que permitirá conexão com outras rodovias, incluindo a BR-101.
Quais são as dimensões e a solução estrutural?
O projeto informado pelo DNIT prevê uma ponte com cerca de 400,4 metros de comprimento. O cânion atravessado apresenta altura variável entre 50 e 60 metros, o que torna a escolha das fundações e do método de construção especialmente importante.
O planejamento técnico inclui trechos com vigas convencionais e um segmento principal executado pelo método de balanços sucessivos. Nessa técnica, partes do tabuleiro avançam a partir dos apoios, reduzindo a necessidade de estruturas provisórias no fundo do vale.
As medidas ajudam a dimensionar a travessia:
Que outras obras completam a ligação entre estados?

A ponte faz parte da implantação e pavimentação de um trecho de aproximadamente 8,47 quilômetros em São José dos Ausentes, que também inclui interseções e serviços de acabamento. No lado catarinense, a ligação depende da continuidade da infraestrutura viária.
Em março de 2026, o DNIT informou que a pavimentação no segmento gaúcho havia alcançado cinco quilômetros. Esse dado registra uma etapa do trabalho, mas não representa a conclusão de toda a ligação interestadual.
Como a fauna será protegida perto da BR-285?
A obra contempla passagens subterrâneas de fauna, estruturas que permitem o deslocamento de animais por baixo da estrada. O objetivo é diminuir o encontro direto entre a circulação de veículos e os movimentos da fauna silvestre.
O programa de proteção à fauna divulgado pelo DNIT em 23 de março de 2026 prevê adequações em duas passagens subterrâneas, além de cercas para direcionar animais.
As intervenções ambientais envolvem medidas complementares:
O que torna esse trecho mais complexo que uma estrada comum?
A presença de paredões, cursos d’água e vegetação nativa limita as alternativas de traçado. Além de construir a ponte, é necessário estabilizar encostas, implantar drenagem e executar pavimento em condições topográficas bastante diferentes das encontradas em planícies.
O desafio também é integrar as medidas ambientais ao projeto rodoviário. Passagens de fauna só desempenham a função esperada quando o acesso dos animais é considerado junto com cercas, margens da pista e manutenção posterior.
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Quando a nova ligação poderá funcionar integralmente?
As datas divulgadas para a conclusão são estimativas sujeitas à evolução das obras. Uma visita técnica do Ministério dos Transportes em 2026 apontou o primeiro semestre de 2027 como previsão para a ponte, mas isso não garante liberação de todo o percurso.
Para a viagem contínua entre os estados, será necessário concluir e liberar tanto a travessia quanto os segmentos de acesso. A ponte resolve o obstáculo mais visível do terreno, porém não substitui as etapas restantes da implantação rodoviária.
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