Uma pedra de moer apareceu sob uma vila romana e mostrou que alguém já vivia ali antes da construção luxuosa
Escavações no País de Gales revelaram uma mó anterior à construção romana, pisos aquecidos e evidências de reformas realizadas ao longo de diferentes gerações
Uma pedra de moer grãos, encontrada intacta sob as estruturas de uma antiga residência romana em Rossett, no norte do País de Gales, revelou que o terreno já era utilizado antes da construção do complexo. A descoberta foi anunciada em 5 de outubro de 2026 por arqueólogos da Universidade de Chester e da DigVentures. A vila romana de Rossett, conhecida por seus pisos aquecidos e ambientes decorados, apresenta agora evidências de uma história de ocupação mais longa do que se imaginava.
Por que uma pedra de moer encontrada em Rossett mudou a interpretação do sítio?
A mó apareceu em uma camada arqueológica situada abaixo da construção de pedra da residência romana. Esse posicionamento é especialmente importante porque indica que atividades humanas ocorreram no terreno antes da implantação daquela estrutura. O objeto era utilizado para triturar cereais e produzir farinha, uma tarefa fundamental na alimentação de comunidades antigas.
Segundo o arqueólogo Ben Swain, da DigVentures, a localização da peça foi tão significativa quanto sua preservação. Entretanto, a descoberta ainda não permite identificar quem utilizava o terreno anteriormente ou estabelecer uma data exata para essa ocupação. As próximas análises deverão esclarecer se existia ali uma construção mais antiga ou outro tipo de atividade.
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Como uma descoberta feita em 2019 levou até a vila romana de Rossett?
A investigação começou quando um detectorista de metais encontrou um lingote de chumbo romano nas proximidades de Wrexham, em 2019. O objeto despertou o interesse dos pesquisadores, que iniciaram levantamentos na região. Posteriormente, a identificação de pisos, cerâmicas e materiais de construção revelou a presença de um complexo residencial de elevado padrão.
O trabalho arqueológico avançou por diferentes etapas até a campanha realizada entre agosto e setembro de 2026. Entre os principais acontecimentos estão:
- Descoberta do lingote de chumbo romano em 2019
- Levantamentos geofísicos que identificaram estruturas enterradas em 2020
- Primeiras escavações para examinar os edifícios e seus materiais
- Nova campanha organizada pela Universidade de Chester e pela DigVentures em 2026
- Recuperação da mó completa em uma camada anterior à construção de pedra
Como funcionava o aquecimento pelo piso encontrado na residência romana?
Os arqueólogos identificaram estruturas de um sistema conhecido como hipocausto, tecnologia romana que permitia aquecer ambientes por meio da circulação de ar quente sob o piso. Normalmente, esse sistema utilizava uma fornalha conectada a espaços vazios sustentados por pequenas colunas, distribuindo calor por baixo das superfícies utilizadas pelos moradores.
Na área denominada Trincheira 1, os pesquisadores encontraram pisos romanos preservados e vestígios desse mecanismo. A configuração do edifício também levantou a hipótese de que parte da construção tenha funcionado como uma casa de banhos. Entretanto, essa interpretação ainda depende de novas escavações para determinar a função original dos ambientes.
O que as reformas da vila romana de Rossett revelam sobre seus moradores?
Conforme informou a Universidade de Chester, os edifícios não foram construídos de uma única vez. Diferentes paredes, pisos e modificações internas demonstram que a residência passou por ampliações e reorganizações ao longo de seu período de utilização.
Fragmentos de cerâmica, moedas, ossos de animais, materiais de construção e reboco pintado também foram recuperados. Esses vestígios indicam que os ocupantes tinham recursos para manter estruturas sofisticadas e acesso a redes de circulação de mercadorias. A descoberta contribui para revisar a ideia de que o norte do País de Gales romano possuía predominantemente assentamentos rurais modestos.
Quais descobertas mostram as diferentes fases de ocupação da vila romana de Rossett?
As escavações identificaram vestígios associados ao cotidiano, à arquitetura e às transformações do complexo. A posição dos objetos nas camadas arqueológicas permite reconhecer diferentes momentos de utilização, mesmo quando as datas exatas ainda não foram determinadas.
| Descoberta | Característica | Importância |
|---|---|---|
| Pedra de moer | Mó completa sob a construção de pedra | Indica atividades anteriores à vila |
| Pisos romanos | Superfícies preservadas | Revelam a organização dos ambientes |
| Hipocausto | Sistema de aquecimento pelo piso | Demonstra investimento em conforto |
| Reboco pintado | Fragmentos de decoração interna | Evidencia o padrão da residência |
| Paredes modificadas | Ampliações e alterações de layout | Indicam diferentes fases construtivas |
O que os arqueólogos ainda pretendem descobrir nas próximas escavações em Rossett?
A principal dúvida envolve a ocupação anterior à residência de pedra. Embora a mó comprove atividade humana mais antiga, ainda não se sabe se existia uma comunidade estabelecida no mesmo terreno ou se a área tinha uma função agrícola específica. A equipe também pretende investigar a extensão completa dos edifícios e compreender como seus espaços foram utilizados.
Os materiais recolhidos em 2026 estão passando por análises posteriores à escavação, incluindo o estudo de objetos, amostras ambientais e registros das estruturas. Os resultados deverão orientar novos trabalhos previstos para 2027. A investigação poderá esclarecer como uma área utilizada em atividades cotidianas se transformou em uma propriedade romana de elevado padrão, deixando marcas de diferentes gerações preservadas sob o solo galês.
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