Uma nave da NASA chegou a 692 mil km/h perto do Sol e seu escudo enfrentou temperaturas próximas de 1.000 °C sem destruir os instrumentos
O escudo térmico foi essencial para manter os instrumentos funcionando perto do Sol
Uma nave atravessa a atmosfera externa do Sol enquanto sua face iluminada recebe uma quantidade extrema de energia. A Parker Solar Probe, da NASA, passou a cerca de 6,1 milhões de km da superfície solar em 24 de dezembro de 2024, alcançando aproximadamente 692 mil km/h. Seu escudo de carbono foi projetado para suportar temperaturas próximas de 1.000 °C, mantendo os instrumentos científicos protegidos para estudar a região onde nasce o vento solar.
Como a Parker Solar Probe conseguiu chegar tão perto do Sol?
A sonda alcançou sua aproximação recorde depois de sucessivas mudanças de trajetória ao redor do Sol. O objetivo da missão é atravessar a coroa solar, a atmosfera externa da estrela, para medir fenômenos que não podem ser observados da mesma maneira a grandes distâncias.
A NASA confirmou a passagem recorde de dezembro de 2024 depois de receber um sinal indicando que a nave havia sobrevivido ao encontro.
A distância anunciada corresponde à separação entre a sonda e a superfície do Sol, não ao centro da estrela. Mesmo com milhões de quilômetros entre os dois, a Parker alcançou uma região muito mais próxima do que as sondas solares anteriores.
Para chegar a essa trajetória, a missão utilizou aproximações gravitacionais de Vênus. Cada passagem ajudou a modificar sua órbita e permitiu alcançar regiões progressivamente mais internas do Sistema Solar.

Por que a Parker Solar Probe alcançou 692 mil km/h?
A velocidade extrema resulta da aceleração gravitacional da nave durante sua aproximação do Sol. Na parte da órbita mais próxima da estrela, a Parker se desloca muito mais rapidamente do que nas regiões mais afastadas.
A NASA anunciou aproximadamente 430 mil milhas por hora. A conversão desse valor arredondado corresponde a cerca de 692 mil quilômetros por hora, embora diferentes comunicados da agência utilizem arredondamentos próprios.
O recorde pertence à velocidade de um objeto construído por seres humanos. A nave não utiliza motores convencionais para manter continuamente essa velocidade durante o encontro solar.
O movimento resulta principalmente da trajetória orbital e da gravidade da estrela. Depois da passagem mais próxima, a sonda continua sua órbita e volta a encontrar o Sol em outras ocasiões.
Como um escudo suporta quase 1.000 °C sem destruir a nave?
A Parker utiliza uma proteção térmica formada por materiais à base de carbono. Ela mantém a face exposta voltada para o Sol, enquanto os instrumentos e os equipamentos eletrônicos permanecem na região sombreada.
O material técnico de divulgação da NASA sobre a aproximação recorde estimou temperaturas de até aproximadamente 1.000 °C na face do escudo.
Essa temperatura era uma previsão para o encontro, e não uma leitura direta do escudo divulgada naquele comunicado. O sistema foi desenvolvido para suportar condições ainda mais severas.
A diferença de temperatura entre a proteção externa e os equipamentos internos depende da estrutura do escudo e da posição da nave.
Os principais elementos do sistema trabalham em conjunto:
Se a coroa solar é muito mais quente, por que a nave não derrete?
A temperatura extrema da coroa não significa que a nave receba calor como receberia dentro de um forno terrestre. A atmosfera solar externa possui densidade muito baixa, com relativamente poucas partículas em cada volume de espaço.
Embora as partículas possam ter temperaturas altíssimas, a quantidade de matéria disponível para transferir energia à nave é pequena quando comparada à de um gás denso.
O escudo recebe radiação solar intensa, mas não fica em contato com uma atmosfera tão densa quanto o ar terrestre. Essa diferença permite que a proteção funcione nas condições previstas pelo projeto.
Em outros ambientes, materiais especiais também produzem comportamentos térmicos incomuns. Uma caverna que preserva gelo em uma região desértica mostra outro exemplo de como a troca de calor depende das características físicas do ambiente.
Quais informações a Parker Solar Probe coleta perto da estrela?
Os instrumentos estudam partículas, campos magnéticos e o vento solar. Esse vento é formado por partículas carregadas que escapam continuamente do Sol e atravessam o Sistema Solar.
Os cientistas procuram compreender como essas partículas são aceleradas e por que a coroa apresenta temperaturas tão elevadas.
As observações também ajudam a estudar fenômenos capazes de provocar tempestades geomagnéticas na Terra. Esses eventos podem interferir em satélites, comunicações e sistemas elétricos.
Uma observação feita da superfície terrestre, como o eclipse solar previsto para 2027, oferece uma perspectiva diferente daquela obtida por instrumentos que atravessam a atmosfera externa do Sol.
O que aconteceu com a missão depois do recorde?
A Parker Solar Probe continuou funcionando e repetiu sua velocidade e distância recordes em outras aproximações. Em 4 de setembro de 2026, a nave completou seu 29º encontro próximo com o Sol.
A NASA confirmou o funcionamento normal da sonda em setembro de 2026 e informou que os instrumentos haviam coletado novos dados sobre a atividade solar.
A missão foi estendida até 2029. Durante esse período, a Parker continuará registrando mudanças na coroa enquanto a atividade do Sol passa por diferentes fases de seu ciclo.
Os próximos conjuntos de dados permitirão comparar encontros realizados em momentos distintos, ajudando a identificar como o vento solar e os campos magnéticos se comportam tão perto da estrela.
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