Uma mandíbula com dentes gastos revelou o pterossauro mais antigo já encontrado na América do Norte
Fóssil de 209 milhões de anos preservado no Arizona revela pistas sobre a dieta e a expansão dos primeiros pterossauros
Uma pequena mandíbula fossilizada encontrada no Petrified Forest National Park, no Arizona, revelou uma espécie desconhecida de réptil voador do fim do Triássico. O pterossauro do Arizona viveu há cerca de 209 milhões de anos e recebeu o nome científico Eotephradactylus mcintireae. O desgaste incomum de seus dentes também oferece pistas sobre o que esse animal poderia comer em um ecossistema cortado por antigos canais de rios.
Por que o pterossauro do Arizona é uma descoberta tão antiga?
Os fósseis vieram do leito conhecido como PFV 393, situado no membro Owl Rock da Formação Chinle. Cristais de zircão associados às camadas de cinza vulcânica permitiram uma datação radiométrica de aproximadamente 209,187 milhões de anos, colocando o depósito no Noriano tardio do período Triássico.
Essa idade faz de Eotephradactylus mcintireae o pterossauro mais antigo conhecido e formalmente nomeado da América do Norte. O animal também está entre os poucos pterossauros triássicos encontrados fora da Europa, ampliando as evidências de que esses vertebrados voadores já ocupavam uma grande parte da Pangeia naquele momento.
O que os dentes gastos revelam sobre sua alimentação?
O holótipo inclui parte do dentário esquerdo, um osso da mandíbula inferior que ainda preserva dentes. Muitos deles apresentam desgaste intenso nas extremidades, com partes do esmalte removidas e exposição da dentina. Isso indica contato repetido com alguma superfície relativamente resistente durante a alimentação ou, possivelmente, entre os próprios dentes.
Os pesquisadores consideraram compatível uma dieta que incluísse presas duras, como artrópodes com exoesqueleto resistente ou peixes com escamas revestidas por ganoína. Esses peixes eram abundantes no depósito, mas o desgaste não prova sozinho que fossem a única comida do animal.
- Dentes preservados na mandíbula;
- Pontas dentárias fortemente desgastadas;
- Peixes de escamas duras abundantes no local;
- Possível consumo também de artrópodes resistentes.
Este vídeo do PBS Eons explica como os pterossauros viviam e se deslocavam quando não estavam voando:
Como era o pterossauro do Arizona quando estava vivo?
O tamanho completo não pode ser medido diretamente porque o esqueleto está longe de estar completo. Ainda assim, a reconstrução baseada no material disponível indica um animal relativamente pequeno, descrito pelos pesquisadores como aproximadamente do porte de uma gaivota.
Como outros pterossauros, ele possuía asas formadas por uma membrana sustentada principalmente por um quarto dedo extremamente alongado. Uma falange de asa encontrada no mesmo sítio foi atribuída à espécie, embora essa associação seja mais cautelosa porque o osso não estava conectado à mandíbula.
Por que tão poucos fósseis desse animal sobreviveram?
Pterossauros tinham muitos ossos finos e leves, características favoráveis ao voo, mas desfavoráveis à fossilização. Corpos expostos podiam ser destruídos por decomposição, ação de animais ou transporte antes que sedimentos os protegessem, tornando especialmente raros os fósseis de pequenos indivíduos em ambientes continentais.
No caso de PFV 393, antigos canais fluviais de baixa energia ajudaram a acumular e soterrar restos delicados ao longo do tempo. O Smithsonian Institution relata que o ambiente regional era semiárido, com cursos d’água sujeitos a cheias sazonais capazes de transportar sedimentos e cinzas vulcânicas.

O que os números mostram sobre o pterossauro do Arizona?
O sítio não preservou apenas esse réptil voador. O estudo catalogou 1.468 fósseis com informação anatômica suficiente para identificação taxonômica, formando uma amostra excepcional de uma comunidade de vertebrados que viveu pouco antes da extinção do fim do Triássico.
Nesse conjunto aparecem peixes, tubarões de água doce, anfíbios, répteis, formas iniciais de tartarugas e outros grupos. A combinação permite interpretar Eotephradactylus como parte de uma comunidade fluvial diversificada, e não como um achado isolado sem contexto ecológico.
| Dado | Informação |
|---|---|
| Idade | 209,187 ± 0,083 milhões de anos |
| Período | Triássico tardio, Noriano |
| Local | Petrified Forest National Park, Arizona |
| Sítio | PFV 393, Formação Chinle |
Por que essa espécie muda o que sabemos sobre os primeiros pterossauros?
A descoberta mostra que pterossauros já estavam presentes na região equatorial da Pangeia milhões de anos antes da grande extinção que encerrou o Triássico, há aproximadamente 201,5 milhões de anos. Isso amplia a distribuição geográfica conhecida desses animais numa fase ainda inicial de sua história evolutiva.
O fóssil também oferece informações incomuns sobre ecologia, dentição e alimentação. Mesmo representado por poucos elementos, Eotephradactylus mcintireae ajuda a preencher uma lacuna importante do registro fóssil e mostra como pequenos pterossauros dividiam ambientes fluviais com tartarugas, anfíbios, peixes e outros répteis antigos.
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