Uma lula quase fantasma apareceu sobre o fundo do mar e encontro na Califórnia foi o primeiro registro vivo da espécie na região
Veículo submarino filmou uma rara Magnapinna a 3.277 metros de profundidade perto do Davidson Seamount, na Califórnia central
A cerca de 3.277 metros de profundidade, perto do Davidson Seamount, na Califórnia central, pesquisadores do MBARI e da NOAA filmaram uma lula-bigfin do gênero Magnapinna pairando sobre o fundo oceânico. O encontro, anunciado em setembro de 2026, tornou-se o primeiro registro confirmado de um indivíduo vivo desse grupo no nordeste do Pacífico. O animal, com aproximadamente 1,25 metro, apareceu inesperadamente diante das câmeras de um veículo submarino.
Por que a lula-bigfin parece tão diferente de outras lulas?
As Magnapinna possuem duas grandes nadadeiras e dez apêndices — oito braços e dois tentáculos — que podem assumir uma aparência extremamente longa e delgada. Uma característica particularmente marcante é a mudança brusca de direção dos apêndices, formando estruturas semelhantes a “cotovelos”.
No indivíduo observado na Califórnia, braços e tentáculos pendiam enquanto as grandes nadadeiras ondulavam e mantinham o animal acima do fundo. Apesar da aparência incomum, os pesquisadores ainda conhecem pouco sobre alimentação, reprodução e comportamento dessas lulas em seu habitat natural.
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Como aconteceu o encontro a mais de três quilômetros de profundidade?
A equipe estava na expedição Seamount Hotspots, a bordo do navio de pesquisa David Packard. O veículo operado remotamente Doc Ricketts explorava o fundo abissal próximo ao Davidson Seamount quando partes dos tentáculos surgiram no campo de visão das câmeras.
Um sistema de lasers do veículo permitiu estimar cerca de 1,25 metro entre a extremidade superior do corpo e o fim dos braços. A observação foi especialmente rara porque apenas cerca de 70 exemplares de Magnapinna haviam sido observados ou coletados no mundo até então.
- Profundidade aproximada de 3.277 metros;
- Comprimento estimado em 1,25 metro;
- Oito braços e dois tentáculos visíveis;
- Duas grandes nadadeiras usadas durante o deslocamento;
- Primeiro registro vivo confirmado no nordeste do Pacífico.
O MBARI publicou as imagens originais do encontro.
Por que a lula-bigfin nunca havia sido filmada viva nessa região?
A ausência de registros não significa necessariamente que esses animais sejam naturalmente ausentes ou extremamente raros no nordeste do Pacífico. O oceano profundo é vasto, e apenas uma parcela minúscula pode ser examinada diretamente por veículos equipados com câmeras.
O MBARI já havia registrado Magnapinna em 2001, mas durante uma expedição ao Havaí, fora do nordeste do Pacífico considerado nesse novo registro. Portanto, o encontro de 2026 também foi apenas a segunda observação do gênero acumulada pela instituição em quatro décadas de exploração profunda.
Como os cientistas confirmaram a importância desse registro?
A identificação foi feita pela aparência característica da Magnapinna, incluindo as grandes nadadeiras e os longos apêndices articulados. A pesquisadora Olívia Soares Pereira reconheceu os característicos “cotovelos” enquanto acompanhava a transmissão do veículo no centro de controle.
O registro divulgado pelo MBARI confirma que essa foi a primeira observação viva documentada no nordeste do Pacífico e também a primeira dentro do Monterey Bay National Marine Sanctuary. A instituição identificou o animal apenas como Magnapinna sp., sem atribuí-lo a uma espécie específica.

O que a lula-bigfin fazia perto do Davidson Seamount?
O animal pairava pouco acima do fundo, movimentando suas duas nadadeiras enquanto braços e tentáculos permaneciam estendidos. As imagens oferecem um raro registro comportamental, mas um encontro tão breve não permite estabelecer se ele estava procurando alimento, descansando ou simplesmente atravessando a área.
O Davidson Seamount fica aproximadamente 130 quilômetros a sudoeste de Monterey e influencia as correntes ao seu redor. Essas montanhas submarinas podem concentrar alimento e abrigar comunidades diversas, incluindo jardins de corais profundos e áreas utilizadas por polvos.
| Dado do encontro | Registro |
|---|---|
| Local | Próximo ao Davidson Seamount |
| Profundidade | 3.277 metros |
| Tamanho estimado | 1,25 metro |
| Identificação | Magnapinna sp. |
Por que esse encontro é importante para conhecer o oceano profundo?
A família Magnapinnidae só foi formalmente reconhecida no fim do século XX, depois que espécimes preservados e vídeos obtidos em grandes profundidades puderam ser comparados. Mesmo hoje, encontros são tão escassos que cada sequência acrescenta informações sobre postura, locomoção, distribuição e tamanho.
O registro californiano amplia a distribuição observada do grupo e mostra o efeito das tecnologias de exploração sobre o conhecimento da fauna profunda. Não se trata de uma espécie recém-descoberta, mas de uma ocorrência viva inédita para uma enorme região do Pacífico que continua pouco observada diretamente.
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