Uma fotografia mostrou um marsupial que cientistas julgavam desaparecido havia milênios e revelou um gênero inteiro desconhecido
Fotografias, fósseis e conhecimentos indígenas revelaram que uma antiga linhagem de marsupiais ainda sobrevive nas florestas da Nova Guiné.
Um marsupial planador de olhos grandes, fotografado em 2015 na parte indonésia da Nova Guiné, mostrou que uma linhagem julgada extinta havia cerca de 6 mil anos ainda sobrevive. Ao reunir imagens recentes, fósseis e conhecimento de comunidades locais, pesquisadores reconheceram Tous ayamaruensis e criaram o gênero Tous, apresentado em março de 2026.
Por que o marsupial era considerado extinto havia milênios?
Porque a espécie era conhecida apenas por fragmentos de mandíbulas e dentes encontrados em depósitos arqueológicos. Descrita em 1999 como Petauroides ayamaruensis, não possuía registros modernos reconhecidos pela ciência. Os restos conhecidos tinham milhares de anos, e o animal foi considerado desaparecido por aproximadamente seis milênios.
A nova análise, publicada em Records of the Australian Museum, mostra por que ausência de registros não equivale à comprovação de extinção.

O que as fotografias revelaram sobre o animal?
Em 2015, um trabalhador fotografou um marsupial encontrado numa área de plantação e depois o soltou. O pequeno animal apresentava características incomuns para os planadores conhecidos da região:
- Olhos grandes e orelhas praticamente sem pelos.
- Membrana de pele entre os membros, própria para planar.
- Cauda preênsil, capaz de agarrar galhos.
- Porte menor que o de parentes australianos.
Como as imagens e os fósseis permitiram criar um gênero?
As imagens foram comparadas a dentes fósseis da Nova Guiné e da Austrália. As diferenças em relação aos parentes vivos justificaram o novo gênero, embora a espécie já tivesse sido nomeada em 1999.
Como as comunidades locais ajudaram a reconhecer a espécie?
Moradores e lideranças indígenas já conheciam o animal muito antes da publicação científica. Pessoas das comunidades Maybrat e Tambrauw ajudaram a identificar fotografias, distinguir o marsupial de outros planadores e explicar seu significado cultural. O nome Tous deriva da denominação usada na região.

Relatos locais indicam que os animais descansam em cavidades de árvores altas, formam pares e teriam apenas um filhote por ano. O Australian Museum destaca a importância dessa colaboração, mas tais hábitos ainda merecem observações sistemáticas.
Por que a localização precisa da fotografia foi preservada?
Os próprios autores afirmaram que omitiram o ponto exato da fotografia original e a identidade de alguns colaboradores locais para dificultar a captura e o tráfico. Na explicação publicada pela SBS, eles apontam riscos adicionais:
- Animais raros e atraentes podem despertar interesse de traficantes.
- A exploração madeireira remove árvores usadas como abrigo.
- A expansão agrícola ameaça a floresta de baixa altitude.
- A distribuição e o tamanho populacional continuam pouco conhecidos.
A redescoberta exige proteger a floresta e seus guardiões
O registro de Tous ayamaruensis vivo corrige uma lacuna de milhares de anos, mas não significa que existam populações numerosas ou seguras. A identificação foi sustentada por fósseis, fotografias e conhecimento tradicional, sem um exemplar moderno preservado em museu.
Proteger as árvores grandes e trabalhar com as comunidades que conhecem a espécie são prioridades para sua conservação. Divulgar o achado sem revelar a localização sensível evita transformar uma descoberta científica em oportunidade para exploração.
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